<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584</id><updated>2012-02-16T17:49:48.443-08:00</updated><title type='text'>blog do antonio prata</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>167</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-2965382292009919869</id><published>2011-01-14T06:45:00.000-08:00</published><updated>2011-01-14T06:48:48.694-08:00</updated><title type='text'>Novo endereço</title><content type='html'>Caros, este blog está desativado desde 2007. Meu blog atual é o &lt;a href="http://antonioprata.folha.blog.uol.com.br/"&gt;http://antonioprata.folha.blog.uol.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Apareçam!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-2965382292009919869?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/2965382292009919869/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=2965382292009919869&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/2965382292009919869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/2965382292009919869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2011/01/novo-endereco.html' title='Novo endereço'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-5581645025973207102</id><published>2008-12-22T22:11:00.000-08:00</published><updated>2008-12-22T22:12:16.915-08:00</updated><title type='text'>Mudo-me</title><content type='html'>Caros leitores e leitoras que freqüentam esse blog: estamos de mudança. À partir de já, você pode me ler no &lt;a href="http://blog.estadao.com.br/blog/antonioprata"&gt;http://blog.estadao.com.br/blog/antonioprata&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos vivendo aqui provisoriamente. Vim para passar um mês, em abril de 2007 e nunca mais saí. Como vocês estão vendo aí em cima, esse blog está hospedado no site do projeto Amores Expressos, um incrível projeto literário e cinematográfico que me mandou para Xangai e para o qual estou terminando meu romance. Depois da China, passei a publicar aqui minhas crônicas da Capricho, do Guia do Estado e outros textos. Agora escrevo domingo sim domingo não no caderno Metrópole e, por isso, mudo-me lá pro portal do Estadão. Esse blog aqui vai continuar no ar (ou onde quer que fiquem os blogs), contendo toda a experiência da China, mas não será mais atualizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A todos e todas que me têm linkado a seus blogs: em primeiro lugar, obrigado. Em segundo, peço a gentileza de trocar o endereço. Em terceiro, apareçam. Tentarei ser mais freqüente. Isso não é uma promessa, mas uma esperança ou, vá lá, um bom voto para o ano que vai nascer. Boas festas a todos, muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-5581645025973207102?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/5581645025973207102/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=5581645025973207102&amp;isPopup=true' title='29 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5581645025973207102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5581645025973207102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/12/mudo-me.html' title='Mudo-me'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>29</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-8934217930955571211</id><published>2008-12-13T21:55:00.000-08:00</published><updated>2008-12-13T21:56:02.855-08:00</updated><title type='text'>A Gaveta</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(publicado no Estadão)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O ano vai chegando ao fim e decido arrumar a gaveta. Há várias gavetas em minha casa, evidentemente, mas refiro-me a uma em especial, onde há um tempo eu guardo os documentos, recibos, comprovantes de carta registrada, esses papéis fugidios que, como toda pessoa desorganizada, temo precisar um dia e não encontrar: “a geladeira pegou fogo no dia que instalaram, mas pergunta se ele tinha recibo?”. “Fraudaram um cheque de treze reais e agora tá devendo cento e trinta mil ao banco. Tivesse guardado os canhotos...”. “Lembra do Antonio? A Receita apareceu com o exército, perguntando pela página dois da declaração de 1998. Não achou. Parece que tá lá em Guantánamo, aguardando julgamento”. Agora, quando surgem esses pensamentos, lembro-me que em meio à barafunda que é minha casa, ao caos cartorial e burocrático que é minha vida, há esse cercadinho de juízo e precaução, zelando por meu sono: a gaveta.&lt;br /&gt;Acontece que com os anos os papéis foram se acumulando e a gaveta tornou-se, ela também, um inferninho. Quase não fecha de tão abarrotada, na última eleição levei meia hora para achar o título de eleitor e começo a temer que se os homens de preto interfonarem, não encontrarei a página dois da declaração de 1998 antes que subam as escadas e derrubem a porta. O ano termina e, num ato de fé e otimismo, digno do mês de dezembro, decido arrumá-la.&lt;br /&gt;De início não encontro dificuldades: contratos aqui, recibos ali, essas pragas azuis e amarelas do redeshop vão pro lixo... Vou fazendo pilhas temáticas, imagino pastas coloridas e etiquetadas, em 2009 cada coisa terá seu lugar, tudo será facilmente localizável, a vida parece simples, penso até em começar uma natação.  &lt;br /&gt;Aos poucos, no entanto, surgem os problemas -- se os armários escondem esqueletos, caro leitor, as gavetas também guardam seus ossinhos: esse cartão postal, eu respondi? Tenho que mandar a cópia do PIS para o SESC. O IPVA... Céus, não paguei o IPVA. A pilha das pendências vai crescendo, crescendo, então desaba sobre mim. Pastas não darão conta do recado: não é a gaveta que precisa ser organizada, é a vida. Preciso ganhar mais dinheiro. Preciso acabar meu romance. Ver mais os amigos e pagar a conta de luz. Preciso estabelecer prioridades, metas. E cumpri-las, claro. Preciso de uma secretária. Não, não, de uma analista. Perder uns quilos não seria má idéia. E se eu fizesse abdominais? Preciso ler Proust. Do alto da pirâmide de papel, trinta e um anos me contemplam: afinal, Antonio, o que você quer da vida?&lt;br /&gt;Desisto. Não adianta. A gente faz o que pode. É tarde. Sou isso aí, o conteúdo da gaveta e o que está fora dela. Paciência. Guardo tudo de volta. Dois mil e nove que venha. Semana que vem compro um baú. E fim de papo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-8934217930955571211?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/8934217930955571211/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=8934217930955571211&amp;isPopup=true' title='33 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/8934217930955571211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/8934217930955571211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/12/gaveta.html' title='A Gaveta'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-6892491246666299553</id><published>2008-12-03T20:18:00.001-08:00</published><updated>2008-12-03T20:19:18.004-08:00</updated><title type='text'>TORÓ</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(publicado no Estadão)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descarga elétrica é um chicote de 27.700 graus -- quatro vezes a temperatura na superfície do sol. O ar em torno desloca-se causando o estrondo, que viaja por entre os prédios a 340 metros por segundo. O homem por trás dos óculos e do bigode volta os olhos para cima. A nuvem preta começa a seiscentos metros de suas pupilas e só termina catorze quilômetros depois, mas de onde ele está tudo o que vê é o céu tão preto que é como se a Terra tivesse sido engolida por um cachorro. As três moças de salto-alto e crachá dão uns gritinhos, excitadas com o próprio susto. O velho da banca guarda o display da mulher pelada. Os dois frentistas correm para estacionar os carros recém-lavados sob a parte coberta do posto. O vendedor de abacaxis recolhe as fatias dispostas sobre a barraquinha e as põe no isopor envolto por fita marrom. No ponto de ônibus coberto há uma discreta migração da periferia para o centro. Os estudantes de uniforme e i-pod passam correndo e gritando pela calçada – mas talvez corressem e gritassem do mesmo modo sem trovão ou com chuva de canivetes. O vira-lata solta o osso, fareja o ar espesso com pompa de especialista e sai trotando. O homem por trás dos óculos e do bigode atormenta-se com a lembrança de uma janela longe dali: fechou? Não fechou? Agora é tarde, pois a primeira gota cai sobre o teto do posto, a segunda em cima do ponto de ônibus, a terceira na testa de uma das moças, a quarta estatela-se no asfalto e a chuva começa como no pior pesadelo de Asterix: o céu desabando sobre nossas cabeças. As moças correm a toda velocidade que os saltos permitem. O homem por trás dos óculos e do bigode, convencido de que não fechou a janela, arrasta seu arrependimento para debaixo do ponto, onde umas quinze pessoas se acotovelam -- embalde, pois a água vem de tudo quanto é canto: de cima pra baixo, de baixo para cima, de um lado pro outro; jorra de dentro dos bueiros entupidos, desce em cachoeiras pelas calhas; sacos de lixo e garrafas pet competem no rafting do meio fio. Em cinco minutos não haverá mais ninguém sob o ponto. Em quinze, o vendedor de abacaxis, com água pelo joelho, abandonará o isopor. Em vinte, os frentistas desistirão da trincheira de panos e pneus, a água já entrando pelos escapamentos. Em vinte e nove minutos a chuva haverá terminado. As moças de crachá se secarão com os guardanapos de uma padaria e o vira-lata tremerá dentro de um fogão abandonado no terreno baldio. Em duas horas o homem ajeitará os óculos e torcerá a ponta do bigode ao contemplar sua sala. O toró será a principal notícia do Jornal Nacional, mas quem mora por aqui prescindirá das estatísticas, bastará olhar pela janela para se dar conta do estrago: é como se a cidade tivesse sido roída por um cachorro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-6892491246666299553?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/6892491246666299553/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=6892491246666299553&amp;isPopup=true' title='17 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/6892491246666299553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/6892491246666299553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/12/publicado-no-estado-descarga-eltrica-um.html' title='TORÓ'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-3777079538882956629</id><published>2008-11-28T11:03:00.000-08:00</published><updated>2008-12-04T15:08:28.992-08:00</updated><title type='text'>Teatro e debate</title><content type='html'>Dia &lt;strong&gt;05&lt;/strong&gt; de &lt;strong&gt;dezembro&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;sexta&lt;/strong&gt;, às &lt;strong&gt;dez horas da noite&lt;/strong&gt;, a grande atriz &lt;strong&gt;Iara Jamra&lt;/strong&gt; vai representar um texto que escrevi. É uma cena curta, menos de dez minutos, meu primeiro trabalho para teatro. Faz parte de um projeto incrível chamado &lt;strong&gt;Teatro para alguém&lt;/strong&gt;, que a &lt;strong&gt;Renata Jesion&lt;/strong&gt;, outra atriz maravilhosa, está fazendo na internet. São mini-peças, mini-séries, pequenas cenas e outras milongas filmadas em planos seqüência e colocadas na rede. A primeira fornada trará uma peça do &lt;strong&gt;Mario Bortolotto&lt;/strong&gt;, uma mini-série do &lt;strong&gt;Lourenço Muterelli&lt;/strong&gt; e a supracitada ceninha deste neófito que vos escreve. Não precisa ir até a praça Roosevelt, nem até o SESC Belenzinho, nem até o controle remoto: basta clicar aí no computador. Quem não vir ao vivo, veja depois. Vai ficar lá no site. Abaixo uma prévia, com este autor meio tímido e de língua presa explicando do que se trata. Veja também as chamadas da mini-série e da peça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.teatroparaalguem.com.br/casa/index.php?option=com_content&amp;amp;view=article&amp;amp;id=3&amp;amp;Itemid=3"&gt;http://www.teatroparaalguem.com.br/casa/index.php?option=com_content&amp;amp;view=article&amp;amp;id=3&amp;amp;Itemid=3&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-3777079538882956629?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/3777079538882956629/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=3777079538882956629&amp;isPopup=true' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3777079538882956629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3777079538882956629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/11/teatro-e-debate.html' title='Teatro e debate'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-7992951204712896561</id><published>2008-11-17T09:26:00.001-08:00</published><updated>2008-11-17T09:26:51.828-08:00</updated><title type='text'>TEM VISTO O PESSOAL?</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(publicada no Estadão)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                    &lt;br /&gt;Reconheci assim que bati o olho: Felipe Francini, 4ª B, usava aparelho com cabresto, tinha cabelo tigela e quebrou os óculos do Júlio Cabeção no último dia de aula. Descontando o cabresto e a mudança do cabelo, agora curto, o Felipe ali sentado na ponta do balcão não era muito diferente daquele de 1987.&lt;br /&gt;Pensei em ir até lá, mas algo me segurou. Dizer o que? “Felipe Francini! 4ª B! Usava aparelho com cabresto, tinha cabelo tigela e quebrou os óculos do Júlio Cabeção no último dia de aula!”? Caso se lembrasse de mim, ele responderia algo na mesma linha: “Antonio Prata, 4ª A! Era goleiro e usava umas calças de moletom com couro no joelho!”.&lt;br /&gt;Ficaríamos nos olhando, os sorrisos minguando ao nos darmos conta de que eu não sou mais goleiro, ele não usa aparelho – quem sabe o Julio Cabeção até operou da miopia – e não há nenhuma relação entre nós, salvo termos freqüentado a mesma escola e, agora, dividirmos o balcão de um bar.&lt;br /&gt;O silêncio advindo dessa melancólica constatação não duraria muito -- nós, brasileiros, somos muito ruins de silêncio -- e seria logo preenchido por “Tem visto o pessoal?”. O outro saberia que a frase era uma fraude, um tampão colocado às pressas para que a breve felicidade do encontro não escoasse pelo ralo. “Uns mais, outros menos...”. “E o Julio Cabeção?”, eu talvez perguntasse, fazendo a indução absurda de que se ele quebrou os óculos do cara, em 1987, saberia de sua vida em 2008. Caso soubesse, no entanto, teríamos um  rumo: “Parece que ganhou muito dinheiro e abriu uma pousada em Jericoacoara”. “Jericoacoara”, eu repetiria, com vergonha de emendar com um óbvio “dizem que é lindo”, mas não me ocorrendo nada mais inteligente e ouvindo o tic tac do relógio, renderia-me: “dizem que é lindo”. &lt;br /&gt;Breves currículos desfraldados, ele comentaria que leu alguma coisa minha, alguma vez, em algum lugar, mas não saberia dizer o que, nem onde, nem quando e diria que não pode reclamar da área de recursos humanos. Com algum esforço eu lembraria de alguém que trabalhou na empresa em que ele trabalha, “O Augusto?! Um loiro, gordo? Não acredito!”, ele comemoraria, abriríamos sorrisos novamente, como se termos estudado juntos, nos encontrado no bar e ainda conhecermos o Augusto fosse um sinal inequívoco de que por trás da confusão das aparências só pode haver uma ordem a reger o mundo. Ele me convidaria para sentar, eu diria que estava esperando alguém e voltaria ao meu lugar.&lt;br /&gt;Talvez nos encontremos em 2037, em Araçatuba, comentemos sobre esse dia, no bar e nos perguntemos outra vez sobre os destinos de Júlio Cabeção e do Augusto, um loiro, gordo (será o mesmo?), ou quem sabe morramos sem nunca mais cruzarmos nossos caminhos -- o que pode soar mui filosófico, mas é apenas a mais prosaica das constatações. Que coisa, né?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-7992951204712896561?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/7992951204712896561/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=7992951204712896561&amp;isPopup=true' title='32 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7992951204712896561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7992951204712896561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/11/tem-visto-o-pessoal.html' title='TEM VISTO O PESSOAL?'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-3359217789572708889</id><published>2008-11-10T09:27:00.000-08:00</published><updated>2008-11-11T08:02:25.265-08:00</updated><title type='text'>Blowing in the wind</title><content type='html'>Meu pai nunca entendeu que eu e minha irmã não tínhamos a mesma idade que ele. Isso não se restringia a nós nem mudou com o tempo: até hoje ele conversa com uma criança de três anos de igual para igual, o que faz com que elas o adorem, como se o tom as promovesse a outro patamar. Quando você é filho, no entanto, a coisa é um pouco mais complicada.&lt;br /&gt;Era domingo e não sei por que cargas d’água meu pai resolveu nos levar ao Pico do Jaraguá. Não era o tipo de programa que fazíamos nos fins de semana -- um sim, um não -- que passávamos com ele. Íamos a restaurantes, bares, às casas de amigos dele, ao cinema ou ao teatro. Aquele, contudo, era um domingo atípico, tanto é que a Julia, minha meia irmã (filha do meu padrasto), também estava conosco.&lt;br /&gt;Lembro-me de estar deitado no banco de trás da Brasília, com as pernas esticadas por cima do encosto e a cabeça pendendo entre os bancos da frente, próxima à base do freio de mão. Hoje em dia, se a polícia pára um carro e flagra uma criança nessa posição, o motorista deve perder a carta, talvez até guarda dos filhos, mas estávamos em 1984 e o mundo era outro, não se usava cinto de segurança nem protetor solar, as pessoas não andavam por aí com garrafinhas d’água, como se fosse o elixir da vida eterna, fazíamos cinzeiros de argila para os pais nas aulas de artes e o colesterol era apenas uma vaga ameaça de gente paranóica, como a CIA ou a KGB, dependendo da sua visão de mundo; de modo que eu seguia feliz, estrada acima, vendo as árvores passarem de cabeça para baixo, lá fora.&lt;br /&gt;Foi a Maria, minha irmã mais nova, sentada próxima a janela da esquerda, quem deu o alarme: “Ó lá ela chupando o pinto dele!!!”. A Julia pisou na minha barriga, passou por cima de mim e também grudou a cara na janela, eu levantei correndo mas só cheguei a tempo de ver uns vultos dentro da Variante bege parada no acostamento. A Maria jurava ter visto direitinho: o cara pelado, uma mulher chupando-lhe o pinto. Nós três começamos a pular e gritar no banco de trás, como chipanzés amotinados. “Chupando o pinto!”, “Hahahaha!”, “Chupando o pinto dele!”, repetíamos, sem acreditar que havíamos passado tão próximos daquele evento inencaixável na ordem geral das coisas. A gritaria estancou de imediato quando meu pai, com a naturalidade de quem discute a situação com senhores de cinqüenta anos, perguntou: “o que é que tem?”.&lt;br /&gt;Até aquele segundo, em minha vida, chupar pinto não tinha nenhuma relação com a sexualidade humana, o prazer, o afeto. A frase “chupa meu pinto!” pertencia ao terreno das ofensas, ao jargão do futebol, como “prensada é da defesa”, “gol só dentro da área”, e “vou te encher de porrada” – essa sim uma ameaça que poderia ser cumprida. Chupar o pinto era metafórico, como “cospe e sai nadando” ou “vai ver se eu estou na esquina” e jamais tinha passado por nossas cabeças (eu devia ter uns nove, a Julia oito e a Maria, sete) que alguém de fato fizesse aquilo -- e por que faria?!&lt;br /&gt;“Não sei do que vocês tão rindo tanto”, continuou meu pai, sério. Eu só consegui gritar o óbvio, de pé no assento de trás, metendo o corpo entre os bancos da frente: “pai! Ela tava chupando o pinto dele!”. Meu pai abanou a cabeça. “Antonio, chupar pinto é uma coisa muito normal. E saudável. Todo casal faz isso” – ele disse, e acreditem: era só o começo. O pior, o que subverteu todo o arcabouço conceitual construído até meus nove anos, o que provavelmente faria com que fogos de artifícios fossem vistos nos dois hemisférios do meu cérebro, caso estivesse num desses aparelhos de ressonância magnética, o que, dada a intensidade, provavelmente fixou toda a história em minha cabeça, desde a posição em que me encontrava no banco da Brasília até a cor do céu, quando chegamos ao mirante, lá no alto, viria a seguir: “Normal, sim. A Juliana chupa meu pinto. A sua mãe chupa o pinto do marido dela. Sua avó chupa o pinto do seu avô. A tia Lurdes chupa o pinto do Augusto, a professora Carla chupa o pinto do Josué, ah!, os homens que namoram homens então, como o Pedrinho e o Ivan, chupam muito o pinto um do outro. Todo mundo que namora faz isso. E é muito gostoso. Não tem porque rir.”&lt;br /&gt;Chegamos ao Pico do Jaraguá, descemos do carro e vimos o pôr do sol. Eu olhava a cidade lá longe e só conseguia pensar que por trás de cada janela, dentro de cada carro, debaixo de cada teto, atrás de cada porta havia pessoas que chupavam ou eram chupadas, meus pés pisavam sob um planeta onde dois bilhões e meio de seres humanos colocavam os pintos dos ouros dois bilhões e meio na boca. Talvez fosse o vento, ou a memória tenha inserido o áudio mais tarde sobre a imagem, mas o som que eu ainda ouço, lá no alto, é equivalente ao de um canudo do tamanho de um prédio puxando o último gole de um copo gigante de milk-shake: sssrrrrrrrlllllllllllluuuuuuuuurrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrp!&lt;br /&gt;Na volta, ninguém falava nada. Entramos em casa correndo, com os olhos arregalados. Não tão arregalados quanto ficaram os de minha mãe, meu padrasto e mais uns dois casais de amigos, que tomavam vinho e comiam alguma coisa, quando desandamos a falar: “Mãe! Mãe! É verdade que você chupa o pinto dele?!”. “A vovó chupa o pinto do vovô?!”, “A minha avó também, pai?! A minha avó também chupa pinto?!!”, “Todo mundo?! Todo mundo chupa pinto?!”. “Mãe, mãe, quando eu crescer eu também vou ter que chupar pinto?!”. “Com que idade?! Com que idade começa a chupar pinto, pai?!”.&lt;br /&gt;A última cena de que me lembro nesse dia é vista do alto da escada, de onde eu estava bisbilhotando, já de pijama. Havia taças vazias e pratos sujos na mesa, os casais tinham ido embora. “Mas será que você não entende? Eles são crianças!”, dizia minha mãe ao meu pai, pelo telefone, aparentando mais cansaço do que raiva na voz. Não lembro com que sonhei naquela noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-3359217789572708889?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/3359217789572708889/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=3359217789572708889&amp;isPopup=true' title='46 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3359217789572708889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3359217789572708889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/11/blowing-in-wind.html' title='Blowing in the wind'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>46</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-7863040407600945564</id><published>2008-11-02T00:11:00.000-07:00</published><updated>2008-11-02T00:13:09.827-07:00</updated><title type='text'>SORVETE DE CHEESECAKE</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(PUBLICADO NO ESTADÃO)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz a lenda que Joe Kennedy, pai do presidente, pressentiu o crash de 29 ao receber dicas de investimento do garoto que lustrava seus sapatos. Se até o engraxate estava especulando -- especulou o especulador -- era porque a especulação já tinha ido muito mais longe do que qualquer especulador poderia ter especulado.&lt;br /&gt;Eu, modéstia à parte, também farejei que algo ia mal na economia alguns meses atrás, ao entrar numa  grande vídeo-locadora e dar de cara com um jogo de panelas (linha Firenze, revestimento de teflon), seis pares de meias brancas (made in China, dez reais) e uma seção inteira dedicada às lingeries. Quando você acha calcinhas onde buscava Hitchcock, só pode concluir que o mercado está completamente desregulado, não?&lt;br /&gt;Na verdade, eu suspeitava que as coisas andavam confusas desde uma remota tarde no século XX em que a banca do seu Arlindo passou a vender água de coco. Em pouco tempo o jornaleiro comprou um freezer vertical e começou a oferecer também cervejas, refrigerantes e bebidas isotônicas, onde antes havia apenas jornais e revistas, abalando assim um dos pilares de meu pensamento infantil -- a crença de que uma coisa era uma coisa, outra coisa era outra coisa.&lt;br /&gt;Preocupado com a quebra de meus paradigmas, comecei a buscar alguma explicação no papo dos adultos. Falavam sobre a globalização, o fim das fronteiras e a abertura dos mercados. Era isso: seu Arlindo estava abrindo um mercado. E não só ele, percebi, ao reparar no que acontecia com os postos de gasolina: ali, naquela casinha onde antes funcionava uma borracharia, com uma banheira de água imunda e um pôster da Maria Zilda arrancado de uma Playboy de 85, passaram a vender lasanhas congeladas, papel higiênico, canetas hidrocor e outros itens de primeira, segunda ou terceira necessidade. &lt;br /&gt;O que era o tal fim das fronteiras só entendi nos anos 90, não com desmantelo da Iugoslávia, mas ao deparar-me com um saco de batatas-fritas sabor churrasco. Depois vieram o sorvete de cheesecake, o chocolate de cookies e a pizza de cachorro-quente (e ainda crêem que o mercado se regula?!), mas nem me abalei: já estava claro que uma coisa poderia ser outra coisa e, como vimos nos últimos meses, era possível todas as coisas transformarem-se em coisa nenhuma.&lt;br /&gt;Quando entrei na locadora, portanto, e deparei-me com panelas, meias e calcinhas, entendi que aquele era o apogeu do movimento iniciado lá atrás com os cocos do seu Arlindo e que logo viria a débâcle. O pai do Kennedy, em 29, vendeu as ações e comprou terras e imóveis. Eu, dentro de minhas limitações, apenas aluguei um filme e levei um daqueles pacotes com seis meias, pela incrível bagatela de dez reais. Meias brancas, médias e lisas, como convém. Afinal, em momentos de incerteza, temos que nos refugiar na tradição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-7863040407600945564?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/7863040407600945564/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=7863040407600945564&amp;isPopup=true' title='16 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7863040407600945564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7863040407600945564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/11/sorvete-de-cheesecake.html' title='SORVETE DE CHEESECAKE'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-661979078135862020</id><published>2008-10-20T11:20:00.001-07:00</published><updated>2008-10-20T11:20:58.772-07:00</updated><title type='text'>ZONA DO AGRIÃO</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Publicado no estadão)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parado, com a colher suspensa sobre a bancada de aço inox, o sujeito atravancava minha passagem. Ia enfiá-la no pote de ervilhas, arremeteu, pousou-a na bandeja de beterrabas, levantou uma rodela, soltou-a, duas gotas vermelhas respingaram no talo de uma couve-flor.&lt;br /&gt;Fosse mais para trás, lá pela travessa do agrião, eu poderia ultrapassá-lo e chegar aos molhos a tempo de colocar azeite e vinagre antes que ele se aproximasse, mas da beterraba aos temperos é um passo e então seria eu a atrapalhar sua cadência. (Segundo a etiqueta não escrita dos restaurantes por quilo, a ultrapassagem só é permitida se não for reduzir a velocidade do ultrapassado -- o que seria equivalente a furar a fila).&lt;br /&gt;Tudo é movimento, dizia Heráclito; o mundo gira, a lusitana roda, anunciava a televisão: só eu não me mexia, preso diante da cumbuca de grãos de bico com atum. Fiquei irritado. Aquele homem hesitante estava travando o fluxo de minha vida, dali para frente todos os eventos estariam quinze segundos atrasados: da entrega desta crônica ao meu último suspiro.&lt;br /&gt;Limpei a garganta, o sujeito olhou para mim e foi então que o inusitado se deu: ele sorriu. Meu mau-humor foi expulso pela vergonha. Ali estava eu, buzinando mentalmente, ultrajado pela subtração de um punhado de segundos. &lt;br /&gt;Qual a pressa? Só mandaria a crônica no dia seguinte, o último suspiro, quanto mais distante, melhor, esse foi um ano bom, construí uma churrasqueira, terminei um livro, passeei por aí com meu amor, já estamos quase em novembro, logo começam a ligar os amigos para nos encontrarmos antes que o ano acabe, ou que o mundo acabe, dependendo do que acontecer com a economia -- e mesmo que venha a hecatombe, não seria mais uma razão para trabalharmos em paz na composição de nossa salada? Lá fora havia chefes e planilhas Excel, carretas viradas e possibilidade de pancadas isoladas à tardinha; talvez haja recessão em 2009 e há uma chance em 50 milhões de que a Terra seja engolida por um buraco negro quando ligarem o acelerador de partículas na Europa, mas ali estávamos nós, dois homens em horário de almoço, decidindo entre dezenas de possibilidades de agraciar nossas papilas gustativas nos próximos  minutos. No fim das contas a vida é isso aí, escolher entre ervilhas e beterrabas, antes que chegue o último suspiro e sejamos nós o alimento de outras criaturas. Qual a pressa?&lt;br /&gt;O sujeito serviu-se de três rodelas de beterraba e passou-me a colher. Eu sorri, ele sorriu de volta. Pensei em desejar-lhe feliz natal, mas era cedo, dizer bom apetite, mas era tarde: a mulher atrás de mim limpou a garganta, dando a entender que se eu não fosse me servir de nada era melhor sair da frente, em vez de ficar ali, com a colher suspensa sobre a bancada de aço inox, a contemplar os legumes e atravancar sua passagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-661979078135862020?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/661979078135862020/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=661979078135862020&amp;isPopup=true' title='23 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/661979078135862020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/661979078135862020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/10/zona-do-agrio.html' title='ZONA DO AGRIÃO'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-9010561441369937412</id><published>2008-10-06T10:27:00.000-07:00</published><updated>2008-10-06T10:31:22.147-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;  O leito no pleito&lt;/strong&gt;                        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Publicada no Estadão, no caderno Metrópole, onde aliás escrevo agora, um domingo sim, um domingo não. Meu domingo não é domingo sim da Vanessa Bárbara, gênia da raça, que pode ser lida no &lt;a href="http://www.hortifruti.org/"&gt;www.hortifruti.org&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que num dos pergaminhos do Mar Morto, escrito em aramaico no século II A.C. e só recentemente decifrado, encontraram um versículo perdido do Gênesis. Depois de expulsar Adão e Eva do paraíso e condená-los aos castigos já conhecidos, Deus teria acrescentado: “E mais! Ireis para a cama dispostos, mas acordareis um caco” – numa livre tradução.&lt;br /&gt;Não sei quanto a Adão, Eva e você, leitor, mas em mim a pena ainda vigora, forte como nos tempos pré-diluvianos. Um minuto antes de deitar-me tenho ganas de ler toda a obra de Machado, pegar a Sessão Corujão do comecinho, arrumar a gaveta onde cartas da primeira namorada misturam-se às últimas declarações do imposto de renda. Já ao abrir os olhos pela manhã, tudo o que eu queria era poder dormir de novo, para  sempre. Depois de atravessar esse lusco-fusco existencial em que a vida, pendurada nas pálpebras, faz todos os projetos parecerem impossíveis, ganhar o pão com o suor do próprio rosto é fichinha.&lt;br /&gt;Assombra-me que o direito ao sono não tenha surgido na pauta de nenhuma vanguarda do século XX. Liberaram o sexo, acusaram a família, o Estado, a Igreja; queimaram fumo, a bandeira americana, sutiãs: por que raios não foram às praças pisotear despertadores? Por que os mesmos que conseguiram fazer “samba e amor até mais tarde” não tiveram coragem de dormir mais um pouquinho, evitando “muito sono de manhã”? (Alarme, do italiano, às armas! Pode haver etimologia mais nefasta para trazer-nos dos sonhos à labuta?).&lt;br /&gt;O honrado leitor, que acorda com os galos ou as primeiras buzinas, talvez ache o assunto por demais comezinho para uma passeata. Não deve ter compreendido, ainda, as repercussões políticas da auto-gestão do sono. Se cada um acordasse quando quisesse as pessoas sairiam de casa aos poucos, não haveria rush, o transporte público daria conta do recado, as emissões de carbono despencariam, a Islândia pararia de derreter, a Björk estaria salva, assim como os ursos polares, Ilhabela, o futevôlei, Veneza, os pingüins e Ubatuba, sem contar que teríamos tempo para ler, ver TV, arrumar a gaveta, fazer samba e amor até mais tarde e não ter muito sono de manhã.&lt;br /&gt;Embora o tema seja urgente, não o vi ser discutido em nenhum debate pelos candidatos que hoje disputam nosso voto. Sequer um nanico ou aspirante a vereador, desses que encampam as bandeiras mais disparatadas, levantou a voz (abaixou, talvez, seja o termo correto) para defender o sono de 10 milhões de habitantes.&lt;br /&gt;Podem alegar que, dada a grandeza do problema, não caiba ao município resolvê-lo, mas ao governo federal ou talvez à ONU. De acordo, mas em algum lugar a revolução tem que começar. Ou nos levantamos imediatamente pela auto-gestão de nosso sono, ou daqui a pouco a água estará batendo em nossas olheiras. Ou vice-versa. Às armas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-9010561441369937412?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/9010561441369937412/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=9010561441369937412&amp;isPopup=true' title='43 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/9010561441369937412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/9010561441369937412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/10/o-leito-no-pleito-publicada-no-estado.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>43</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-5821067833441822208</id><published>2008-09-01T16:40:00.001-07:00</published><updated>2008-09-01T16:41:23.787-07:00</updated><title type='text'>CENTRAL PARK</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Publicada no Guia do Estado)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para nossa sorte, o Museu da Língua Portuguesa não aceitava cartão nem cheque e o caixa automático mais perto ficava do outro lado do Parque da Luz. Quando digo sorte, não ponho nem uma gota de ironia.&lt;br /&gt;Pertenço à primeira geração privatizada do Brasil. Na infância, ainda aproveitei aquele antigo espaço público chamado rua. Cresci numa vila, gritando um-dois-três-Antonio-salvo embaixo de goiabeiras e chapéus de sol, desenterrando moedas do vão entre os paralelepípedos, com interesse arqueológico e acreditando que o mundo era um lugar assim, por onde a gente podia correr, gritar e cavucar sem maiores problemas.&lt;br /&gt;Quando cheguei à adolescência, contudo, a violência -- ou o medo da violência, que não deixa de ser, também, uma violência – já havia transformado a rua em mera passagem entre um lugar e outro. Adolesci em casas, escolas, shoppings, restaurantes, cinemas e outras instituições intra-muros, num pedaço da cidade que raramente excedia os limites da Zona Oeste. De modo que, aos 30 anos, vergonhosamente, não conhecia o Parque da Luz.&lt;br /&gt;No portão, uma senhora vendia maçãs do amor, ao lado de dois repentistas cantando uma embolada. Um boliviano de calça camuflada, chapéu de cowboy e barrigão para fora da camisa passou por nós fumando um charuto e cantando um rap em castelhano. Lá dentro, crianças brincavam no tanque de areia e corriam entre enormes esculturas de metal. A dois metros do tanquinho, senhoras de programa exibiam um despudor cheio de pudores – um discreto exagero no batom e nos decotes insinuava que não estavam ali a passeio.&lt;br /&gt;Tímidos, garotos e garotas exalando hormônios e desodorante faziam o footing na alameda central, como antigamente, com uma ingenuidade que combinava com o chafariz e os bancos de madeira, mas não com a cidade em torno das grades de ferro. Por toda parte, imigrantes falavam castelhano e pensei que já era hora de parar de comemorar a chegada dos japoneses e começar a entender a entrada dos bolivianos.&lt;br /&gt;Tiramos dinheiro do outro lado do parque e refizemos o mesmo caminho, reparando nas esculturas, nos chapéus de cowboy, nos decotes e sotaques tão distintos que, reunidos pela curadoria do acaso, faziam daquele quadrilátero verde uma província cosmopolita, avesso de São Paulo e, ao mesmo tempo, a sua cara. Pagamos o museu com uma nota de cinqüenta. Uma pena que o moço tivesse troco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-5821067833441822208?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/5821067833441822208/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=5821067833441822208&amp;isPopup=true' title='23 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5821067833441822208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5821067833441822208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/09/central-park.html' title='CENTRAL PARK'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-6935978736606401111</id><published>2008-08-12T08:14:00.000-07:00</published><updated>2008-08-12T08:15:19.856-07:00</updated><title type='text'>DOGMA NA BRASA</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(publicado no Guia do Estado)&lt;/span&gt;                                &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu vi o sujeito pegar a picanha crua e fatia-la, invocando “a escola argentina”, apertei o braço da Julia e disse, baixinho: “vamos embora”. Segundo os mandamentos sagrados do churrasco, que recebi de meu pai, meu pai recebeu do pai dele e o pai dele do pai do pai dele, a integridade da picanha era um dogma e, como todo dogma, absoluto e inviolável.&lt;br /&gt;         Erram os que crêem que, se Deus está morto, tudo é permitido. Muito pelo contrário. Num mundo dessacralizado, a gente tem que se agarrar ao nosso quinhãozinho de absoluto. Eu acreditava na ortodoxia do churrasco: picanha você grelha inteira, longe da brasa, só com sal grosso --  “sal moura é coisa de bárbaros”,  também dizia papai, “quem faz isso deve pedir perdão, em público, ou ser banido da cidade”.&lt;br /&gt;Eram esses e mais dois ou três preceitos simples que, se não garantiriam nossa entrada no céu, ao menos aplacavam um pouco a angústia de nos sabermos finitos e confusos, num universo gigante e que se expande, a despeito de nossos medos, sonhos ou opiniões sobre a taxa de juros do COPOM.&lt;br /&gt;Viver é impreciso, pensava eu, mas grelhar, felizmente, era preciso -- até aquele churrasco. Pois quando o sujeito serviu os bifes de picanha, meu mundo ruiu. Estavam melhores do que a peça inteira, que minha família vinha assando, desde a aurora dos tempos.&lt;br /&gt;Foi um momento de crise, confesso, mas não perdi a cabeça. Talvez nós estivéssemos errados, pensei, com uma humildade que me encheu de orgulho. Talvez o Deus deles fosse mais poderoso que o nosso. Respirei fundo, comi mais um pedaço e fui conversar com o churrasqueiro. Saí de lá com o rabo entre as pernas, a barriga cheia e o livro “Churrasco Patagônico” embaixo do braço.&lt;br /&gt;Por alguns dias estudei o compêndio, com a volúpia de quem folheia uma obra subversiva. Refleti bastante. Ponderei. Tive sonhos intranqüilos e suores noturnos, mas ao fim da leitura, tive de dar o braço a torcer: os argentinos estavam certos.&lt;br /&gt;Ainda não tive coragem de informar meu pai, mas no próximo fim de semana fatiarei uma picanha. Os bifes, grossos, colocados bem perto da brasa, só serão salgados depois de “selados” dos dois lados. Se o céu não cair sobre minha cabeça, nem chover fogo e enxofre, talvez eu corte o cabelo moicano, entre num curso de rumba ou comece a praticar alpinismo. Afinal, se o churrasco não é mais sagrado, tudo é permitido. (Só o salmoura, pelo amor de Deus, é que não).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-6935978736606401111?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/6935978736606401111/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=6935978736606401111&amp;isPopup=true' title='32 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/6935978736606401111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/6935978736606401111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/08/dogma-na-brasa.html' title='DOGMA NA BRASA'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-2134730878720260391</id><published>2008-08-02T18:26:00.000-07:00</published><updated>2008-08-02T18:27:42.669-07:00</updated><title type='text'>Varol Bermelho</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Publicado na Vogue Homem)&lt;/span&gt;          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do bafômetro I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está em vigor, desde o dia 20 de junho, a nova lei 11.705, que pune com cadeia quem for pego dirigindo com mais de 6 dg/L de álcool no sangue.&lt;br /&gt; “Você pode ser preso por ter comido um bombom de licor!”. Eis o que bradam, pelas bombonieres do Brasil, os indignados chocólatras. Eles, minha gente, que ajudaram a fazer de nosso país, como você bem sabe, a “a pátria da trufa com Frangélico”.&lt;br /&gt; “Vai em cana por bochechar com Listerine!”. É o que gritam os neocons da higiene bucal, provavelmente receosos de que a lei vá disseminar em nossa terra, já tão cheia de mazelas, as pragas do tártaro e da placa bacteriana.&lt;br /&gt;Estou realmente admirado que a minha turma do bar esteja se unindo em torno de duas causas tão nobres: bombons e cáries. Claro. Afinal, exigir o direito de dirigir bêbado ninguém tem coragem. Ou tem?&lt;br /&gt;Do bafômetro II&lt;br /&gt;“Um chopinho! Uma tacinha!”, sussurram os mais ousados, olhando para os lados, conferindo se não estão mesmo sendo ouvidos. Tá certo, eu também acho que uma taça de vinho e um chope poderiam ser liberados. Se fizerem abaixo assinado para mudarem a lei, me mandem por e-mail, eu assino – como, aliás, tenho assinado todos os que me mandam contra o desmatamento da Amazônia, a guerra do Iraque, o relatório de Kyoto, os ursos chineses que são amarrados nas jaulas e cuja bílis é cruelmente extraída para fazer já não me lembro mais o que.&lt;br /&gt;A que quantidade de álcool permitida, no entanto é um detalhe ínfimo, diante da boa notícia de que, finalmente, beber e dirigir vai se tornar um crime de verdade e que milhares de vidas serão poupadas. (Milhares, aqui, não é força de expressão. São mais de trinta mil mortos por ano, no trânsito. Boa parte dos acidentes, causados por motoristas bêbados).&lt;br /&gt;Acho estranho tanto fervor na defesa de um chopinho e uma tacinha. E na vidinha, não vai nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da jaca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de mais nada, preciso dizer: não comemoro a cruzada puritana que assola o globo. A tentativa de impor ao corpo os valores de eficiência e produtividade – as barrigas de tanquinho ISO 12000 expostas como propagandas de nosso superávit muscular e superegóico; o troféu pela dominação de nossas panças e nossos instintos.&lt;br /&gt;Todo poder ao telecoteco, ao ziriguidum, à picanha, ao vinho, à cerveja e ao doce de leite argentino. Viva Dionísio, Zé Celso, o Saci Pererê e essa coisa toda. (Se não fosse o álcool, aliás, acho que seria virgem até hoje – no meio da adolescência, só um psicopata pode ter a frieza de ficar pelado, na frente de uma garota, em pleno domínio de suas faculdades mentais). Mas, como dizia Confúcio, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa: assim como quem vier explicar a origem da tabela de logarítimos no meio de um bloco de carnaval deve ser mandado para a Sibéria, não dá pra conduzir uma máquina de uma tonelada a cinqüenta quilômetros por hora, depois de beber.&lt;br /&gt;Porém, ah, porém...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do bafômetro III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta-feira, agora, um cara me dizia, furibundo, já no quarto uísque com red bull:&lt;br /&gt;-- E se eu quiser tomar um chope saindo do trabalho? Vou preso!&lt;br /&gt;-- E desde quando você toma um chope? Você enche a lata!&lt;br /&gt;-- Eu sei, mas suponhamos que eu queira, é um absurdo não poder!&lt;br /&gt;Eu, que já estava na terceira long-neck (and rising...), enchi o peito de virtude e passei um sabão no sujeito. Disse que era egoísta da parte dele. Que se a suposta ruína do happy hour viesse a salvar cinco mil vidas, que fosse, já estava valendo.&lt;br /&gt;Fiquei até arrepiado com minhas próprias palavras. Depois, peguei o carro e fui-me embora para casa. Veja bem: eu, quando como bombom recheado, bochecho com Listerine ou bebo cerveja, dirijo com muito cuidado. Como todo o Brasileiro, aliás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do bafômetro IV ou: da lei (I)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, brasileiros, temos um individualismo natural. Não aquela papagaiada dos americanos, que enchem a boca para citar a primeira emenda e o direito do Ser Humano viver como quer e longe dos tentáculos do Estado. Nosso individualismo é menos triunfal, mais íntimo. Entendemos que a lei exista, afinal, o ser humano faz um monte de besteiras por aí. O ser humano precisa de leis. O ser humano é um vacilão. Mas eu? Veja bem: eu tenho “as manha”.&lt;br /&gt;No sábado, enquanto bebíamos vinho, num jantar, um cara argumentava que a lei era “muito autoritária. Uma coisa de cima pra baixo, muito radical”. Aí me lembrei de uma mulher que, na época da campanha pelo desarmamento, disse-me que votaria contra a proibição das armas porque, desde os anos 70, seguia um princípio: “é proibido proibir”. Não era uma velha hiponga, mas alta executiva (CEO, como dizem agora) de uma Multinacional (corporação?). Síntese curiosa entre libertários e liberais. Alguma coisa entre Caetano Veloso e Thomas Friedman.&lt;br /&gt;No Brasil, toda vez que se discute uma nova lei, não é somente o conteúdo da mesma que está em pauta, mas o próprio conceito de lei, Estado, contrato social. “Como assim?!”, dizemos. “Alguém quer me proibir de fazer uma coisa?!”. Mais ainda: “vale para mim e todo mundo?! Estão me igualando à patuléia?! Nananina! Qual é mesmo a emenda lá que os caras sempre citam no final do filme, amor?! Aquela lá que eles falam na hora do tribunal, antes de beijar a loira?! É isso aí! Isso aí que eu acho dessa lei nova!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tolerância zero&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Na minha primeira aula da disciplina Ética I, na faculdade de filosofia, o professor Renato Janine Ribeiro informou que seríamos avaliados por um trabalho, cujo limite eram 4 mil caracteres. Levantei a mão e perguntei, já quase afirmando: “mas se passar um pouco de 4 mil não tem problema, né?”. Janine começou a rir. Limite é aquilo que não se pode transpor. É o fim da linha, certo?Não no Brasil! No Brasil tudo tem um chorinho. A dose não é a dose, nem no copo, nem no tempo, nem na lei.&lt;br /&gt;A lei anterior, que permitia uma taça de vinho ou dois chopes, não era um retumbante NÃO ao álcool. Ela permitia um pouquinho. Então preferíamos, em vez de nos apegarmos ao texto da lei, nos focar em seu princípio – não sei se por nossa grande capacidade de abstração ou se simplesmente por preguiça –: “pode beber, mas não muito”. Ou seja, pegávamos o limite de dois chopes ou uma taça, adicionávamos o chorinho que acreditávamos caber a cada um de nós e lá se iam 30 mil vidas, a cada ano.&lt;br /&gt;Agora, não tem mais chorinho nem vela. Bebeu um chope, adeus carro. Que país é esse, minha gente?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do bafômetro V ou: da lei (II)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que eu me entendo por gente, a 11.507 é primeira lei que surge ameaçando levar todo mundo pra cadeia. Rico, pobre, peão, deputado, acrobata amador ou poeta neo-concretista: dirigiu e bebeu, o pau comeu. Claro, todas as outras leis também deveriam ser para todos. Mas não são. A 11.507, a julgar pelas fotos dos motoristas assoprando o bafômetro, é ampla, geral e irrestrita.&lt;br /&gt;Uma associação de bares e restaurantes está ameaçando entrar com ação na justiça, para garantir o direito inalienável de seus clientes atropelarem pedestres e chocarem-se contra Kombis escolares na contra-mão. Maravilha. A Kopenhagen e a Johsons, quem sabe, também vão fazer a mesma coisa.&lt;br /&gt;Enquanto isso não acontece, no entanto, sugiro outra alteração na 11.705, para que ela não seja assim tão contrária à nossa natureza, à nossa cultura: cadeia diferenciada, dependendo da bebida que tiver sido ingerida pelo motorista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da penalidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uísque doze anos - O doutor vai para aquela casona bonita da Polícia Federal, no bairro paulistano de Higienópolis, que já hospedou Lalau e Rocha Matos. (Vão precisar comprar mais algumas mansões decadentes se a coisa começar a ficar preta pra turma do Black Label, mas tudo bem, para essas coisas nunca falta $$$).&lt;br /&gt;Chope em bar carioca - A galera vai para celas especiais nas delegacias comuns. (Vão precisar fazer mais celas especiais pra acomodar todo o pessoal de óculos com armação de acrílico preto, mas tudo bem, algumas ONGs vão pressionar, a imprensa apoiará e o governo vai acabar cedendo).&lt;br /&gt;Serra Malte, Original e Boêmia de garrafa – Os amantes da tradição são mandados para Ilha Grande, a masmorra mais cool de nossa história, que abrigou até Graciliano Ramos. (O presídio precisa de uma reforma, mas o pessoal da cerveja de garrafa pode trabalhar nisso, com materiais recicláveis e energia solar).&lt;br /&gt;Schincariol de garrafa ou pinga 51 -- Mete o vagabundo no xilindró e acabou. (Vão precisar fazer mais xilindrós, porque os que existem hoje já estão superlotados, mas isso pode esperar, como sempre, porque ninguém que a gente conhece vai pra lá, mesmo).&lt;br /&gt;Campari, Sangue de Boi e Smirnoff Ice, campo de concentração no Acre, pra aprender a beber direito. Não tem conversa. (Nem piadinha entre parênteses).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-2134730878720260391?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/2134730878720260391/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=2134730878720260391&amp;isPopup=true' title='28 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/2134730878720260391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/2134730878720260391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/08/varol-bermelho.html' title='Varol Bermelho'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-718925685419523097</id><published>2008-07-18T11:15:00.001-07:00</published><updated>2008-07-18T11:15:59.958-07:00</updated><title type='text'>UM INSTANTE, SR.</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(publicada no Guia do Estado)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;                &lt;br /&gt;É mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha e um rico entrar no reino dos céus do que cancelar a TV à cabo.  Sei o que digo: perdi uma tarde no telefone até a atendente Carla aceitar o fim de nossa relação – não sem antes levar-me à beira da loucura com as infinitas artimanhas que deve ter aprendido em gincanas Tropa de Elite de Vendas e outras aberrações oriundas do fascinante mundo do RH.&lt;br /&gt;“Não, Carla! Não quero outro pacote! Quero cancelar a assinatura! Escuta: se você me oferecer mais uma promoção eu vou ligar pro PROCON, vou escrever carta pro jornal, vou mandar um gato bomba aí pra central, tá entendendo?!”.&lt;br /&gt;A guerrilheira Carla nem perdia o rebolado. Pedia um instantinho, me deixava ouvindo aquela música new age de videogame e, cinco minutos depois, com se nada tivesse acontecido, oferecia-me o “Combo Deluxe” pelo preço do “Combo Master”, o “Combo Master” pelo preço do “Combo Confort -- mais a família Cineblix!, senhor Antonio, é um excelente negócio!”.&lt;br /&gt;“Que raio de língua é essa? Família Cineblix? Combo?! Comboio! Kombi! Colombo! Camboja! Cumbuca! Eu já disse, senhora Carla, só quero que desliguem essa joça!!!”.&lt;br /&gt;“Vamos fazer assim: o senhor suspende a assinatura temporariamente.” Sei. Jogo essa meia hora no lixo e marcamos, para 2013, uma nova DR corporativa? Serei incapaz de dormir sabendo o que me espera no futuro. “Cancela!”.&lt;br /&gt; “Vamos fazer assim: o senhor passa a assinatura para algum conhecido: um parente, amigo?”. Que tipo de pessoa você imagina que eu sou, jihadista Carla? Não desejo essa Via Crucis ao meu pior inimigo. “Cancela!”.&lt;br /&gt;Uma hora depois, desidratado e rouco, atirei-me no sofá, mas nem pude comemorar o cancelamento, pois da bonança veio a tormenta: o que acontecerá com a atendente Carla? E se, ao ouvirem nossa conversa -- que foi gravada para minha “maior segurança” -- os demiurgos do RH decidirem que ela não presta pra coisa? E se ela estiver pra casar? Ou grávida? Noiva, grávida, abandonada pelo futuro marido, aí vem o senhor Antonio e, só porque fechou com o concorrente pela metade do preço, a joga na rua.&lt;br /&gt;Pude ver a parturiente Carla voltando de ônibus para casa, chorando. Pior: vislumbrei a reunião dos gerentes de marketing, analisando a nossa conversa e chegando à conclusão inexorável: “precisamos ser mais agressivos!”. Descancela, atendente Carla! Descancela!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-718925685419523097?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/718925685419523097/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=718925685419523097&amp;isPopup=true' title='30 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/718925685419523097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/718925685419523097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/07/um-instante-sr.html' title='UM INSTANTE, SR.'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-2032054069153160486</id><published>2008-06-27T08:15:00.001-07:00</published><updated>2008-06-27T08:15:42.626-07:00</updated><title type='text'>Pensamento Único</title><content type='html'>A calabresa está com os dias contados. É a próxima vítima na cruzada puritana que assola o Globo. Quando a última bituca for apagada no fundo do derradeiro copo de chope, pode anotar: eles virão atrás da lingüiça.&lt;br /&gt;A caçada, na verdade, já começou. Ontem à noite, num bar, uma garota em minha mesa resolveu desafiar o espírito do tempo e pedir ao garçom, sob olhares atônitos dos outros comensais, um sanduíche de calabresa. O resto da turma a olhou, incrédulo. Diante de suflês de abobrinha, saladas verdes e outros corolários anódinos do auto-controle, pareciam dizer, cheios de orgulho e inveja: você não sabe que não se pede mais esse tipo de coisa?!&lt;br /&gt;Por enquanto, a repressão é apenas cultural,  mas é assim que começa. Em breve os carnívoros começarão a ser hostilizados em restaurantes. Depois, quem sabe, serão obrigados a usar estrelas vermelhas costuradas à roupa. Daí para os cercarem em guetos e você-sabe-bem-como-essa-história-termina é apenas um passo.&lt;br /&gt;A moda agora é das comidas funcionais. Suco de berinjela, salada de alfafa, meia uva com três grãos de gergelim... Tudo pelo bom funcionamento do sistema digestivo, como se fôssemos meras máquinas a serem reguladas. Daqui a pouco o garçom vai perguntar, enquanto toma nosso pedido: “quer que dê uma olhada no óleo e na água?”.&lt;br /&gt;Podem dizer que é para o nosso próprio bem. Que a gordura mata e o agrião salva. Amém. Acredito, no entanto, que a opção preferencial pelas fibras nada tem a ver com a saúde do corpo mas, sim, com uma doença da alma: o sabor está ficando démodé. Há uma espécie de ascetismo religioso nessa austeridade dietética. Um júbilo penitente pelo auto-controle. Segundo o novo moralismo alimentar, os gordos são preguiçosos, os carnívoros são lascivos e quem pede uma calabresa, de noite, na frente dos outros, só pode estar completamente fora de sintonia com a própria época.&lt;br /&gt;A questão é séria e requer uma atitude. Glutões de todo o mundo, discípulos de Baco, cultores do bom, do belo e do supérfluo, uni-vos: o prazer subiu no telhado. Ponham as carnes na grelha, aumentem o som, abram um vinho, reajam! Antes que seja tarde e o mundo se transforme numa barra de cereal. Light.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-2032054069153160486?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/2032054069153160486/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=2032054069153160486&amp;isPopup=true' title='52 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/2032054069153160486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/2032054069153160486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/06/pensamento-nico.html' title='Pensamento Único'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>52</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-7463480251579568424</id><published>2008-06-05T23:04:00.001-07:00</published><updated>2008-06-05T23:04:49.211-07:00</updated><title type='text'>FIAT LUX</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Guia do Estado)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;Houve uma época em que a noite era dos gatos e dos gatunos. 24 H eram três caracteres lidos apenas em luminosos de hospitais, clínicas dentárias em sobrelojas e uma ou outra borracharia – geralmente, bem distante de nosso pneu furado.&lt;br /&gt;Não sei bem porquê, mas não passava pela cabeça de ninguém, até o final da década de oitenta, vender máquinas de lavar, vatapá ou livros de administração muito depois do horário comercial.&lt;br /&gt;Tudo mudou na noite em que o Rodolfo, um amigo do meu pai, chegou tarde à nossa casa, cheio de sacolas. Entusiasmado, nos explicou de onde vinha: “chama loja de conveniência! Vende tudo, a qualquer hora! Se você tá voltando de uma festa, por exemplo, três da manhã, e lembra que tem que comprar sabão em pó...”. “E quem vai querer comprar sabão em pó às três da manhã, Rodolfo?!”, cortou meu pai, mostrando muita sensatez e nenhum tino comercial.&lt;br /&gt;Foi mais ou menos nessa época que começaram a vender produtos pela TV, de madrugada. Didi Seven, um alvejante capaz de transformar carvão em marfim; Facas Guinsu, a melhor maneira de serrar pregos e sapatos; meias-calça Vivarina -- se um maníaco te atacasse com um garfo, as meias ficariam intactas. Os anúncios passavam entre pornochanchadas e programas evangélicos, sugerindo que Deus, sexo e bugigangas estavam competindo pelo monopólio de nosso tédio, nossa solidão.&lt;br /&gt;Dali para a frente, tudo mudou. Fogão, rabada, samambaias, golden retrievers, Proust completo: não há quase nada que se compre ao meio dia que não possa ser encontrado a meia-noite. Acho ótimo. Vira e mexe, faço compras lá pelas duas da manhã. A salsinha costuma estar meio murcha, é verdade, mas só de você poder escolher os tomates sem ter que ficar encolhendo a bunda para os outros carrinhos passarem, já vale a pena.&lt;br /&gt;Não consigo, contudo, deixar de sentir um incômodo ao carregar produtos de limpeza pela madrugada, como se fizesse alguma coisa profana, imoral. (Mais ou menos como beber pela manhã, ou ir a um casamento de chinelos). Nada que não desapareça, é verdade, assim que me lembro que, se o pneu furar, posso achar um borracheiro aberto em qualquer canto da cidade. Poderia, ainda, encomendar Facas Guinsu, um terço bizantino ou um vatapá pernambucano, pelo celular, sem nem sair do meu carro. Mas é claro, quem é que iria fazer uma coisa dessas, não é mesmo, Rodolfo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-7463480251579568424?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/7463480251579568424/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=7463480251579568424&amp;isPopup=true' title='18 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7463480251579568424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7463480251579568424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/06/fiat-lux.html' title='FIAT LUX'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-5343560230488927425</id><published>2008-05-17T17:56:00.000-07:00</published><updated>2008-05-17T17:57:22.024-07:00</updated><title type='text'>TUBO DE VENTILAÇÃO</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Guia do Estado)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num mundo ideal, as janelas dariam sempre para árvores frondosas, crepúsculos de calendário ou vizinhas distraídas. Aqui neste vale de lágrimas, no entanto, tenho que aceitar como vista do meu banheiro um vão de concreto onde a luz do sol jamais penetrou. Segundo o Jurandir, zelador zeloso e profundo conhecedor das questões condominiais, o nome técnico da anti-paisagem é “tubo de ventilação”.&lt;br /&gt;Se a tal garganta que perpassa treze andares não brinda os moradores do Edifício Maria Eulália com visões do paraíso, ao menos distribui, para deleite do cronista, a trilha sonora de algumas vidas empilhadas acima e abaixo do meu banheiro.&lt;br /&gt;Tem o garoto que ouve música sertaneja e canta junto. Tem a moça que passa a vida ao telefone, repetindo sempre a mesma conversa: “E ele? Não! E você? Sei. E ele? Não! E você? Sei.” Tem um senhor que tosse toda manhã, com uma força capaz de enviar seus perdigotos à Dinamarca, caso para lá sua janela estivesse virada -- e não, como já foi dito, para o “tubo de ventilação”. Tem os namorados adolescentes que tomam banho juntos, descobrindo as artimanhas e agruras do asseio a dois: “deixa eu, tá frio!”. “Calma, tem xampu no meu olho!”. “Lindoco, posso lavar?!”. “O que?”. “Ele...”. “Ele não, Gatucha! Tenho vergonha...”. “Ah, deixa, vai?!”.  Tem alguém que passa as madrugadas no messenger. Triste... A noite toda aquele brrrrlump, brrrrlump -- um sapo eletrônico, a coaxar pelo prédio nossas solidões compartilhadas.&lt;br /&gt;Semana passada, chegou pelo tubo uma coisa diferente. Não era som, era um cheiro. Cheiro de.... De que, meu deus?! Senti meu cérebro formigando, como se as memórias lá do fundo borbulhassem, confusas, querendo saber qual deveria emergir. Seria o desodorante da enfermeira que primeiro me pegou no colo? O xampu da minha mãe, na infância? O perfume de uma namoradinha da quinta série, que estava submerso há anos em algum rincão, ao lado do gosto do Halls de cereja e da música tema de Top Gun?&lt;br /&gt;Fiquei ali parado, no box do chuveiro, de olhos fechados, com a sensação de estar muito próximo de uma coisa enorme e íntima, mas que ia se esvaindo, enquanto o cheiro sumia e se acalmava o alvoroço nas galés da memória. Então alguém deu a descarga, outro ligou o rádio e fui pegar uma coca na cozinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-5343560230488927425?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/5343560230488927425/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=5343560230488927425&amp;isPopup=true' title='37 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5343560230488927425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5343560230488927425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/05/tubo-de-ventilao.html' title='TUBO DE VENTILAÇÃO'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>37</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-8908323596552461854</id><published>2008-04-28T15:07:00.000-07:00</published><updated>2008-04-28T15:11:19.220-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Minha amiga Vera Magalhães, jornalista, trinta e poucos, me mandou o e-mail abaixo, sobre o artigo "Marry Him". Ela tem toda razão. Abaixo Lori! Abaixo, Vera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quem é a bruxa detestável que escreveu esse artigo sobre como as mulheres devem se agarrar ao primeiro tronco de árvore que passar e se casar? Credo!! Eu, como representante das mulheres casadas, nunca li algo tão detestável.&lt;br /&gt;Deve ser uma nega muito infeliz, mesmo, porque não é possível achar que qualquer arranjo que vc conseguir quando estiver no limiar dos 40 é melhor que ficar solteira.&lt;br /&gt;Conseguiu irritar não só as solteiras como alguém que se casou aos 22, é super feliz mas não acha de jeito nenhum que possa haver uma regra geral sobre o assunto".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-8908323596552461854?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/8908323596552461854/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=8908323596552461854&amp;isPopup=true' title='39 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/8908323596552461854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/8908323596552461854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/04/minha-amiga-vera-magalhes-jornalista.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>39</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-8144032551344322422</id><published>2008-04-24T12:20:00.000-07:00</published><updated>2008-04-24T12:21:02.501-07:00</updated><title type='text'>Terremoto</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Guia do Estado)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que eu não soubesse que de 2008 a gente não passava, mas esperava a hecatombe só lá para julho, quando uns cientistas colidirão mini-partículas num bambolê de 27 km, enterrado entre a França e a Suíça, criando um buraco negro que reduzirá a mim, a você, ao Kilimanjaro e a tudo o que existe no planeta a uma bolota do tamanho de uma azeitona. Contava com os meses restantes para ler Proust, conhecer as cataratas do Iguaçu e fazer um curso rápido de danças de salão – um antigo desejo de minha senhora. Então a tela do computador tremeu, o quadro atrás da tela também, minha bunda chacoalhou sobre a poltrona, a poltrona deslizou uns dois centímetros sobre a crosta terrester, a crosta sambou sobre a enorme camada de gelatina, também conhecida como magma, com a qual Deus imprudentemente recheou a Terra e pensei: danou-se. Enquanto corria para baixo do batente da porta -- precaução aprendida num desses documentários da TV e que jamais achei que me fosse ser útil, pelo menos não aqui nas Perdizes – pensei nas duas hipóteses mais prováveis: terremoto ou loucura. Contemplando o lustre a tremelicar no teto, torci egoisticamente pela primeira opção. Afinal, se o céu finalmente caísse sobre nossas cabeças, como temia Obelix, eu não estaria só em meu sofrimento. (Desculpem, camaradas, mas foi assim mesmo). A idéia de um terremoto no Brasil é tão absurda que logo abriu uma fenda no centro de meu bom senso, fazendo-me considerar outras possibilidades não menos estranhas. Geroge Bush apertou o botão vermelho, sem querer, iniciando a guerra atômica? Os marcianos estão atacando? (O tremor seria, provavelmente, causado pelo pouso da nave mãe no Memorial da América Latina). Deus, conforme prometido, havia iniciado o juízo final? Depois de mais ou menos cinco segundos, quando eu já havia me conformado com o fim do mundo e até encontrado algum consolo ao perceber que, se tudo acabasse, ao menos estaria livre de fazer o imposto de renda, o chão voltou a se comportar como antes. Peguei uma coca-zero, sentei-me novamente sobre a poltrona e o terremoto apareceu na internet, embaixo da manchete sobre as noventa e duas mortes causadas por dengue no Rio de Janeiro e acima do padre que saiu voando, agarrado a umas bexigas, na costa de Santa Catarina. A vida seguia seu rumo, como sempre, na mais perfeita normalidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-8144032551344322422?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/8144032551344322422/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=8144032551344322422&amp;isPopup=true' title='18 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/8144032551344322422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/8144032551344322422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/04/terremoto.html' title='Terremoto'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-3650880930704903661</id><published>2008-04-24T12:14:00.000-07:00</published><updated>2008-04-24T12:16:24.237-07:00</updated><title type='text'>Contraponto ao Bazar</title><content type='html'>O jornalista Gustavo Chacra me mandou o texto abaixo. Foi publicado na revista Atlantic e é o exato antípoda do meu Bazar &amp;amp; Casar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia da mulher é mais ou menos a seguinte: eu adoraria encontrar um grande amor, com quem me desse bem na cama, na mesa e no banho, casasse e fosse feliz para sempre. Acontece que a chance de isso acontecer é muito pequena e, se você ficar muito crica na escolha, vai acabar sozinha. Portanto, minha amiga, se aparecer um cara jeitoso e agradável, agarra firme, mesmo que o chão não trema, casai e multiplicai-vos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de lê-lo, fiquei me achando meio ingênuo. É muito fácil cagar regra sobre o que as mulheres devem fazer quando se é homem e acabou de entrar nos 30 anos...&lt;br /&gt;Vale a pena ler.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-3650880930704903661?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/3650880930704903661/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=3650880930704903661&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3650880930704903661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3650880930704903661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/04/contraponto-ao-bazar.html' title='Contraponto ao Bazar'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-1287689347625203257</id><published>2008-04-24T12:08:00.001-07:00</published><updated>2008-04-24T12:08:54.497-07:00</updated><title type='text'>Marry Him!</title><content type='html'>BY LORI GOTTLIEB&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;About six months after my son was born, he and I were sitting on a blanket at the park with a close friend and her daughter. It was a sunny summer weekend, and other parents and their kids picnicked nearby—mothers munching berries and lounging on the grass, fathers tossing balls with their giddy toddlers. My friend and I, who, in fits of self-empowerment, had conceived our babies with donor sperm because we hadn't met Mr. Right yet, surveyed the idyllic scene.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah, this is the dream," I said, and we nodded in silence for a minute, then burst out laughing. In some ways, I meant it: we'd both dreamed of motherhood, and here we were, picnicking in the park with our children. But it was also decidedly notthe dream. The dream, like that of our mothers and their mothers from time immemorial, was to fall in love, get married, and live happily ever after. Of course, we'd be loath to admit it in this day and age, but ask any soul-baring 40-year-old single heterosexual woman what she most longs for in life, and she probably won't tell you it's a better career or a smaller waistline or a bigger apartment. Most likely, she'll say that what she really wants is a husband (and, by extension, a child).&lt;br /&gt;To the outside world, of course, we still call ourselves feminists and insist—vehemently, even—that we're independent and self-sufficient and don't believe in any of that damsel-in-distress stuff, but in reality, we aren't fish who can do without a bicycle, we're women who want a traditional family. And despite growing up in an era when the centuries-old mantra to get married young was finally (and, it seemed, refreshingly) replaced by encouragement to postpone that milestone in pursuit of high ideals (education! career! but also true love!), every woman I know—no matter how successful and ambitious, how financially and emotionally secure—feels panic, occasionally coupled with desperation, if she hits 30 and finds herself unmarried.&lt;br /&gt;Oh, I know—I'm guessing there are single 30-year-old women reading this right now who will be writing letters to the editor to say that the women I know aren't widely representative, that I've been co-opted by the cult of the feminist backlash, and basically, that I have no idea what I'm talking about. And all I can say is, if you say you're not worried, either you're in denial or you're lying. In fact, take a good look in the mirror and try to convince yourself that you're not worried, because you'll see how silly your face looks when you're being disingenuous.&lt;br /&gt;Whether you acknowledge it or not, there's good reason to worry. By the time 35th-birthday-brunch celebrations roll around for still-single women, serious, irreversible life issues masquerading as "jokes" creep into public conversation: Well, I don't feel old, but my eggs sure do! or Maybe this year I'll marry Todd. I'm not getting any younger! The birthday girl smiles a bit too widely as she delivers these lines, and everyone laughs a little too hard for a little too long, not because we find these sentiments funny, but because we're awkwardly acknowledging how unfunny they are. At their core, they pose one of the most complicated, painful, and pervasive dilemmas many single women are forced to grapple with nowadays: Is it better to be alone, or to settle?&lt;br /&gt;My advice is this: Settle! That's right. Don't worry about passion or intense connection. Don't nix a guy based on his annoying habit of yelling "Bravo!" in movie theaters. Overlook his halitosis or abysmal sense of aesthetics. Because if you want to have the infrastructure in place to have a family, settling is the way to go. Based on my observations, in fact, settling will probably make you happier in the long run, since many of those who marry with great expectations become more disillusioned with each passing year. (It's hard to maintain that level of zing when the conversation morphs into discussions about who's changing the diapers or balancing the checkbook.)&lt;br /&gt;Obviously, I wasn't always an advocate of settling. In fact, it took not settling to make me realize that settling is the better option, and even though settling is a rampant phenomenon, talking about it in a positive light makes people profoundly uncomfortable. Whenever I make the case for settling, people look at me with creased brows of disapproval or frowns of disappointment, the way a child might look at an older sibling who just informed her that Jerry's Kids aren't going to walk, even if you send them money. It's not only politically incorrect to get behind settling, it's downright un-American. Our culture tells us to keep our eyes on the prize (while our mothers, who know better, tell us not to be so picky), and the theme of holding out for true love (whatever that is—look at the divorce rate) permeates our collective mentality.&lt;br /&gt;Even situation comedies, starting in the 1970s with The Mary Tyler Moore Show and going all the way to Friends, feature endearing single women in the dating trenches, and there's supposed to be something romantic and even heroic about their search for true love. Of course, the crucial difference is that, whereas the earlier series begins after Mary has been jilted by her fiancé, the more modern-day Friends opens as Rachel Green leaves her nice-guy orthodontist fiancé at the altar simply because she isn't feeling it. But either way, in episode after episode, as both women continue to be unlucky in love, settling starts to look pretty darn appealing. Mary is supposed to be contentedly independent and fulfilled by her newsroom family, but in fact her life seems lonely. Are we to assume that at the end of the series, Mary, by then in her late 30s, found her soul mate after the lights in the newsroom went out and her work family was disbanded? If her experience was anything like mine or that of my single friends, it's unlikely.&lt;br /&gt;And while Rachel and her supposed soul mate, Ross, finally get together (for the umpteenth time) in the finale of Friends, do we feel confident that she'll be happier with Ross than she would have been had she settled down with Barry, the orthodontist, 10 years earlier? She and Ross have passion but have never had long-term stability, and the fireworks she experiences with him but not with Barry might actually turn out to be a liability, given how many times their relationship has already gone up in flames. It's equally questionable whether Sex and the City's Carrie Bradshaw, who cheated on her kindhearted and generous boyfriend, Aidan, only to end up with the more exciting but self-absorbed Mr. Big, will be better off in the framework of marriage and family. (Some time after the breakup, when Carrie ran into Aidan on the street, he was carrying his infant in a Baby Björn. Can anyone imagine Mr. Big walking around with a Björn?)&lt;br /&gt;When we're holding out for deep romantic love, we have the fantasy that this level of passionate intensity will make us happier. But marrying Mr. Good Enough might be an equally viable option, especially if you're looking for a stable, reliable life companion. Madame Bovary might not see it that way, but if she'd remained single, I'll bet she would have been even more depressed than she was while living with her tedious but caring husband.&lt;br /&gt;What I didn't realize when I decided, in my 30s, to break up with boyfriends I might otherwise have ended up marrying, is that while settling seems like an enormous act of resignation when you're looking at it from the vantage point of a single person, once you take the plunge and do it, you'll probably be relatively content. It sounds obvious now, but I didn't fully appreciate back then that what makes for a good marriage isn't necessarily what makes for a good romantic relationship. Once you're married, it's not about whom you want to go on vacation with; it's about whom you want to run a household with. Marriage isn't a passion-fest; it's more like a partnership formed to run a very small, mundane, and often boring nonprofit business. And I mean this in a good way.&lt;br /&gt;I don't mean to say that settling is ideal. I'm simply saying that it might have gotten an undeservedly bad rap. As the only single woman in my son's mommy-and-me group, I used to listen each week to a litany of unrelenting complaints about people's husbands and feel pretty good about my decision to hold out for the right guy, only to realize that these women wouldn't trade places with me for a second, no matter how dull their marriages might be or how desperately they might long for a different husband. They, like me, would rather feel alone in a marriage than actually be alone, because they, like me, realize that marriage ultimately isn't about cosmic connection—it's about how having a teammate, even if he's not the love of your life, is better than not having one at all.&lt;br /&gt;The couples my friend and I saw at the park that summer were enviable but not because they seemed so in love—they were enviable because the husbands played with the kids for 20 minutes so their wives could eat lunch. In practice, my married friends with kids don't spend that much time with their husbands anyway (between work and child care), and in many cases, their biggest complaint seems to be that they never see each other. So if you rarely see your husband—but he's a decent guy who takes out the trash and sets up the baby gear, and he provides a second income that allows you to spend time with your child instead of working 60 hours a week to support a family on your own—how much does it matter whether the guy you marry is The One?&lt;br /&gt;It's not that I've become jaded to the point that I don't believe in, or even crave, romantic connection. It's that my understanding of it has changed. In my formative years, romance was John Cusack and Ione Skye in Say Anything. But when I think about marriage nowadays, my role models are the television characters Will and Grace, who, though Will was gay and his relationship with Grace was platonic, were one of the most romantic couples I can think of. What I long for in a marriage is that sense of having a partner in crime. Someone who knows your day-to-day trivia. Someone who both calls you on your bullshit and puts up with your quirks. So what if Will and Grace weren't having sex with each other? How many long- married couples are having much sex anyway?&lt;br /&gt;"I just want someone who's willing to be in the trenches with me," my single friend Jennifer told me, "and I never thought of marriage that way before." Two of Jennifer's friends married men who Jennifer believes aren't even straight, and while Jennifer wouldn't have made that choice a few years back, she wonders whether she might be capable of it in the future. "Maybe they understood something that I didn't," she said.&lt;br /&gt;What they understood is this: as your priorities change from romance to family, the so-called "deal breakers" change. Some guys aren't worldly, but they'd make great dads. Or you walk into a room and start talking to this person who is 5'4" and has an unfortunate nose, but he "gets" you. My long-married friend Renée offered this dating advice to me in an e-mail:&lt;br /&gt; I would say even if he's not the love of your life, make sure he's someone you respect intellectually, makes you laugh, appreciates you … I bet there are plenty of these men in the older, overweight, and bald category (which they all eventually become anyway).&lt;br /&gt;She wasn't joking.&lt;br /&gt;A number of my single women friends admit (in hushed voices and after I swear I won't use their real names here) that they'd readily settle now but wouldn't have 10 years ago. They believe that part of the problem is that we grew up idealizing marriage—and that if we'd had a more realistic understanding of its cold, hard benefits, we might have done things differently. Instead, we grew up thinking that marriage meant feeling some kind of divine spark, and so we walked away from uninspiring relationships that might have made us happy in the context of a family.&lt;br /&gt;All marriages, of course, involve compromise, but where's the cutoff? Where's the line between compromising and settling, and at what age does that line seem to fade away? Choosing to spend your life with a guy who doesn't delight in the small things in life might be considered settling at 30, but not at 35. By 40, if you get a cold shiver down your spine at the thought of embracing a certain guy, but you enjoy his company more than anyone else's, is that settling or making an adult compromise?&lt;br /&gt;Take the date I went on last night. The guy was substantially older. He had a long history of major depression and said, in reference to the movies he was writing, "I'm fascinated by comas" and "I have a strong interest in terrorists." He'd never been married. He was rude to the waiter. But he very much wanted a family, and he was successful, handsome, and smart. As I looked at him from across the table, I thought, Yeah, I'll see him again. Maybe I can settle for that. But my very next thought was, Maybe I can settle for better. It's like musical chairs—when do you take a seat, any seat, just so you're not left standing alone?&lt;br /&gt;Back when I was still convinced I'd find my soul mate, I did, although I never articulated this, have certain requirements. I thought that the person I married would have to have a sense of wonderment about the world, would be both spontaneous and grounded, and would acknowledge that life is hard but also be able to navigate its ups and downs with humor. Many of the guys I dated possessed these qualities, but if one of them lacked a certain degree of kindness, another didn't seem emotionally stable enough, and another's values clashed with mine. Others were sweet but so boring that I preferred reading during dinner to sitting through another tedious conversation. I also dated someone who appeared to be highly compatible with me—we had much in common, and strong physical chemistry—but while our sensibilities were similar, they proved to be a half-note off, so we never quite felt in harmony, or never viewed the world through quite the same lens.&lt;br /&gt;Now, though, I realize that if I don't want to be alone for the rest of my life, I'm at the age where I'll likely need to settle for someone who is settling for me. What I and many women who hold out for true love forget is that we won't always have the same appeal that we may have had in our 20s and early 30s. Having turned 40, I now have wrinkles, bags under my eyes, and hair in places I didn't know hair could grow on women. With my nonworking life consumed by thoughts of potty training and playdates, I've become a far less interesting person than the one who went on hiking adventures and performed at comedy clubs. But when I chose to have a baby on my own, the plan was that I would continue to search for true connection afterward; it certainly wasn't that I would have a baby alone only to settle later. After all, wouldn't it have been wiser to settle for a higher caliber of "not Mr. Right" while my marital value was at its peak?&lt;br /&gt;Those of us who choose not to settle in hopes of finding a soul mate later are almost like teenagers who believe they're invulnerable to dying in a drunk-driving accident. We lose sight of our mortality. We forget that we, too, will age and become less alluring. And even if some men do find us engaging, and they're ready to have a family, they'll likely decide to marry someone younger with whom they can have their own biological children. Which is all the more reason to settle before settling is no longer an option.&lt;br /&gt;I'll be the first to admit that there's something objectionable about making the case for settling, because it's based on the premise that women's biological clocks place them at the mercy of men, and that therefore a power dynamic dictates what should be an affair solely of the heart (not the heart and the ovaries). But I'm not the only woman who accepts settling as a valid choice—apparently so do the millions who buy bestselling relationship books that advocate settling but that, so as not to offend, simply spin the concept as a form of female empowerment.&lt;br /&gt;Take, for instance, books like Men Are Like Fish: What Every Woman Needs to Know About Catching a Man or Find a Husband After 35 Using What I Learned at Harvard Business School, whose titles alone make it clear that today's supposedly progressive bachelorettes aren't waiting for old-fashioned true love to strike before they can get married. Instead, they're buying dozens of proactive coaching manuals to learn how to strategically land a man. The actual man in question, though, seems so irrelevant that, to my mind, these women might as well grab a well-dressed guy off the street, drag him into the nearest bar, buy him a drink, and ask him to marry her. (Or, to retain her "power," she should manipulatehim into asking her.)&lt;br /&gt;The approaches in these books may differ, but the message is the same: more important than love is marriage. To achieve that goal, women across the country are poring over guidebooks that all boil down to determining, "Does he like me?," while completely overlooking the equally essential question, "Do I like him?" In other words, whatever compromises you have to make—including, but not limited to, pretending to be or actually becoming an entirely different person—make sure that you get some schmo to propose to you before you turn into a spinster.&lt;br /&gt;Last year's Why Smart Men Marry Smart Women makes the most blatant case for settling: if women were more willing to "think outside the box," as one of the book's married sources advises, many of them would be married. The author then trots out tales of professional, accomplished women happily dating a plumber, a park ranger, and an Army helicopter nurse. The moral is supposed to be "Don't be too picky" but many of the anecdotes quote women who seem to be trying to convince not just the reader, but themselves, that they haven't settled.&lt;br /&gt;"I should be with some guy with a vast vocabulary who is very smart," said Heather, a 30-year-old lawyer turned journalist. Instead, she's dating an actor who didn't finish college. "My boyfriend is fun, he's smart, but he hasn't gone through years of school. He wanted to pursue acting. And you can tell—he doesn't have that background, and it never ever once bothered me. But for everyone else, [his lack of education] is what they see." Another woman says she dates "the 'secrets' … guys other women don't recognize as great." How's that for damning praise?&lt;br /&gt;Meanwhile, in sugarcoating this message, the authors often resort to flattery, telling the reader to remember how fabulous, attractive, charming, and intelligent she is, in the hopes that she'll project a more confident vibe on dates. In my case, though, the flattery backfired. I read these books thinking, Wait, if I'm such a great catch, why should I settle for anyone less than my equal? If I'm so fabulous, don't I deserve true romantic connection?&lt;br /&gt;Only one popular book that I can think of in the vast "find a man" genre (like most single women confounded by their singleness, I'm embarrassingly well versed) takes the opposite approach. In He's Just Not That Into You, written by the happily married Greg Behrendt and the unhappily single Liz Tuccillo, the duo exhorts women not to settle. But the book's format is telling: Behrendt gives perky pep talks to women unable to find a worthy match, while Tuccillo repeatedly comments on how hard it is to take her co-author's advice, because while being with a partner who is "beneath you" (Behrendt's term) is problematic, being single just plain "sucks" (Tuccillo's term).&lt;br /&gt;Before I got pregnant, though, I also read single-mom books such as Choosing Single Motherhood: The Thinking Woman's Guide, whose chapter titles "Can I Afford It?" and "Dealing With the Stress" seemed like realistic antidotes to the faux-empowering man-hunting manual headings like "A Little Lingerie Can Go a Long Way." But the book's author, Mikki Morrissette, held out a tantalizing carrot. In her introduction, she describes having a daughter on her own; then, she writes, a few years later and five months pregnant with her son, "I met a guy I fell in love with. He and my daughter were in the delivery room when my son was born in January 2004." Each time I read about single women having babies on their own and thriving instead of settling for Mr. Wrong and hiring a divorce lawyer, I felt all jazzed and ready to go. At the time, I truly believed, "I can have it all—a baby now, my soul mate later!"&lt;br /&gt;Well … ha! Hahahaha. And ha.&lt;br /&gt;Just as the relationship books fail to mention what happens after you triumphantly land a husband (you actually have to live with each other), these single-mom books fail to mention that once you have a baby alone, not only do you age about 10 years in the first 10 months, but if you don't have time to shower, eat, urinate in a timely manner, or even leave the house except for work, where you spend every waking moment that your child is at day care, there's very little chance that a man—much less The One—is going to knock on your door and join that party.&lt;br /&gt;They also gloss over the cost of dating as a single mom: the time and money spent on online dating (because there are no single men at toddler birthday parties); the babysitter tab for all those boring blind dates; and, most frustrating, hours spent away from your beloved child. Even women who settle but end up divorced might be in a better position than those of us who became mothers on our own, because many ex-wives get both child-support payments and a free night off when the kids go to Dad's house for a sleepover. Never-married moms don't get the night off. At the end of the evening, we rush home to pay the babysitter, make any houseguest tiptoe around and speak in a hushed voice, then wake up at 6 a.m. at the first cries of "Mommy!"&lt;br /&gt;Try bringing a guy home to that.&lt;br /&gt;Settling is mostly a women's game. Men settle far less often and, when they do, they don't seem the least bit bothered by the fact that they're settling.&lt;br /&gt;My friend Alan, for instance, justified his choice of a "bland" wife who's a good mom but with whom he shares little connection this way: "I think one-stop shopping is overrated. I get passion at my office with my work, or with my friends that I sometimes call or chat with—it's not the same, and, boy, it would be exciting to have it with my spouse. But I spend more time with people at my office than I do with my spouse."&lt;br /&gt;Then there's my friend Chris, a single 35-year-old marketing consultant who for three years dated someone he calls "the perfect woman"—a kind and beautiful surgeon. She broke off the relationship several times because, she told him with regret, she didn't think she wanted to spend her life with him. Each time, Chris would persuade her to reconsider, until finally she called it off for good, saying that she just couldn't marry somebody she wasn't in love with. Chris was devastated, but now that his ex-girlfriend has reached 35, he's suddenly hopeful about their future.&lt;br /&gt;"By the time she turns 37," Chris said confidently, "she'll come back. And I'll bet she'll marry me then. I know she wants to have kids." I asked Chris why he would want to be with a woman who wasn't in love with him. Wouldn't he be settling, too, by marrying someone who would be using him to have a family? Chris didn't see it that way at all. "She'll be settling," Chris said cheerfully. "But not me. I get to marry the woman of my dreams. That's not settling. That's the fantasy."&lt;br /&gt;Chris believes that women are far too picky: everyone knows, he says, that a single middle-aged man still has appealing prospects; a single middle-aged woman likely doesn't. And he's right. Single women are painfully aware of this. I hear far more women than men talk about getting married as a goal to be met by a certain deadline. My friend Gabe points out that this allows men to be the true romantics; when a man breaks up with a perfectly acceptable woman because he's "just not feeling it," there's none of the ambivalence a woman with a deadline feels. "Women are the least romantic," Gabe said. "They think, 'I can do that.' For a lot of women, it becomes less about love and more about what they can live with."&lt;br /&gt;Not long ago, Gabe, who is 43, dated a woman he liked very much one-on-one, but he broke up with her because "she couldn't be haimish"—comfortable—with his friends in a group setting. He has no regrets. A female friend who broke up with a guy because he "didn't like to read" and who is now, too, a single mom (with, ironically, no time to read herself) similarly felt no regrets—at first. At the time, she couldn't imagine settling, but here's the Catch-22: "If I'd settled at 39," she said, "I always would have had the fantasy that something better exists out there. Now I know better. Either way, I was screwed."&lt;br /&gt;The paradox, of course, is that the more it behooves a woman to settle, the less willing she is to settle; a woman in her mid- to late 30s is more discriminating than one in her 20s. She has friends who have known her since childhood, friends who will know her more intimately and understand her more viscerally than any man she meets in midlife. Her tastes and sense of self are more solidly formed. She says things like "He wants me to move downtown, but I love my home at the beach," and, "But he's just not curious," and "Can I really spend my life with someone who's allergic to dogs?"&lt;br /&gt;I've been told that the reason so many women end up alone is that we have too many choices. I think it's the opposite: we have no choice. If we could choose, we'd choose to be in a healthy marriage based on reciprocal passion and friendship. But the only choices on the table, it sometimes seems, are settle or risk being alone forever.That's not a whole lot of choice.&lt;br /&gt;Remember the movie Broadcast News? Holly Hunter's dilemma—the choice between passion and friendship—is exactly the one many women over 30 are faced with. In the end, Holly Hunter's character decides to wait for the right guy, but he (of course) never materializes. Meanwhile, her emotional soul mate, the Albert Brooks character, gets married (of course) and has children.&lt;br /&gt;And no matter what women decide—settle or don't settle—there's a price to be paid, because there's always going to be regret. Unless you meet the man of your dreams (who, by the way, doesn't exist, precisely because you dreamed him up), there's going to be a downside to getting married, but a possibly more profound downside to holding out for someone better.&lt;br /&gt;My friend Jennifer summed it up this way: "When I used to hear women complaining bitterly about their husbands, I'd think, 'How sad, they settled.' Now it's like, 'God, that would be nice.'"&lt;br /&gt;That's why mothers tell their daughters to "keep an open mind" about the guy who spends his weekends playing Internet poker or touches your back for two minutes while watching ESPN and calls that "a massage." The more-pertinent questions, to most concerned mothers of daughters in their 30s, have to do with whether the daughter's boyfriend will make a good father; or, if he's a workaholic, whether he can provide the environment for her to be a good mother. As my own mother once advised me, when I was dating a musician, "Everyone settles to some degree. You might as well settle pragmatically."&lt;br /&gt;Iknow all this now, and yet—here's the problem—much as I'd like to settle, I can't seem to do it. It's not that I have to be dazzled by a guy anymore (though it would be nice). It's not even that I have to think about him when he's not around (though that would be nice, too). Nor is it that I'm unable to accept reality and make significant compromises because that's what grown-ups do (I can and have—I had a baby on my own).&lt;br /&gt;No, the problem is that the very nature of dating leaves women my age to wrestle with a completely different level of settling. It's no longer a matter, as it was in my early 30s, of "just not feeling it," of wanting to be in love. Consider the men whom older women I know have married in varying degrees of desperation over the past few years: a recovering alcoholic who doesn't always go to his meetings; a trying-to-make-it-in-his-40s actor; a widower who has three nightmarish kids and who's still actively grieving for his dead wife; and a socially awkward engineer (so socially awkward that he declined to attend his wife's book party). It's not that these women are crazy; it's that the dating pool has dwindled dramatically and that, due to gender politics, the few available men tend to require far more of a concession than those who were single when we were younger. And while I have a much higher tolerance for settling than I did back then, now I have my son to consider. It's one thing to settle for a subpar mate; it's quite another to settle for a subpar father figure for my child. So while there's more incentive to settle now, there's less willingness to settle too much, because that would be a disservice to my son.&lt;br /&gt;This doesn't undermine my case for settling. Instead, it supports my argument to do it young, when settling involves constructing a family environment with a perfectly acceptable man who may not trip your romantic trigger—as opposed to doing it older, when settling involves selling your very soul in exchange for damaged goods. Admittedly, it's a dicey case to make because, like the divorced women I know who claim they wouldn't have done anything differently, because then they wouldn't have Biff and Buffy, I, too, can't imagine life without my magical son. (Although, had I had children with a Mr. Good Enough, wouldn't I be as hopelessly in love with those children, too?) I also acknowledge the power of the grass-is-always-greener phenomenon, and allow for the possibility that my life alone is better (if far more difficult) than the life I would have in a comfortable but tepid marriage.&lt;br /&gt;But then my married friends say things like, "Oh, you're so lucky, you don't have to negotiate with your husband about the cost of piano lessons" or "You're so lucky, you don't have anyone putting the kid in front of the TV and you can raise your son the way you want." I'll even hear things like, "You're so lucky, you don't have to have sex with someone you don't want to."&lt;br /&gt;The lists go on, and each time, I say, "OK, if you're so unhappy, and if I'm so lucky, leave your husband! In fact, send him over here!"&lt;br /&gt;Not one person has taken me up on this offer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-1287689347625203257?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/1287689347625203257/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=1287689347625203257&amp;isPopup=true' title='64 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1287689347625203257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1287689347625203257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/04/marry-him.html' title='Marry Him!'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>64</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-1391468401327745611</id><published>2008-04-04T10:38:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T10:39:27.013-07:00</updated><title type='text'>A casa do cara</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Publicado no Guia do Estadão)&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;A casa do cara era uma palmeira, no meio da calçada, ali no Pacaembu. Começou com um plástico amarrado ao tronco, mais nada. Bauhaus total, diria Caetano, se por ali passasse, em 1974 -- mas Caetano não passava: passávamos nós, motoristas de 2007, e recebíamos um olhar de reprovação, caso reparássemos muito. Tá certo: onde já se viu ficar assim, espiando a intimidade dos outros?&lt;br /&gt;Um tempo depois, o cara colocou umas estacas do lado de lá e a coisa foi virando uma tendinha, como as que eu fazia quando era criança – mas ele não era criança. Ficava lendo um jornal, com uma naturalidade que era bater o olho e pensar: aí é a casa do cara.&lt;br /&gt;Não era mendigo. Era bem vestido, limpo. Uma vez, um taxista me disse que na verdade o cara era rico e morava em Higienópolis, mas como era desses taxistas que acham que todo mendigo é rico e tá ali só para encher nosso saco, não acreditei.&lt;br /&gt;Algumas semanas depois, o Bauhaus tinha tomado ares de Família Robinson. A casa era um caixote de uns dois metros de comprimento por um de largura, bem vedadinha. Até parecia um desses hotéis casulo de japonês – mas ele não era japonês.&lt;br /&gt;Eu gostava de ver as melhorias. “Olha lá, ele fechou um lado com madeira”. “Plástico preto em cima, bom, deve proteger do sol”.  O pé direito era baixo, é verdade, mas do jeito que estão esses apartamentos novos, o cara não estava muito pior do que nós, não.&lt;br /&gt;Um dia, parei no farol, fui dar minha bisolhada e... cadê? Levaram a casa do cara, e o cara junto! “Tem abrigo pra sem teto” – dizem -- “eles não vão porque não querem”. Tá certo. Ele não devia mesmo querer. Tinha uma casa, pombas!, porque iria dormir com um monte de desconhecido, enrolado naqueles cobertores de proteger cristaleira em mudança, que parecem feitos da sujeira acumulada embaixo da cama?&lt;br /&gt;Uma semana depois, na mesma praça, no mesmo jardim, lá estava ele, sob o plastiquinho, lendo sobre sinfonias, palestinos e MPs, de cabeça erguida, como quem diz: “no pasarán!”. Eu passava.&lt;br /&gt;Derrubaram a casa do cara umas dez vezes, dez vezes ele reconstruiu, biblicamente. Até que, meses atrás, sumiu de vez. Talvez esteja num abrigo, embrulhado no cobertor de poeira. Quem sabe em Higienópolis, lendo Wall Street Journal com os outros mendigos de nossa grande cidade. Sei lá. Só sei é que toda vez que passo ali, vejo a sombra da palmeira na calçada e penso: aí era a casa do cara.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-1391468401327745611?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/1391468401327745611/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=1391468401327745611&amp;isPopup=true' title='28 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1391468401327745611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1391468401327745611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/04/casa-do-cara.html' title='A casa do cara'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-4160380455456738525</id><published>2008-03-31T17:05:00.000-07:00</published><updated>2008-03-31T17:06:31.040-07:00</updated><title type='text'>DESPEDIDA</title><content type='html'>(última coluna para a revista Capricho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não são vocês. Juro. Vocês são o máximo. Eu é que... Não, não vou me culpar, não vou dizer que “sou um idiota” ou “não sei o que está acontecendo”. Eu sou legal, vocês também e está tudo certo: é que tem uma hora que as coisas acabam. Ou continuam, só por preguiça ou falta de coragem de darmos um fim a elas, até irem murchando, embolorando. E isso eu não quero, nem vocês, certo?&lt;br /&gt;Eu comecei aqui em 2001. Era um moleque de 23 anos, que ainda estranhava ter saído da escola, ter que ganhar a vida e pendurar os próprios quadros na parede. Não tinha me acostumado com o fato de que -- como escrevi numa das primeiras crônicas -- “se fizesse alguma coisa muito errada, iria para a cadeia, não para a sala do diretor”. Eu era um espião do lado de lá do terceiro colegial, dando (e procurando) uma piscadela cúmplice: ei, esses adultos são muito estranhos, né?&lt;br /&gt;Durante todo esse tempo, eu disse tudo o que sabia (e o que não sabia, também) sobre escola, pais, primeira vez, namoros, drogas, anorexia e o sentido da vida. Opinei, com a maior cara de pau, sobre Deus e o mundo.  Acontece que agora já estou com os dois pés fincados em território inimigo: tenho uns fios de barba brancos e -- confesso, envergonhado -- um multi-processador, não faço a menor idéia de quem seja Amy Winehouse e preocupa-me muito mais saber como vou criar meus filhos do que a relação com meus pais, entendem?&lt;br /&gt;Vocês não sabem o quanto aprendi com vocês. Sério, não é demagogia de despedida. Para escrever aqui, semana sim, semana não, por sete anos, fui obrigado a olhar para trás, para frente, para os lados e, principalmente, para dentro. Escrevendo o Estive Pensando eu me tornei cronista e, de certa forma, adulto.&lt;br /&gt;Sabe o que? Acho que pra vocês também vai ser muito legal. Nunca mais vão ter que me ouvir reclamando da adolescência, falando que o amor é lindo e a vida, apesar de difícil, é bela. Vão conhecer pessoas novas, descobrir maneiras diferentes de usar as frases e as crases, construir parágrafos e discursos, terão outros pontos de vista e pontos finais. Vão viver coisas que não viveriam, se  continuassem comigo.&lt;br /&gt;Quando começamos, éramos todos muito novos. Nós crescemos juntos, aprendemos juntos e nos entregamos, inteiros, por bastante tempo. Agora é hora de irmos cada um pra um lado, com os corações abertos e tentarmos ser felizes – não para sempre, porque isso não existe, mas sempre que possível. Muito obrigado por tudo. Mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-4160380455456738525?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/4160380455456738525/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=4160380455456738525&amp;isPopup=true' title='65 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4160380455456738525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4160380455456738525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/03/despedida.html' title='DESPEDIDA'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>65</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-5415421833429330673</id><published>2008-03-13T23:57:00.000-07:00</published><updated>2008-03-13T23:58:16.993-07:00</updated><title type='text'>Bazar &amp; casar: pegar ou largar</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(publicado na Vogue)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Olha o vestidinho wrap dress de jersey, galera! O vestidinho caiu de cem para oitenta e quatro e noventa!” – anunciava o locutor, com aquela animação de FM, no bazar de uma grife famosa. “Oitenta e quatro e noventa! Não dá pra perder, é pegar ou largar!”, ele insistia, e eu, que estava ali só para comprar uma calça jeans, que nem sabia que bazar tinha locutor ou o que diabos seria o tal wrap dress de jersey, me peguei andando, aflito, em direção à arara no fundo do galpão, com medo de estar perdendo aquela incrível oportunidade de compra.&lt;br /&gt;Parei a uns dois metros da balbúrdia, assustado: uma dúzia de mulheres ofegantes arrancava os vestidos das araras e os viravam do avesso, atrás das etiquetas, como se encontrar a letra certa -- P, M ou G – lhes fosse abrir as portas do paraíso. Eu não sabia que esse negócio de bazar era tão sério.&lt;br /&gt;Enquanto esperava na fila do caixa -- minha calça jeans pendurada no braço direito, como o pano de prato de um garçom -- me dei conta de que a cena dos vestidos não existia isolada, era uma dessas metonímias que a vida nos apresenta, pequenas amostras com as quais, fazendo uma simples regra de três, conseguimos vislumbrar o X de alguma questão superior. Pois se a balbúrdia dos vestidinhos – “caiu pra R$ 59,90! Loucuuura!” -- pouco me iluminou sobre os mistérios do wrap dress de jersey, acabou sendo muito elucidativa sobre o comportamento de uma parcela das mulheres da minha geração: as moças estão em busca de maridos com a ansiedade furiosa das compradoras do bazar. Mal encontram um homem solteiro, mais ou menos do tamanho e modelo que procuravam, já vão logo olhando a etiqueta, querendo saber se o tecido é de qualidade, se não vai desbotar assim que lavar ou soltar a costura no primeiro aperto.&lt;br /&gt;O que faz com que, dos vinte e cinco para cima, as mulheres olhem os homens encostados no balcão do bar (ou da ponte-aérea, ou da Casa do Pão de Queijo, ou da, ou da, ou da...) como se fossem as últimas peças disponíveis na arara? E por que, mal disseram olá, elas já pensam se ele preferiria um labrador ou um border collie na casa que construirão juntos, depois do nascimento do segundo filho (uma menina)?&lt;br /&gt;Em minhas imprecisas pesquisas, os hormônios aparecem como os maiores vilões, acusados de ser tão impertinentes quanto o cara do microfone, a gritar “os óvulos estão acabando! Os óvulos estão acabando!” nos ouvidos das pobres moças em flor. Minhas caras, culpem o tempo em seu devido tempo. Quem tem trinta anos hoje ainda tem óvulo pra dedéu. Não é preciso correr entre uma arara e outra, nem sofrer quando souber que uma boa peça, que estava dando sopa por aí, caiu nas mãos da concorrência.  Mesmo porque, com os avanços da medicina, tem muita mulher com idade para ser avó dando entrada na maternidade.&lt;br /&gt;Se a necessidade biológica não é a força motriz da ansiedade casadoira, o que seria? Carência, pura e simples, aparece em segundo lugar em minhas enquetes. As mulheres consultadas dizem ter síndrome de abstinência, às vezes com delirium tremens se, na tríade dominical DVD-Pipoca-Namorado, o terceiro elemento falta por mais de quatro semanas. Será que é isso? O medo de ficarem sozinhas as lança atrás de um projeto de longo prazo, envolvendo damas de honra, FGTS, babás no fim de semana, contrato judicial e idas freqüentes à Alô bebê?&lt;br /&gt;Curioso é que essas mulheres são as filhas de 68, das mães que queimaram soutiens e de peito aberto, literalmente, foram atrás de suas independências.  Então as meninas que nasceram supostamente libertas dos grilhões da falocracia chegam à maioridade e, em vez de se ajoelharem diante de uma foto de Simone de Beauvoir, acendem velas para Branca de Neve?&lt;br /&gt;Não estou falando do desejo de se apaixonar, de viver uma história arrebatadora, de ter as pernas trêmulas e a voz gaga quando o cara surge. O que vejo, no fundo dos olhos de algumas mulheres, é muito mais o desejo de encontrar alguém para dividir um título familiar do Clube Pinheiros do que para tomar champanhe em Paris, e acho isso triste. Porque o título familiar, as idas à Alô bebê e a união dos FGTSs para comprarem uma casa juntos, onde crianças aprenderão a andar embaixo de uma jabuticabeira e ganharão um cachorrinho (labrador ou border collie?) só pode dar certo – na visão desse ignorante, que nem sabe o que é um vestidinho wrap dress de jersei, que também quer ser feliz com uma mulher e sofre quando está sozinho, não só aos domingos – se for a conseqüência inevitável do amor arrebatador, das pernas trêmulas, do desejo incontrolável e recorrente de tomar champanhe em Paris. (Ou Kaiser quente em Jundiaí, que seja, desde que com ele, desde que com ela).&lt;br /&gt;O amor e o tesão são forças por demais poderosas – e, no entanto, delicadas – para serem trocadas pela serenidade de uma jabuticabeira. Viva Dionísio! Abaixo a planilha Excel! Eu vejo por aí os casais precocemente infelizes, que nasceram da fuga da solidão, e quase não acredito.  Quando tivermos netos poderemos aceitar que o companheirismo tenha brotado ali onde antes crescia o desejo. Não agora. Esqueçam o locutor. Não comprem na promoção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-5415421833429330673?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/5415421833429330673/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=5415421833429330673&amp;isPopup=true' title='61 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5415421833429330673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5415421833429330673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/03/bazar-casar-pegar-ou-largar.html' title='Bazar &amp; casar: pegar ou largar'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>61</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-1427606444543520943</id><published>2008-03-13T23:51:00.001-07:00</published><updated>2008-03-14T00:00:57.637-07:00</updated><title type='text'>Jadeiltite</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Publicado no Guia do Estadão)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando quero criar um personagem estranho, descrevo um dos meus amigos. Quando quero criar um personagem mais estranho, recorro ao Guia de medicina ambulatorial e hospitalar da Unifesp/ Escola Paulista de Medicina -- Psiquiatria; um instrumento que todo escritor deveria ter. Síndromes, transtornos, psicoses, enfim, todos aqueles comportamentos que Nelson Rodrigues chamaria de “taras” ou “manias” aparecem ali, classificados e explicados pelos doutores.&lt;br /&gt;O Guia é farto mas, infelizmente, incompleto. Não há, em suas 256 páginas, uma única menção à Síndrome de Jadeilton. Trata-se da “propensão a submeter-se ao jugo de pequenas autoridades; dificuldade de fazer valer seu ponto de vista em conflitos comezinhos, acarretando grande aflição e arrependimento”. Tanto eu quanto minha namorada – cujo nome não cito, para preserva-la – sofremos desse mal.&lt;br /&gt;A moça em questão vem a ser uma talentosa e indômita jornalista. É capaz de inquirir, com o belo indicador em riste, chefes de Estado e generais, assassinos e empresários -- sua voz não treme, sua mão não sua e a verdade sempre aparece.&lt;br /&gt;Eis que, outro dia, essa Lois Lane brasileira resolve dar uma festa. Lá pelos quarenta do segundo tempo, seu Jadeilton, o zelador, interfona, furioso, reclamando do barulho. Minha amada gelou. Era a síndrome atacando: a opinião que o zelador teria sobre ela era mais importante do que a do presidente da república. Nunca recuperou-se completamente.&lt;br /&gt;Anteontem, levei uma camisa à alfaiataria aqui do bairro. Queria encurta-la. As duas senhorinhas que me receberam, no entanto, tinham planos mais ambiciosos. “Muita informação”, disse uma, desdenhando dos quatro bolsos de minha guayabera -- uma bela camisa caribenha, que García Márquez vestia ao receber o Nobel: um símbolo de nossa latinidad. “Eu tiraria três e ficava só com o da esquerda”, continuou a outra, num ataque orquestrado, visando atingir-me no cerne de minha jadeiltite. Com um fio de voz, tentei dissuadi-las, mas elas já não eram mais duas profissionais me prestando um serviço, eram senhoras do meu destino. Perdi a guayabera, mas não suas simpatias.&lt;br /&gt;Espero que os autores do Guia de medicina incluam, na próxima edição, um capítulo sobre essa covardia das pequenas causas. Não agüento mais as broncas da faxineira, estou indo à falência com os aditivos que os frentistas me sugerem e, acima de tudo, nos esconder-mos de Jadeilton atrás do vaso da portaria está ficando cada dia mais difícil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-1427606444543520943?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/1427606444543520943/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=1427606444543520943&amp;isPopup=true' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1427606444543520943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1427606444543520943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/03/jadeiltite.html' title='Jadeiltite'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-3990539679755881255</id><published>2008-02-21T09:27:00.001-08:00</published><updated>2008-02-21T09:27:51.763-08:00</updated><title type='text'>Crônico</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(publicado no Guia do Estadão)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo não é sincrônico. Se fosse, como explicar que, nos últimos anos, as escovas de dentes tenham se transformado em algo próximo às naves de Star Wars, enquanto os botijões de gás continuam os mesmos desde muito antes de o homem pisar na lua?&lt;br /&gt;Os extintores de incêndio, as BICs e os cinzeiros que ficam perto do elevador (tanto o cilíndrico quando o quadradinho, com areia), também são herança de outra era, em que uma coisa era uma coisa, outra coisa era outra coisa e todas as coisas continuavam a mesma coisa por pelo menos algum tempo.&lt;br /&gt;Tenho uma simpatia por esses velhuscos. São como aquele japonês encontrado numa ilhota, muitos anos depois de finda a Segunda Guerra, que se recusava a aceitar a rendição do imperador Hiroito. Mas, se o soldado desinformado apareceu em jornais do mundo todo assustado, com uns olhos arregalados de mangá, os cinzeiros, botijões e BICs me parecem ostentar um orgulho nobiliárquico. Como se a BIC, do alto de seu sangue azul, dissesse às escovas, celulares e aparelhos de som: vocês podem estar sob os holofotes, mas passarão e não deixarão memória, enquanto eu continuo aqui, simples e longeva, como as amebas, as bactérias.&lt;br /&gt;Meu apego pela permanência dos objetos não é só estética, mas de ordem prática. Lá pelos vinte anos, meu bisavô entrou numa loja de sapatos e comprou um par. Gostou tanto que voltou à sapataria nas próximas cinco décadas. Foi enterrado com aqueles sapatos.&lt;br /&gt;Faz dois anos, comprei umas cuecas. (Desculpem-me a informação, assim, mundana -- nós nem nos conhecemos --, mas encontrar a cueca ideal é um dos pequenos prazeres da vida e a literatura – oh, a literatura! – não pode dobrar-se ao pudor). Mês passado fui à mesma loja, decidido a refazer o estoque e descobri que não existiam mais. “A cada ano o fabricante muda a coleção, senhor”. Até as cuecas?!&lt;br /&gt;Sabem, eu gosto do mundo. E das coisas dentro do mundo. Apego-me a elas como a um livro, uma praia, uma música. Não quero que otimizem Cem Anos de Solidão, redesenhem Copacabana, remixem Blackbird. Ah, eficiência! Quanta beleza ainda tombará em seu nome?&lt;br /&gt;Os fins não justificam os meios. Os fins, aliás, não existem: só os meios. Afinal: eu, você, os japoneses, as escovas de dentes, os botijões, as BICs e o Bispo de Botucatu voltaremos ao pó de que viemos, provando que, no fim das contas, o mundo talvez seja sincrônico. Eu, definitivamente, é que sou anacrônico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-3990539679755881255?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/3990539679755881255/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=3990539679755881255&amp;isPopup=true' title='40 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3990539679755881255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3990539679755881255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/02/crnico.html' title='Crônico'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>40</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-5231862925132315892</id><published>2008-02-01T12:11:00.000-08:00</published><updated>2008-02-02T15:25:34.144-08:00</updated><title type='text'>Empadologia</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(do Guia do Estado)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez tenha a ver com a eleição de um operário para presidente. Talvez seja conseqüência do upgrade que os botecos tiveram nos últimos dez anos. Quem sabe, ainda, a causa seja a queda dos juros ou o Bolsa Família. Sei lá. O que importa é que, para minha felicidade, a empada está na moda.&lt;br /&gt;Ela deixou aquele canto engordurado do balcão da padaria, ao lado de torresmos e ovos azuis, para cair na vida: está tanto nos lugares da moda, como o Sabiá – novo bar da Vila Madalena, onde saem em fornadas e são trazidas às mesas ainda fumegantes, nas mãos do simpaticíssimo Luis – quanto nas cadeias de fast-food. Só aqui no bairro tem duas: o Rancho da Empada e a Empada Brasil, que entregam em casa um produto de excelente qualidade. Eu fico feliz, não só porque gosto dessa mini-granada de colesterol, mas porque intuo que ela traga oculta, em meio aos camarões, algo além da bem-vinda azeitona.&lt;br /&gt;Com a queda do muro de Berlim, a democracia liberal e a Colgate se espalharam pelos quatro cantos do mundo (a Colgate com muito mais eficiência, evidentemente) e falou-se bastante no fim das identidades locais. Como se, com a abertura dos mercados, tudo aquilo que fazia de nós, brasileiros, estivesse fadado ao desaparecimento, ou, quem sabe, condenado a reduzir-se a um novo sanduíche do McDonald’s – McSamba?&lt;br /&gt;Oswald de Andrade, num poema chamado Erro de português, diz: “Quando o português chegou/ Debaixo de uma bruta chuva/ Vestiu o índio/ Que pena!/ Fosse uma manhã de sol/ O índio tinha despido o português”.&lt;br /&gt;Sei que anda um pouco fora de moda acreditar em Antropofagia. Aliás, anda fora de moda acreditar em qualquer coisa, nesse mundo colgático-democrático, mas talvez a empada -- que até outro dia também era démodé – seja um raio de sol na manhã oswaldiana. Quem sabe, num possível futuro dominado pelos BRICs (Brasil, Russia, Índia e China), ela será encontrada nos quatro cantos do mundo, quase se desfazendo à cada mordida, encantando a todos com sua poderosa delicadeza?&lt;br /&gt;(Talvez eu tenha me empolgado e recheado o texto com mais significados do que o tema pode comportar, caro leitor. Não peço desculpas. A crônica, como uma boa empada, é assim mesmo: um pequeno exagero).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-5231862925132315892?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/5231862925132315892/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=5231862925132315892&amp;isPopup=true' title='44 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5231862925132315892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5231862925132315892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/02/empadologia.html' title='Empadologia'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>44</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-3056807774649654893</id><published>2008-01-09T17:15:00.000-08:00</published><updated>2008-01-09T17:16:34.227-08:00</updated><title type='text'>Conveniência</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(publicada no Guia do Estado)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhai, oh Senhor, os jovens nos postos de gasolina. Apiedai-Vos dessas pobres criaturas, a desperdiçar as mais belas noites de suas juventudes sentadas no chão, tomando Smirnoff Ice, entre bombas de combustível e pães de queijo adormecidos. Ajudai-os, meu Pai: eles não sabem o que fazem.&lt;br /&gt;São Paulo não tem praças, eu sei. As ruas são violentas, é verdade, mas nem tudo está perdido. Mostrai a esses cordeiros desgarrados a graça dos amassos atrás do trepa-trepa, o esconderijo ofegante na casa das máquinas do elevador, as infinitas possibilidades da locadora da esquina, a alegria simplória da Sessão Corujão.&lt;br /&gt;Encaminhai-os para um boliche, que seja, mas afastai suas bochechas rosadas dos vapores corrosivos dos metanóis. Pois nem toda a melancolia de um playground, nem todo o tédio de um salão de festas ou, vá lá, a pindaíba do espaço público simbolizada pelo churrasco na laje justifica a eleição de um posto de gasolina como ponto de encontro. Tudo, menos essa oficina dentária de automóveis, taba de plástico e alumínio, neon e graxa, túmulo do samba e impossível novo quilombo de Zumbi. Que futuro pode ter um amor que brota sob a placa “troca de óleo, ducha grátis acima de 100 reais”?&lt;br /&gt;Dai a essa apascentada juventude o germe da revolta. Incitai-os a atirar pedras ou pintar muros, a tomar porres de Cynar com Fanta Uva, tal qual formicida, por amores impossíveis, ajudai-os a ouvir músicas horríveis, usar roupas rasgadas, a maldizer pai e mãe, a formar bandas punk ou fazer serenatas de amor. Eles têm todo o direito de errar, de perder-se, de ser ridículos. Só não podem, meu Pai, com as camisas para dentro das calças, pomada no cabelo e barbas bem feitinhas, amarelar a lira de seus vinte anos sob o totem luminoso das petroquímicas.&lt;br /&gt;Salvai-me do preconceito e da tentação, oh Pai, de dizer que no meu tempo tudo era lindo, maravilhoso. Passei muitas horas molhando a bunda num ringue de patinação no gelo, ou vagando a esmo por shopping centers, aguardando a luz no fim do túnel de minha adolescência. Talvez fosse a mesma coisa. Talvez exista alguma poesia em passar noite após noite sentado na soleira de uma loja de conveniência, em desfilar com a chave do banheiro e sua tabuinha, em gastar a mesada em chicletes e palha italiana. Explicai-me o mistério, numa visão, ou arrancai-os dali. É só o que Vos peço, humildemente, no ano que acaba de nascer. Obrigado, Senhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-3056807774649654893?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/3056807774649654893/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=3056807774649654893&amp;isPopup=true' title='49 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3056807774649654893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3056807774649654893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2008/01/convenincia.html' title='Conveniência'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>49</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-4949351056079700545</id><published>2007-12-20T18:29:00.000-08:00</published><updated>2007-12-20T18:30:17.761-08:00</updated><title type='text'>O amor que choveu</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado na revista Capricho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez um menino que amava demais. Amava tanto, mas tanto, que o amor nem cabia dentro dele. Saía pelos olhos, brilhando, pela boca, cantando, pelas pernas, tremendo, pelas mãos, suando. (Só pelo umbigo é que não saía: o nó ali é tão bem dado que nunca houve um só que tenha soltado).&lt;br /&gt;O menino sabia que o único jeito de resolver a questão era dando o amor à menina que amava. Mas como saber o que ela achava dele? Na classe, tinha mais quinze meninos. Na escola, trezentos. No mundo, vai saber, uns dois bilhões? Como é que ia acontecer de a menina se apaixonar justo por ele, que tinha se apaixonado por ela?&lt;br /&gt;O menino tentou trancar o amor numa mala, mas não tinha como: nem sentando em cima o zíper fechava. Resolveu então congelar, mas era tão quente, o amor, que fundiu o freezer, queimou a tomada, derrubou a energia do prédio, do quarteirão e logo o menino saiu andando pela cidade escura -- só ele brilhando nas ruas, deixando pegadas de Star Fix por onde pisava.&lt;br /&gt;O que é que eu faço? -- perguntou ao prefeito, ao amigo, ao doutor e a um pessoalzinho que passava a vida sentado em frente ao posto de gasolina. Fala pra ela! -- diziam todos, sem pensar duas vezes, mas ele não tinha coragem. E se ela não o amasse? E se não aceitasse todo o amor que ele tinha pra dar? Ele ia murchar que nem uva passa, explodir como bexiga e chorar até 31 de dezembro de 2978.&lt;br /&gt;Tomou então a decisão: iria atirar seu amor ao mar. Um polvo que se agarrasse a ele -- se tem oito braços para os abraços, por que não quatro corações, para as suas paixões? Ele é que não dava conta, era só um menino, com apenas duas mãos e o maior sentimento do mundo.&lt;br /&gt;Foi até a beira da praia e, sem pensar duas vezes, jogou. O que o menino não sabia era que seu amor era maior do que o mar. E o amor do menino fez o oceano evaporar. Ele chorou, chorou e chorou, pela morte do mar e de seu grande amor.&lt;br /&gt;Até que sentiu uma gota na ponta do nariz. Depois outra, na orelha e mais outra, no dedão do pé. Era o mar, misturado ao amor do menino, que chovia do Saara à Belém, de Meca à Jerusalém. Choveu tanto que acabou molhando a menina que o menino amava. E assim que a água tocou sua língua, ela saiu correndo para a praia, pois já fazia meses que sentia o mesmo gosto, o gosto de um amor tão grande, mas tão grande, que já nem cabia dentro dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-4949351056079700545?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/4949351056079700545/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=4949351056079700545&amp;isPopup=true' title='75 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4949351056079700545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4949351056079700545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/12/o-amor-que-choveu.html' title='O amor que choveu'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>75</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-6647589446634038036</id><published>2007-11-26T11:38:00.000-08:00</published><updated>2007-11-29T13:12:27.941-08:00</updated><title type='text'>Direita X Esquerda - o retorno</title><content type='html'>Depois que o muro de Berlim foi partido em cubinhos e vendido como souvenir, Che Guevara passou a usar o chapéu do Mickey Mouse e a Colgate uniu o mundo num único e branco sorriso, muita gente pensou que esquerda e direita tinham ficado para trás. Dizia-se que, dali em diante, os termos só seriam usados para indicar o caminho no trânsito e diferenciar os laterais no futebol. Afinal de contas, estávamos no fim da história e, como sabíamos desde criancinhas, todos viveriam felizes para sempre.&lt;br /&gt;Mas o mundo gira, gira e – eis aí um grande problema de rodar em torno do próprio eixo – voltamos para o mesmo lugar. Se a história se repete como farsa ou como história mesmo, não faço a menor idéia, mas ouso dizer, parafraseando Nelson Rodrigues (que já foi de direita, mas o tempo e Ruy Castro liberaram para a esquerda), que hoje em dia não se chupa um Chicabom sem optar-se por um dos blocos.&lt;br /&gt;Ah, como fomos tolos! Acreditar que aquela dicotomia ontológica resumia-se à discussão sobre quanto o Estado deveria intervir no mercado (ou quanto o Mercado deveria ser regulado pelo estado, o que vem a ser a mesma coisa, de maneira completamente diferente) é mais ou menos como pensar que a diferença entre homens e mulheres restringe-se ao cromossomo Y. Ou ao comprimento do cabelo.&lt;br /&gt;Estado e Mercado são apenas a ponta de um iceberg, ou melhor, dois icebergs sociais, culturais, gastronômicos, gramaticais, musicais, lúdicos, léxicos, religiosos, higiênicos, esportivos, patafísicos, agronômicos, sexuais, penais, eletro-eletrônicos, existenciais, metafísicos, dietéticos, lógicos, astrológicos, pundonôricos, astronômicos, cosmogônicos -- e paremos por aqui, porque a lista poderia levar o dia todo.&lt;br /&gt;Justamente agora, quando esquerda e direita, pelo menos em suas ações, pareciam não divergir mais sobre as relações entre Estado e Mercado (ponhamos assim, os dois com maiúsculas, para não nos acusarem de nenhuma parcialidade), a discussão ressurge lá do mar profundo, com toda a força, como o tubarão de Spielberg.&lt;br /&gt;Para que o pasmo leitor que, como eu, dá um boi para não entrar numa discussão, mas uma boiada para não sair, não termine seus dias sem uma única rês, resolvi enumerar algumas diferenças entre essas, digamos, maneiras de estar no mundo. Dessa forma saberemos, ao comentar numa mesa de bar, na casa da sogra ou na padaria da esquina, “dizem que o filme é chato” ou “como canta bem esse canário belga”, se estamos ou não pisando inadvertidamente numa dessas minas ideológicas, mandando os ânimos pelos ares e causando inestancáveis verborragias.&lt;br /&gt;A lista é curta e provisória. Outras notas vão entrar, mas a base, por ora, é essa aí. Se a publico agora é por querer evitar, mesmo que parcialmente, que mais horas sejam ceifadas, no auge de suas juventudes, nas trincheiras da mútua incompreensão. Vamos lá.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;A esquerda acha que o homem é bom, mas vai mal -- e tende a piorar. A direita acredita que o homem é mau, mas vai bem -- e tende a melhorar.&lt;br /&gt;A esquerda acusa a direita de fazer as coisas sem refletir. A direita acusa a esquerda de discutir, discutir, marcar para discutir mais amanhã, ou discutir se vai discutir mais amanhã e não fazer nada. (Piada de direita: camelo é um cavalo criado por um comitê).&lt;br /&gt;Temos trânsito na cidade. O que faz a direita? Chama engenheiros e constrói mais pontes. Resolve agora? Sim, diz a direita. Mas só piora o problema, depois, diz a esquerda. A direita não está preocupada com o depois: depois é de esquerda, agora é de direita.&lt;br /&gt;Temos trânsito na cidade. O que faz a esquerda? Chama urbanistas para repensar a relação do transporte com a cidade. Quer dizer então que a Marginal vai continuar parada ano que vem?, cutuca a direita. Sim, diz a esquerda, mas outra cidade é possível mais pra frente. A direita ri. “Outra” é de esquerda. “Isso” é de direita.&lt;br /&gt;Direita e esquerda são uma maneira de encarar a vida e, portanto, a morte. Diante do envelhecimento, os dois lados se dividem exatamente como no urbanismo. Faça plásticas (pontes), diz a direita. Faça análise, (discuta o problema de fundo) diz a esquerda. (“filosofar é aprender a morrer”, Cícero). Você tem que se sentir bem com o corpo que tem, diz a esquerda. Sim, é exatamente por isso que eu faço plásticas, rebate a direita. Neurótica! -- grita a esquerda. Ressentida! -- grita a direita.&lt;br /&gt;A direita vai à academia, porque é pragmática e quer a bunda dura. A esquerda vai à yoga, porque o processo é tão ou mais importante que o resultado. (Processo é de esquerda, resultado, de direita).&lt;br /&gt;Um estudo de direita talvez prove que as pessoas de direita, preocupadas com a bunda, fazem mais exercícios físicos do que as de esquerda e, por isso, acabam sendo mais saudáveis, o que é quase como uma aplicação esportiva do muito citado mote de Mendeville, de que os vícios privados geram benefícios públicos -- se encararmos vício privado como o enrijecimento da bunda (bunda é de direita) e benefício público como a melhora de todo o sistema cardio-vascular. (Sistema cardio-vascular é de esquerda).&lt;br /&gt;Um estudo de esquerda talvez prove que o povo de esquerda, mais preocupado com o processo do que com os resultados, acaba com a bunda mais dura, pois o processo holístico da yoga (processo, holístico e yoga são de extrema esquerda) acaba beneficiando os glúteos mais do que a musculação. (Yoga já é de direita, diz alguém que lê o texto sobre meus ombros, provando que o provérbio correto é “pau que nasce torno, sempre se endireita”).&lt;br /&gt;Dieta da proteína: direita. Dieta por pontos: esquerda. Operação de estômago: fascismo. Macrobiótica: stalinismo. Vegetarianismo: loucura. (Foucault escreveria alguma coisa bem interessante sobre os Vigilantes do Peso).&lt;br /&gt;Evidente que, dependendo da época, as coisas mudam de lugar. Maio de 68: professores universitários eram de direita e mídia de esquerda. (“O mundo só será um lugar justo quando o último sociólogo for enforcado com as tripas do último padre”, escreveram num muro de Paris). Hoje a universidade é de esquerda e a mídia, de direita.&lt;br /&gt;As coisas também mudam, dependendo da perspectiva: ao lado de um suco de laranja, Guaraná é de direita. Ao lado de uma Coca-Cola, Guaraná é de esquerda. Da mesma forma, ao lado de um suco de graviola, pitanga ou umbu (extrema-esquerda), o de laranja vira um generalzinho. (Anauê juice fruit: 100% integralista).&lt;br /&gt;Leão, urso, lobo: direita. Pinguim, grilo, avestruz: esquerda. Formiga: fascismo. Abelha: stalinismo. Cachorro: social democrata. Gato: anarquista. Rosa: direita. Maria sem-vergonha: esquerda. Grama: nacional socialismo. Piscina: direita. Cachoeira: esquerda. (Quanto ao mar, tenho minhas dúvidas, embora seja claro que o Atlântico e o Pacífico estejam, politicamente, dos lados opostos aos que se encontram no mapa). Lápis: esquerda. Caneta: direita. Axilas, cotovelo, calcanhar: esquerda. Bíceps, abdomem, panturrilha: direita. Nariz: esquerda. Olhos: direita. (Olfato é sensação, animal, memória. Visão é objetividade, praticidade, razão).&lt;br /&gt;Liquidificador é de direita. (Maquiavel: dividir para dominar). Batedeira é de esquerda. (Gilberto Freyre: o apogeu da mistura, do contato, quase que a massagem dos ingredientes). Mixer é um caudilho de direita. Espremedor de alho é um caudilho de esquerda. Colher de pau, esquerda. Teflon, direita. Mostarda é de esquerda, catchupe é de direita -- e pela maionese nenhum dos lados quer se responsabilizar. Mal passado é de esquerda, bem passado é de direita. Contra-filé é de esquerda, filé mignon é de direita. Peito é de direita, coxa é de esquerda. Arroz é de direita, feijão é de esquerda. Tupperware, extrema direita. Cumbuca, extrema esquerda. Congelar é de direita, salgar é de esquerda. No churrasco, sal grosso é de esquerda, sal moura é de direita e jogar cerveja na picanha é crime inafiançável.&lt;br /&gt;Graal é de direita, Fazendinha é de esquerda. Cheetos é de direita, Baconzeetos é de esquerda e Doritos é tucano. Ploc e Ping-Pong são de esquerda, Bubaloo é de direita.&lt;br /&gt;No sexo: broxada é de esquerda. Ejaculação precoce é de direita. Cunilingus: esquerda. Fellatio: direita. A mulher de quatro: direita. Mulher por cima: esquerda. Homem é de direita, mulher é de esquerda. (mas talvez essa seja a visão de uma mulher -- de esquerda).&lt;br /&gt;Vogais são de esquerda, consoantes, de direita. Se A, E e O estiverem tomando uma cerveja e X, K e Y chegarem no bar, pode até sair briga. Apóstrofe ésse anda sempre com Friedman, Fukuyama e Freakonomics embaixo do braço. (A trema e a crase acham todo esse debate uma pobreza e são a favor do restabelecimento da monarquia).&lt;br /&gt;“Eu gostava mais no começo” é de esquerda. “Não vejo a hora de sair o próximo” é de direita.&lt;br /&gt;Dia é de direita, noite é de esquerda. Sol é de direita, lua é de esquerda. Planície é de direita, montanha é de esquerda. Terra é de direita, água é de esquerda. Círculo é de esquerda, quadrado é de direita. “É genético” é de direita. “É comportamental” é de esquerda. Aproveita é de esquerda. Joga fora e compra outro, de direita. Onda é de direita, partícula é de esquerda. Molécula é de esquerda, átomo é de direita. Elétron é de esquerda, próton é de direita e a assessoria do neutron informou que ele prefere ausentar-se da discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;To be continued (para os de direita)&lt;br /&gt;Under construction (para os de esquerda)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-6647589446634038036?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/6647589446634038036/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=6647589446634038036&amp;isPopup=true' title='63 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/6647589446634038036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/6647589446634038036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/11/direita-x-esquerda-o-retorno_26.html' title='Direita X Esquerda - o retorno'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>63</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-1762020452061297431</id><published>2007-11-09T07:10:00.000-08:00</published><updated>2007-11-09T07:11:41.658-08:00</updated><title type='text'>ALL DISNEY</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(publicado no Guia do Estadão)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Toda vez que vejo a tabuleta “Não sei voltar sozinho, meu lugar é na garagem”, no carrinho de supermercado do prédio, sinto um pendor para o vandalismo. Tenho vontade de agarrar aqueles arames fanfarrões e falar: “ah, não sabe? Quer dizer que é capaz de escrever um aviso em primeira pessoa, imprimi-lo numa placa,  mas esticar a rodinha até o botão do elevador e apertá-lo, que é bom, nada? Agora vai voltar sozinho, sim senhor!”.&lt;br /&gt;Suponho que eu devesse achar graça em estabelecer contatos imediatos de terceiro grau com um carrinho de supermercado. E, sentindo-me satisfeito por morar num edifício onde tal objeto é tão gentil e bem-humorado, deveria olhá-lo com ternura e dizer “ok, amigão, vamos lá, eu te devolverei à garagem, seu doce lar, onde reencontrará seus irmãos metálicos e poderá fazer as mais loucas traquinagens!”. Mickey Mouse aparecer com vassouras e baldes dançantes ou carros falarem abrindo e fechando os capôs seria uma consequência lógica, e eu sorriria mais uma vez, pois a vida, afinal de contas, havia se tornado um desenho animado.&lt;br /&gt;Está certo, o lugar do carrinho é na garagem, como o céu é do condor e a Rua Javari é do Juventus. Longe de mim querer condená-lo a noites frias em halls escuros, ou espremê-lo ao lado de vizinhos resmunguentos, no canto de um elevador. O que penso, triste, diante da tabuleta, é: onde foi que nós erramos? Apesar de todas as provas em contrário, eu acredito no ser humano. Talvez algum Nobel gagá ainda explique meu otimismo como fruto do baixo QI do brasileiro, mas enquanto isso não acontece, continuo achando que deveríamos levar o carrinho para baixo – e diminuir as emissões de carbono, votar nas eleições ou bater panelas na rua – mais movidos por Thomas More e Rousseau do que por Disney e Pixar. A tabuleta e seu humor infanto-publicitário, no entanto, apenas confirmam que nossa visão de cidadania não é a de Rousseau: obedecer as leis que nós mesmos ajudamos a criar, mas a de Scooby Doo: se fizermos tudo direitinho, ganhamos um biscoito no final.&lt;br /&gt;É um curioso autismo lúdico: não olhamos nos olhos dos vizinhos, mas conversamos com carrinhos de supermercado. Não é de se admirar que as coisas estejam como estão. (E os carrinhos, pelo menos aqui no meu prédio, continuem abandonados no elevador. Tadinhos).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-1762020452061297431?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/1762020452061297431/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=1762020452061297431&amp;isPopup=true' title='24 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1762020452061297431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1762020452061297431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/11/all-disney.html' title='ALL DISNEY'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-4387707510669341834</id><published>2007-10-24T23:02:00.001-07:00</published><updated>2007-10-24T23:02:37.780-07:00</updated><title type='text'>Bicicletai!</title><content type='html'>Um dias desses, evidentemente, tudo há de dar certo, os automóveis se extinguirão e a superfície da terra será povoada apenas por bicicletas. Alguns carros, ônibus e caminhões serão expostos nos museus, feito mamutes, guilhotinas e outros monstros findos, para divertir a criançada e alertar os adultos: que o horror jamais se repita. Sobre selins acolchoados, seremos felizes para sempre.&lt;br /&gt;É inegável a simpatia das bicicletas. Máquina desengonçada: se parada, destrambelha-se como um albatroz em terra, mas ao impulso dos pedais, projeta-se como uma flecha, esguia, impoluta e silenciosa. Bicicletas, ninguém pode negar, são irmãs dos guarda-chuvas, primas das girafas e parentes distantes dos abacaxis (não me peça para explicar, foi uma idéia que tive agora).&lt;br /&gt;Durante todo o século XX, muitos artistas aproveitaram-se de seus encantos. É pedalando que vemos quase todo o tempo monsieur Hulot, personagem do filme Meu Tio, utopia lírica de Jacques Tati. Marceu Duchamp, depois haver exposto um mictório no museu, enfiou uma roda de bicicleta num banco de madeira e deixou as velhas noções sobre arte – literalmente – de pernas pro ar.&lt;br /&gt;É impensável um facínora de bicicleta, inconcebível um ditador pedalando. As “máquinas da paz”, como as chamou Vinícius de Moraes, em sua Balada das meninas de bicicleta, são muito mais afeitas aos suaves cuidados das moças: “Bicicletai, meninada!/ Aos ventos do Arpoador/ Solta a flâmula agitada/Das cabeleiras em flor”.&lt;br /&gt;As bicicletas são um indício de civilização. Recomendadas por ecologistas, urbanistas, cardiologistas e artistas, têm logo de entrar na agenda política. Ainda não vi nenhum candidato expor, no horário eleitoral, seu projeto nacional de bicicletização. Se aparecer algum, ganhará de imediato meu apoio.&lt;br /&gt;Se Deus voltasse à terra e dissesse, “me mostrem aí o que vocês fizeram”, teríamos de levá-lo imediatamente a Amsterdam, para um passeio ciclístico, em torno daqueles belíssimos canais. Ou então ao Rio de Janeiro. Pegaríamos Deus no Santos Dummont (vindo do céu, é de se supor que chegará de avião) e O colocaríamos na garupa. Cruzaríamos todo o aterro, pedalando sem pressa, sob o sol ameno das quatro e meia da tarde. Passaríamos pela estátua de Drummond em Copacabana, veríamos as garotas saírem do mar em Ipanema e terminaríamos o passeio no Leblon, com um mergulho no mar e um suco de melancia, no exato momento do sol se pôr. Se Deus tiver um pingo de sensibilidade, estaremos todos salvos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-4387707510669341834?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/4387707510669341834/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=4387707510669341834&amp;isPopup=true' title='30 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4387707510669341834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4387707510669341834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/10/bicicletai.html' title='Bicicletai!'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-3429716028530147859</id><published>2007-10-24T22:59:00.000-07:00</published><updated>2007-10-24T23:00:05.888-07:00</updated><title type='text'>Choque de civilizações</title><content type='html'>A única ligação entre São Paulo e o Rio de Janeiro é a Dutra. Fora isso, tudo nos afasta: o clima, a geografia, os costumes e, claro, o idioma -- ou você vai me dizer que João Gordo e Evandro Mesquita falam a mesma língua?&lt;br /&gt;Esta barreira idiomática, acredito, é a principal fonte dos nossos problemas: ninguém se entende, acaba surgindo uma certa animosidade, a gente acha que foi chamado de estressado, eles pensam que ouviram alguma coisa sobre malandragem e, quando vamos ver, já era: nós ficamos sem praia e eles sem pizza. Perda total.&lt;br /&gt;O choque de civilizações, no entanto, está com os dias contados. Tendo em vista a amizade entre os povos, a paz mundial e os bolinhos de bacalhau do Jobi, resolvi fazer alguma coisa. Mergulhei em intensos estudos carnavalescos, escaldantes pesquisas praianas – entre outras experiências extremamente arriscadas (para um paulista) -- e trouxe à luz, acredito, uma grande contribuição para o entendimento entre os dois estados: a Pequena gramática do carioquês moderno.&lt;br /&gt;Nela, cheguei às três regras básicas da língua falada por aquele povo: a regra do R, a regra do S e a regra das vogais. As duas primeiras são de conhecimento geral: R no final da palavra ou no meio se fala arrastado (porrrrrrta, perrrrrrto), e o S transforma-se em X (mixxxxxto-quente, paxxxxta de dentexxxx). É na regra sobre as vogais, no entanto, que consiste a originalidade da minha descoberta e é ela que fará com que a minha gramática, assim como meu nome, ainda ressoem por aí muitos séculos depois que eu tiver ouvido repicar o último tamborim.&lt;br /&gt;Enquanto em São Paulo somos alfabetizados com o A – E – I – O – U, as crianças do Rio de Janeiro aprendem A – Ea – Ia – Oa – Ua. Sim, há um A depois de cada vogal. Pegue qualquer palavra, como copo, pé e carro, por exemplo, e aplique a regra das vogais. Agora, fale em voz alta: coapoa, péa, carroa. Viu só? Aía, éa sóa voacêa pôarrrr A eam tuadoa, troacarrr S poarrr X e eaxxxticarrr o R quea fiaca óatiamoa.&lt;br /&gt;O caminho inverso também funciona. Ao ouvir uma frase em carioquês, por exemplo: “Tua éa móa manéa, paualiaxxxxta oatarioa, voalta pra Móoaca”, transcreva-a, subtraia os As sobressalentes e você terá a sentença em paulistês.&lt;br /&gt;Embora seja um grande avanço em face  da estagnação em que estavam os estudos do carioquês por estas bandas, minha gramática ainda tem um enorme desafio a esclarecer: como é que o S vira R na palavra mearrrrmoa (mesmo)? E, mais ainda, por que é só nessa palavra? Tema apaixonante ao qual, prometo, retornarei em breve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-3429716028530147859?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/3429716028530147859/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=3429716028530147859&amp;isPopup=true' title='24 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3429716028530147859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3429716028530147859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/10/choque-de-civilizaes.html' title='Choque de civilizações'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-3562575443693857844</id><published>2007-10-24T22:58:00.001-07:00</published><updated>2007-10-24T22:58:58.991-07:00</updated><title type='text'>Janela indiscreta</title><content type='html'>Incrível, nem terminamos novembro e o vizinho já encheu a varanda de luzinhas coreanas. Agora, da janela do meu escritório, vejo seu canteiro piscando -- verde, amarelo, vermelho --, anunciando que o natal está aí, é mais um ano que passou, menos um que passará. &lt;br /&gt;Chama-lo de vizinho talvez seja exagero. Não moramos no mesmo prédio, tampouco na mesma rua, apenas dividimos uma faixa de ar, a uns trinta metros do chão, ele em seu prédio, eu no meu. Nessa estranha cumplicidade aérea, com as janelas por moldura, vou criando sua imagem, através de pequenos sinais.&lt;br /&gt;Durante a copa, por exemplo, na varanda onde agora as pobres mudas seguram o desproporcional ornamento luminoso – me fazem pensar em bebês com colares havaianos --, balançava uma bandeira do Brasil. Meu vizinho respeita as instituições. E vive o presente, como dizem por aí. De uma forma bem expansiva, aliás: até o fim da copa, assoprou um cornetão com tamanha fúria que cheguei a pensar que fossem as trombetas anunciando o apocalipse. (Talvez fossem mesmo e, pensando bem, certos eventos dos últimos meses até que fazem sentido, à luz do fim do mundo).&lt;br /&gt;O prédio do meu vizinho é todo moderno, igual a esses dos folhetos que entregam no farol. Tem uma piscina de uma raia só, sala de ginástica e, como dizia o tapume, na época da obra, trata-se de um “personal home”. Isso me intriga bastante: haverá algum lar que não seja pessoal? Talvez o termo signifique que os apartamentos tem apenas um quarto – ou dormitório, que é, paradoxalmente, o nome que o quarto tem enquanto ninguém dorme nele.&lt;br /&gt;Agora imagino o meu vizinho, solitário em seu personal home, com sua piscina de uma raia só, tentando fazer contato com cornetas, luzes e bandeiras. Sinto pena dele. Um pouco de culpa também, por tratá-lo com cinismo e superioridade. Afinal, não tem nada de errado em ser brasileiro na copa, natalino no natal.&lt;br /&gt;Acho que o solitário sou eu, que não me junto ao coro nacional de cornetas e rojões, não pisco na comunhão mundial de espírito natalino e luzinhas coreanas. Talvez eu sinta é inveja daquela janela, tão antenada com o resto do mundo, tão fiel ao calendário. Ele ali, defenestrando certezas e eu aqui, com minha janela deficitária, por onde só entram dúvidas e uma ou outra mariposa. Quanta pretensão, querer ser diferente... Papai Noel tá aí, gente, é uma realidade. Jingle bell, meu caro vizinho – e que venha o carnaval.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-3562575443693857844?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/3562575443693857844/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=3562575443693857844&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3562575443693857844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3562575443693857844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/10/janela-indiscreta.html' title='Janela indiscreta'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-1262338292281842892</id><published>2007-10-24T22:57:00.001-07:00</published><updated>2007-10-24T22:57:33.216-07:00</updated><title type='text'>Time is honey</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“No mais, tudo é menor. O socialismo, a astrofísica, a especulação imobiliária, a ioga (...) O homem só tem duas missões importantes: amar e escrever à máquina. Escrever com dois dedos e amar com a vida inteira”&lt;br /&gt;Antonio Maria&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucas coisas neste mundo são mais tristes do que um bolo industrializado. Ali no supermercado, diante da embalagem plástica histericamente colorida, suspiro e penso: estamos perdidos. Bolo industrializado é como amor de prostituta, feliz natal de caixa automático, bom dia da Blockbuster. É um anti-bolo.&lt;br /&gt;Não discuto aqui o gosto, a textura, a qualidade ou abundância do recheio de baunilha, chocolate ou qualquer outro sabor. (O capitalismo, quando se mete a fazer alguma coisa, faz muito bem feito). O problema não é de paladar, meu caro, é uma questão de princípios. Acredito que o mercado de fato melhore muitas coisas. Podem privatizar a telefonia, as estradas, as siderúrgicas. Mas não toquem no bolo! Ele não precisa de eficiência. Ele é o exemplo, talvez anacrônico, de um tempo que não é dinheiro. Um tempo íntimo, vagaroso, inútil, em que um momento pode ser vivido no presente, pelo que ele tem ali, e não como meio para, com o objetivo de.&lt;br /&gt;Engana-se quem pensa que o bolo é um alimento. Nada disso. Alimento é carboidrato, é proteína, é vitamina, é o que a gente come para continuar em pé, para ir trabalhar e pagar as contas. Bolo não. É uma demonstração de carinho de uma pessoa a outra. É um mimo de avó. Um acontecimento inesperado que irrompe no meio da tarde, alardeando seu cheiro do forno para a casa, da casa para a rua e da rua para o mundo.  É o que a gente come só para matar a vontade, para ficar feliz, é um elogio ao supérfluo, à graça, à alegria de estarmos vivos.&lt;br /&gt;A minha geração talvez seja a primeira que pôde crescer e tornar-se adulto sem saber fritar um bife. O mercado (tanto com m maiúsculo como minúsculo) nos oferece saladas lavadas, pratos congelados, comida desidratada, self-services e deliverys. Cortar, refogar, assar e fritar são verbos pretéritos.&lt;br /&gt;Se você acha que é tudo bem, o problema é seu. Eu vou espernear o quanto puder. Se entregarmos até o bolo aos códigos de barras, estaremos abrindo mão de vez da autonomia, da liberdade, do que temos de mais profundamente humano. Porque o próximo passo será privatizar as avós, estatizar a poesia, plastificar o amor, desidratar o mar e diagramar as nuvens. Tô fora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-1262338292281842892?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/1262338292281842892/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=1262338292281842892&amp;isPopup=true' title='18 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1262338292281842892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1262338292281842892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/10/time-is-honey.html' title='Time is honey'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-8184476541609696015</id><published>2007-10-24T22:54:00.001-07:00</published><updated>2007-10-24T22:54:40.602-07:00</updated><title type='text'>O Brasil na faixa</title><content type='html'>Como muitos brasileiros, eu também andava por aí, cabisbaixo e macambúzio, a chutar tampinhas de garrafa e maldizer a vida, o governo, o mal-tempo e o técnico da seleção. Foi quando conheci o PSTM: Partido do Socialismo Tranqüilo e Moreno. Não se trata de mais uma nova sigla, fadada às velhas maracutaias: o PSTM tem um projeto civilizatório. Ou descivilizatório, como verá o amigo.&lt;br /&gt;Quem me trouxe a luz da sabedoria foi um dos fundadores da agremiação, o ilustre professor Eduardo Correia. Mais tarde, um de seus discípulos, o Dr. Marcelo Behar, me pôs à par de todos os detalhes. (Eduardo fuma cachimbo, Dr. Behar trabalha de terno, de forma que não se pode duvidar da seriedade dos dois patrícios). O projeto do PSTM é de uma simplicidade tão grande (ou de uma grandeza tão simples), que cheguei a gargalhar de felicidade ao conhecê-lo. Veja só: pega-se a extensão da faixa litorânea brasileira e divide-se pelo número de habitantes. O resultado é esplendoroso: 50 m de areia branca para cada cidadão. Chega de tentarmos ocupar o cerrado, povoar a caatinga, adentrar aquelas imensidões ermas. Já temos o sertão mítico de Euclides da Cunha e Guimarães Rosa para nosso desfrute. Para que queremos o real?&lt;br /&gt;Com o PSTM o Brasil não vai pra frente, mas pro lado. Cada cidadão terá direito à sua faixa de areia e mais uns 200 metros de terra para dentro do país, apenas o suficiente para plantar uns coqueiros que dão coco, umas palmeiras onde cante o sabiá e o que mais lhe aprouver. A Amazônia e o Pantanal nós vendemos para a Europa, que já destruiu tudo o que tinha por lá e, cheia de culpa e de olho gordo nas patentes biológicas, irá cuidar das florestas. (Se não cuidar, também, já não será mais problema nosso). Os pampas a gente dá pra Argentina, em troca de carne, doce de leite, psicanalistas e centroavantes. O resto, vendemos para os EUA, que farão parques temáticos, resorts, campos de golfe e testes com armas nucleares.&lt;br /&gt;Com o dinheiro da venda construiremos um SESC à cada tantos quilômetros, uns barzinhos que ofereçam peixe frito e cerveja gelada, uma linha de trem norte-sul para visitarmos amigos e parentes e sustentaremos uma ou duas gerações de vagabundos. Deitados eternamente em berço esplêndido (as cangas), poderemos enfim nos dedicar ao ócio, ao samba, ao futebol, à culinária e às grandes questões existenciais. Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor. Chegou a hora de assumirmos nossa vocação de Chile Atlântico. Chegou a hora de sermos felizes para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-8184476541609696015?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/8184476541609696015/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=8184476541609696015&amp;isPopup=true' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/8184476541609696015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/8184476541609696015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/10/o-brasil-na-faixa.html' title='O Brasil na faixa'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-4225447980925819317</id><published>2007-10-22T00:33:00.001-07:00</published><updated>2007-10-22T00:33:55.343-07:00</updated><title type='text'>Cruzamento</title><content type='html'>(publicado no Guia do estadão)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou para o dentista, duas da tarde, meu carro corta com esforço a geléia modorrenta em que o ar se transformou esses dias. Um casal de adolescentes começa a atravessar a rua, de mãos dadas, à minha frente. Eles dão uma olhada para o meu carro, de leve, calculando. A garota faz menção de apressar o passo, o garoto a dissuade com um olhar de esguelha e, talvez, um discretíssimo aperto na mão. Eles seguem seu ritmo, lento, rumo a outra calçada.&lt;br /&gt;Se nenhum de nós mudarmos nossas velocidades, acabarei por atropelá-los. É evidente que eles sabem disso, como é evidente que isso não acontecerá, pois eu venho devagar e basta pisar de leve no freio e pronto, saímos todos, são e salvos, eu para o dentista e eles para a casa dos pais de um deles, onde se deitarão numa cama de solteiro, embaixo de uma parede cheia de fotos e posteres e frases de canetinha hidrocor tipo Ju-eu-te-amo-amiga!, e descobrirão que a vida é boa.         Este pequeno acontecimento me atinge em algum calo das minhas neuroses urbanas. Irrito-me porque eles fingiram que a velocidade deles estava certa, mas sabem que, se não morreram atropelados, é porque eu diminuí o ritmo. Mais ainda, talvez, porque o garoto passou para a menina a idéia, naquele olhar fugaz, de que com ele ela estava segura, de que era só confiar e tudo daria certo, eles chegariam ao outro lado da rua, depois ao outro lado do mundo, se quisessem, e seriam felizes para sempre. Mas foi o tiosão aqui quem tornou a travessia possível.&lt;br /&gt;Percebo então que quem atravessou a rua à minha frente não foi um casal de adolescentes, foi a adolescência em si. E quem freou o carro não fui eu, mas a idade adulta. Pois é assim que a adolescência lida com o mundo. Não capitula: arrisca, peita. “Imagina, se eu mudo meu ritmo, o mundo é que se acostume a ele!”, e porque os adolescentes têm um anjo protetor dos mais poderosos, ou, pelo menos, uma sorte do tamanho de um bonde, acontece de chegarem, quase sempre, sãos e salvos do outro lado da rua.&lt;br /&gt;Já a idade adulta pondera, põe o pé no freio quando convém, faz concessões ao mundo, dirige afinado com a sinfonia dos outros, dentro dessa outra geléia modorrenta cujo nome, hoje, soa tão adolescente: sistema. E por isso me irrito, porque ali, naquela rua, diminuindo meu ritmo, me percebo velho, adequado, apascentado. Eles vão no ritmo deles, a realidade que se vire e é assim, distraídos, que mudam o mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-4225447980925819317?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/4225447980925819317/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=4225447980925819317&amp;isPopup=true' title='15 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4225447980925819317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4225447980925819317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/10/cruzamento.html' title='Cruzamento'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-174165797454439014</id><published>2007-10-22T00:32:00.000-07:00</published><updated>2007-10-22T00:33:09.791-07:00</updated><title type='text'>Murundu</title><content type='html'>(Publicado no guia do estado)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que ouço no rádio esses boletins sobre o trânsito, sinto um leve tremor nas pernas.  Não é o jargão descolado da repórter que me enerva, quando tenta quebrar o clima protocolar da narrativa com gírias como “a Jacu Pêssego vai embaçada nos dois sentidos” ou “a Jusselino Kubitchek rola sussa na região do Itaim”, mas a certeza de que, numa dessas tardes perfumadas pelo monóxido de carbono ouvirei, enfim, o boletim derradeiro de nossa civilização: a notícia de que o trânsito parou de vez.&lt;br /&gt;O repórter dirá que a Marginal “está zoada” até a Dutra, a Dutra “show de horror” até o Rio de Janeiro, de onde ninguém se move até a Bahia porque pela BR 101, “mó treta”, carro já não anda, e assim sucessivamente, passando (ou melhor, não passando) por Bogotá, Manágua, Cidade do México, Vermont, até chegar na ponta do Alaska, onde um daqueles enormes caminhões americanos, se for mais um centímetro para trás, fará companhia às focas, no fundo do mar gelado. (No meio da tarde, quem sabe, haverá um boato de que existe uma maneira de ir de Pinheiros aos Jardins passando pelo Chile, mas logo será desmentido).&lt;br /&gt;Chefes de Estado se reunirão em alguma ilha do Atlântico, com matemáticos, físicos e os últimos três campeões mundiais de Cubo Mágico, para debater a situação. O presidente dos EUA, dizendo que o caminhão do Alaska não pode se mexer, pedirá ao líder argentino para que a Combi na pontinha da Patagônia dê uma ré e tente ir alguns centímetros para a esquerda. Aí, quem sabe, todo mundo ande, mas Argentina, com o apoio do Mercosul, alegará que se for para trás a Combi também acabará fazendo companhia aos pinguins e, para a esquerda, de qualquer maneira, está o Chevete dourado de um paraguaio chamado Nestor, cujo motor, para piorar a situação, fundiu-se. De maneira que, todos se darão conta, o murundu rodoviário é insolúvel.&lt;br /&gt;A solução virá, provavelmente, de um desses economistas americanos da moda: aterra tudo. Dessa forma, milhões de empregos serão gerados e uma das mais graves consequências do efeito estufa será neutralizada: quando as calotas polares derreterem, ninguém ficará com as canelas n’água, pois viveremos todos um andar acima. Nesse dia, a verdade tantas vezes proclamada deverá, por fim, ser aceita até pelos idosos de esquerda: com o capitalismo, mais cedo ou mais tarde, o nível de vida haveria de subir para todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-174165797454439014?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/174165797454439014/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=174165797454439014&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/174165797454439014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/174165797454439014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/10/murundu.html' title='Murundu'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-4972965681150887446</id><published>2007-10-22T00:30:00.000-07:00</published><updated>2007-10-22T00:32:17.227-07:00</updated><title type='text'>A gostosa</title><content type='html'>(Publicado no Guia do Estadão)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que entro num recinto público -- pode ser padaria, cartório, açougue ou velório – olho em volta, procurando a gostosa. Não o faço por desejo, carência, narcisismo ou outro simples reflexo de minha banal condição masculina. A gostosa é um acontecimento literário.&lt;br /&gt;Ela pode ser loira ou morena, alta ou baixa, preta, branca, japonesa ou búlgara, não importa: a gostosa é um estado de espírito. Ou, se preferirem outra palavra, tão esgarçada por programas de esporte, revistas jovens e propagandas de achocolatados: uma atitude.&lt;br /&gt;Hoje fui ao cartório. Havia ali, sentada, entre os motoboys e os aposentados, a esperar sua senha apitar no painel, uma mulher que parecia a Claudia Cardinale em Era uma vez no Oeste. Estava discretamente vestida, de cabelo preso, xale sobre os ombros.&lt;br /&gt;Não era a gostosa.  A gostosa não deixa dúvidas. Chegou cinco minutos depois, de calça jeans desbotada agarrada à bunda, combinando com um top apertado que espremia os peitos e deixava entrever um soutien preto.&lt;br /&gt;Assim que entra, com seu rebolar, o cheiro do perfume e o movimento dos cabelos ela emite a todos, como que por telepatia, a incontornável informação: atenção, a gostosa chegou.&lt;br /&gt;Muda tudo. Cada um sabe exatamente qual o seu lugar social diante da gostosa. O aposentado de jaqueta bege olha de soslaio e, quase triste, suspira. As moças do cartório franzem imperceptivelmente a sobrancelha, regozijando-se de suas virtudes feitas de crachás, cafés e conjuntinhos pretos. Um rapaz de óculos, meio nerd, olha pro teto, olha pro chão, as mãos lhe sobram. Todos arriscam um olhar em direção à gostosa, mas ela dá penas uma conferida panorâmica, mascando o chiclete -- displicentemente, como quem macera corações -- e retira a senha.&lt;br /&gt;Então, do conjunto desconjuntado de homens, do meio dos aposentados e míopes, dos barrigudos e coxos, dos médios, dos graves e dos agudos, surge o Macho da Gostosa. Pode ser um motoboy bem apessoado, um playboy, um pequeno empresário novo-rico de correntinha de ouro. Não acontece nada. Eles apenas se olham e, tacitamente, todos sabem, a gostosa é dele. Tristeza para alguns, alívio para outros. Depois a gostosa vai para um lado, ele pro outro, não sobra ali nenhum ator daquelas bem ensaiadas cenas, apenas um perfume doce no ar e a voz da mocinha virtuosa chamando o próximo: cinquenta e quatro, cinco quatro!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-4972965681150887446?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/4972965681150887446/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=4972965681150887446&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4972965681150887446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4972965681150887446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/10/gostosa.html' title='A gostosa'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-8956931331699729133</id><published>2007-10-22T00:28:00.000-07:00</published><updated>2007-10-22T00:29:09.599-07:00</updated><title type='text'>100% classe média</title><content type='html'>(publicado no Guia do estado)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós somos ricos?, perguntei à minha mãe, aos cinco anos. Eu achava que sim. Afinal, para mim, os pobres eram aquelas pessoas que eu via com uma prematura angústia, através do vidro de nosso Passat verde musgo, na pequena favela da Juscelino Kubitschek, perto de casa.    Minha mãe disse que não éramos ricos nem pobres, éramos de classe média.&lt;br /&gt;Achei o termo meio nebuloso e confesso que só fui entendê-lo realmente, em suas profundas implicações sócio-econômico-culturais, na última terça, durante o banho, quando o vizinho de cima deu a descarga e a minha água pelou. Eu gritei um palavrão, abri mais a torneira e, enquanto as costas voltavam a uma temperatura suportável, pensei: ah, então é isso.&lt;br /&gt;         Ser de classe média significa ter uma proximidade compulsória com os outros e, consequentemente, estar em constante negociação com o mundo. Afinal, você não está entre a minoria que faz as regras, nem junto à massa que apenas as seguem. Eu não imagino, por exemplo,  o Antonio Ermírio numa reunião de condomínio, secando o rosto com um lenço e dizendo, exaltado: “nem vem, Dona Arminda, a vaga do 701 já tava prometida pra mim faz tempo, a senhora devia era cuidar do Arthur que faz um escarcéu com o patinete no playground bem depois das dez”.&lt;br /&gt;         Depois que minhas costas pelaram, comecei a me ver classe média a toda hora. Restaurante por quilo, por exemplo. Tem coisa mais classe média? Tudo bem, posso dizer que sou de uma classe média intelectualizada – o que significa que não ponho feijoada e sushi no mesmo prato --, mas seria ridículo negar minhas origens, na fila, diante de uma cestinha contendo “palha italiana” e ouvindo o mantra diário do capitalismo nosso de cada dia: “crédito ou débito?”&lt;br /&gt;Rico não come em quilo nem morto. Ou você consegue imaginar, digamos, Paulo Skaff botando aquele tempero pronto para salada nuns ovinhos de codorna, enquanto aguarda um bigodudo gordo liberar o réchaud de croquetes?&lt;br /&gt;         Se um dia tiver de responder a um filho a pergunta que fiz à minha mãe, darei a explicação que ouvi de um comediante americano na televisão: “se no trabalho seu nome está escrito na roupa, você é pobre. Se o nome está escrito na mesa, você é de classe média. E se estiver escrito no prédio, você é rico”. Mas isso é coisa para me preocupar daqui a muitos anos. Urgente mesmo é, na próxima reunião de condomínio, colocar na pauta a questão da descarga do 204. 100% classe média.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-8956931331699729133?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/8956931331699729133/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=8956931331699729133&amp;isPopup=true' title='12 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/8956931331699729133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/8956931331699729133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/10/100-classe-mdia.html' title='100% classe média'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-9052713957261830715</id><published>2007-10-16T10:19:00.000-07:00</published><updated>2007-10-16T10:21:18.728-07:00</updated><title type='text'>Seleta coletiva</title><content type='html'>(para o Guia do Estado)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca vi a vizinha. Desde que ela se mudou para o apartamento ao lado, faz alguns meses, minha imaginação alimenta-se apenas do que deposita ao pé do lixo comum, na curva da escada.&lt;br /&gt;Na noite em que se mudou, houve uma festa. Ou open house, como dizem agora. Não de arromba, com YMCA acordando os palmeirenses e professores universitários de Perdizes, no meio da madrugada. Somente música suave, risos e vozes cruzavam a parede da sala -- altas o suficiente para aguçar a minha curiosidade, baixas demais para satisfazê-la.&lt;br /&gt;No dia seguinte, topei com dez garrafas de Veuve Clicquot, ao lado do lixo. Minha vizinha é fina, pensei, sem evitar que uma medíocre ponta de orgulho cutucasse minha alma barnabé: o condomínio está progredindo.&lt;br /&gt;Algumas semanas depois, uma sexta-feira, cheguei tarde em casa: ouvi o burburinho. Confesso, envergonhado: mal fechei a porta, colei a bochecha na parede, na esperança de captar alguma pista sobre a moradora ao lado. Prédio antigo, paredes grossas -- dessas que não fazem a alegria de empreiteiras mesquinhas ou viúvas alcoviteiras -- ouvi apenas ruído. Tudo bem, pensei: no dia seguinte, na curva da escada... Quatro garrafas de bom vinho argentino, dentro de uma sacola da importadora Mistral, três caixas de pizza, um saquinho com cascas de lichia.&lt;br /&gt;Aí a coisa azedou. Enquanto, do lado de cá da parede, malbecs e lichias eram o teto da sofisticação, coisa para jantar romântico em começo de namoro, trinta centímetros de tinta, massa corrida e tijolos para lá não passavam de acompanhamento para a pizza de sexta. O ressentimento cravou sua tachinha na bunda de minha condição AB. Vieram-me à cabeça – talvez para dar à inveja o verniz que faltava a meus hábitos de consumo – uns versos de Drummond: “não sei se estou sofrendo/ ou é alguém que se diverte (...)” – mais do que eu, pelo menos – “na noite escassa”.&lt;br /&gt;Nunca vi a vizinha. Ignoro se é alta, ruiva, presidenta do Lions Club ou aborígene australiana, mas ultimamente percorro apressado os três metros que me separam do lixo bege. Não quero que ela, vendo através da sacola verde do Pastorinho umas latas de Skol amassadas, cascas de mexerica e potes de Yakult, pense que não sou digno de sua vizinhança. Ou, mais grave: se ache melhor do que eu. Afinal, nada, vindo de um vizinho, pode ser pior do que isso -- nem mesmo YMCA, no meio da madrugada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-9052713957261830715?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/9052713957261830715/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=9052713957261830715&amp;isPopup=true' title='16 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/9052713957261830715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/9052713957261830715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/10/seleta-coletiva.html' title='Seleta coletiva'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-5771857615769061867</id><published>2007-09-26T14:46:00.000-07:00</published><updated>2007-09-26T14:47:00.138-07:00</updated><title type='text'>Apocalipse 2.0</title><content type='html'>Como bem sabem os tementes a Deus, mais dia, menos dia, Jesus voltará. Abrirá os sete selos, sete anjos surgirão no céu, tocarão sete trombetas e aí, meu amigo, a coisa vai ficar realmente cabulosa para quem não fez a lição de casa. &lt;br /&gt;A linguagem bíblica, no entanto, é muito cifrada: anjo não é bem anjo, selo não é selo e trombeta não é trombeta. Eu, como bom paranóico, estou sempre atento aos sinais. Foi assim que me dei conta, hoje cedo, de que o apocalipse já havia chegado. Pelo menos no meu escritório.&lt;br /&gt;Às sete trombetas dão-se os nomes de E-mail, MSN, celular, telefone, Orkut, Google Talk e SMS. Cada um tem um barulinho diferente, todos o mesmo intuito: interromper o fluxo do meu pensamento, inviabilizar o trabalho, sabotar o amor, picar a outrora lenta e introspectiva narrativa das minhas tardes como cebola para um refogado.&lt;br /&gt;Não consigo fazer mais nada. Passo os dias aflito, respondendo um “olá” de Natal, um “tá aí?” de Pinheiros, um “quanto tempo” do pré-primário e outros amistosos cutucões proporcionados por Bill Gates, Graham Bell e pela insaciável sociabilidade de nossa gente . É o fim dos tempos.&lt;br /&gt;Outra noite tive um pesadelo que ilustrava bem o meu atoleiro eletrônico-social. Eu tentava escrever um texto, enquanto empurrava com um rodo um espesso mingau que entrava por debaixo da porta, pelas frestas das janelas, pelos furos das tomadas. Debalde: a gosma invasiva voltava, sempre, como a pedra de Sísifo.&lt;br /&gt;Sísifo, no entanto, foi condenado pelos deuses a empurrar eternamente aquela rocha morro acima. Já o bocó aqui aderiu de livre e espontânea vontade a todas as formas de bips, plins, trrrrlins e tum tuns disponíveis no mercado. Por que? Não sei.&lt;br /&gt;Agora mesmo, entre o fim do último parágrafo e o começo deste, fiz pela décima vez no dia o triste triatlon da carência virtual: e-mail-orkut-anti-spam. Que scrap é esse que espero encontrar no Orkut? Que pessoa misteriosa aguardo no MSN? Que mensagem redentora buscamos, eu e a boa parcela da humanidade, conectados às trombetas eletrônicas?&lt;br /&gt;Só pode ser Jesus, minha gente. Qualquer dia desses, receberemos um scrap do Cordeiro, ou quem sabe uma mensagem via SMS, MSN, Google Talk, telemarketing e e-mail, anunciando a Sua volta. O juízo final chegará com winks e emoticons. E ai de quem não tiver feito lição de casa, estiver off-line, sem sinal ou deixar de conferir o anti-spam...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-5771857615769061867?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/5771857615769061867/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=5771857615769061867&amp;isPopup=true' title='47 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5771857615769061867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5771857615769061867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/09/apocalipse-20.html' title='Apocalipse 2.0'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>47</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-1503682077364159192</id><published>2007-09-17T15:46:00.000-07:00</published><updated>2007-09-17T15:47:48.742-07:00</updated><title type='text'>Mulher pelada</title><content type='html'>(crônica para a Capricho)&lt;br /&gt;Toda sexta-feira ele chegava, num FIAT bege, para buscar a mim e a minha irmã. Pequenininhos, nos encaixávamos nos programas do pai separado e boêmio. Adorávamos: nos bares em que nos levava, éramos paparicados por mulheres bonitas e cheirosas, que riam alto e usavam roupas engraçadas. (Só muito mais tarde fui descobrir que a esse tipo de mulheres dá-se o nome de “atrizes”). Pedíamos coca, fanta e sprite e misturávamos tudo. Meu pai nos deixava comer pastéis, batatas-fritas, frango à passarinho e todo tipo de besteira, mandando por água abaixo, em minutos, toda a educação nutricional que minha mãe havia imposto durante a semana, com muito esforço, brócolis, sorrisos e papaias.&lt;br /&gt;         Nos períodos em que meu pai tinha alguma peça em cartaz, íamos ao teatro todo fim de semana.  Lá pelos meus cinco anos, estreou a peça Besame Mucho. Era encenada no teatro Cultura Artística. Fica ali perto da Augusta, em meio a várias casas de strip e outros estabelecimentos cheios de neons e mistério, que eu olhava fascinado. Chegava a sentir uma certa pena do meu pai: o teatro dele me parecia o ponto mais desanimado de toda a rua, ofuscado por fachadas de castelos medievais, onde portas espelhadas davam para corredores esfumaçados e coloridos.&lt;br /&gt;Perguntei o que eram aqueles lugares e meu pai disse que eram bares. Mas por que eram tão diferentes dos outros, em que comíamos frango a passarinho com Guara-cola? Meu pai explicou-me que naqueles bares havia mulheres peladas. Como?! Por que?! Do alto de minha meia década de existência, “mulher pelada” evocava a imagem de minha mãe ou irmã entrando ou saindo do banho, de toca na cabeça e toalha na mão. Não conseguia imaginar muito bem que razão levaria mulheres nuas a comer pastéis. Meu pai seguiu a explicação, deixando-me ainda mais confuso: homens que não tinham namorada pagavam para ver aquelas mulheres peladas. Imaginei uns caras tristes, barba por fazer, a preencher palavras-cruzadas e bebericar um chope, enquanto mães e irmãs nuas iam e vinham de chuveiros inexistentes. A coisa não fazia o menor sentido. Pedi para irmos a um daqueles bares. Meu pai explicou que era proibido para crianças. Pela primeira vez, alguma coisa pareceu-me lógica. Devia ser para evitar que víssemos aqueles homens tristes e sozinhos, perdidos entre neons e tocas de banho.&lt;br /&gt;Só vinte anos depois atravessei um daqueles corredores. As mulheres eram bem diferentes do que havia imaginado no meio de minha infância, mas os homens estavam lá, exatamente como eu os havia pintado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-1503682077364159192?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/1503682077364159192/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=1503682077364159192&amp;isPopup=true' title='22 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1503682077364159192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1503682077364159192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/09/mulher-pelada.html' title='Mulher pelada'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-4198841225076266645</id><published>2007-08-17T13:07:00.000-07:00</published><updated>2007-08-17T13:08:41.007-07:00</updated><title type='text'>O funk da pashmina. (Ou: da vulgaridade)</title><content type='html'>Segundo a pesquisa que li outro dia, os homens preferem loiras falsas às verdadeiras. A matéria tratava o resultado com assombro. Confesso que achei muito natural: afinal, loira falsa tem algo que a verdadeira, ao menos à primeira vista, não tem: vulgaridade. Nós, homens, apreciamos essa virtude.&lt;br /&gt;Posso ouvir, daqui, o grito de horror de uma leitora. Compreendo. No dicionário hierárquico feminino, vulgaridade é uma das últimas palavras, embolada, na zona de rabaixamento, com “celulites”, “pochete” e “torresminho”.&lt;br /&gt;Por que é que as moças odeiam tanto essa, digamos, postura diante da vida? Por que, meus caros, minhas caras, ela é o ponto central de uma contradição feminina. Para quem se emperiquitam as mulheres? Quem querem impressionar indo à academia, ao cabeleireiro, fazendo os pés e as mãos, usando vestidos, brincos, batons, ziriguiduns e balangandãs? Nós, homens, e as outras mulheres. Não necessariamente nessa ordem. E aí é que elas se estrepam, pois é impossível servir a dois deuses tão distintos.&lt;br /&gt;Homem gosta de barriga de fora, de calça apertada na bunda, de decotão. De fritura, açúcar, carne, cachaça. Somos explícitos. Essa pashmina é mesmo linda, meu bem, mas deixa ela de lado e se espraia aqui, toda center folder, no meu sofá. Esse negócio de ficar fantasiando, imaginando, isso é feminino.  Não é à toa que, numa mentalidade masculina média, de arquibancada, esse papo de arte é coisa de veado. (E todo homem, não importa quantas vezes ler Drummond ou assistir Antonioni, sempre terá uma mentalidade masculina média, de arquibancada, dentro de si).&lt;br /&gt;Se as mulheres quisessem apenas nos impressionar, sem se importar com as outras, o mundo seria um baile funk. Só ia dar calça da Gang e top pelas calçadas. Acontece que elas também competem entre si. E, na competição feminina, ganha quem consegue seu homem dentro do regulamento: ou seja, sem a tal da vulgaridade. Pois mulher valoriza elegância. Discrição. Sutileza. Existe um acordo tácito: ok, meninas, nós queremos esses homens, mas não vamos baixar o nível. Não vamos trair nossos valores. Vamos trazê-los até nós pelo que nós acreditamos ter de bom, não pelo que eles acham. É quase uma atitude política. Pedagógica, sem dúvida. E o que faz a mulher vulgar, que deixa as outras tremendo igual panela de pressão, chamando-a pelos mais baixos nomes de que dispõe a última flor do Lácio? Ela simplesmente ignora a batalha intra-gênero e parte para o ataque colocando na bandeja o que Deus lhe deu -- ou conseguindo na chapinha, no blondor, no bisturi ou na maquiagem o que Deus não deu. Ela trai a classe, vem jogar no nosso campo, segundo as nossas regras. Vulgaridade é o carrinho por trás do futebol feminino. É gol de mão.&lt;br /&gt;É roubo, mas não é blefe. E nesse ponto entra a loira falsa. A cor do cabelo não é verdadeira, mas ao imaginário masculino ela oferece algo extremamente genuíno e valioso: a expressa vontade de dar – that’s what vulgaridade is all about.&lt;br /&gt;Afinal, se os homens preferem as loiras e uma morena tornou-se uma delas, foi para agradar o gosto masculino. E assim que a tintura toca suas melenas, a moça imediatamente sai do time da pashmina e começa a rebolar “tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha”, no meio do salão.&lt;br /&gt;Evidente que não existe nenhuma ligação empírica entre tinturas capilares e desejo sexual. Mas nós, homens, somos toscos. Não pescamos sutilezas, detalhes, entrelinhas. Precisamos de sinais claros e nesse caso, assim como no trânsito, o amarelo significa: preste atenção. Imagem essa, aliás, de péssimo gosto. Bem masculina. Média. De arquibancada. Vulgar, sem nenhuma virtude. Perfeita para terminar o texto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-4198841225076266645?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/4198841225076266645/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=4198841225076266645&amp;isPopup=true' title='52 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4198841225076266645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4198841225076266645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/08/o-funk-da-pashmina-ou-da-vulgaridade.html' title='O funk da pashmina. (Ou: da vulgaridade)'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>52</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-355144942952569729</id><published>2007-08-15T12:24:00.000-07:00</published><updated>2007-10-16T10:25:17.434-07:00</updated><title type='text'>Dois e Dois</title><content type='html'>(crônica para o Guia do Estadão)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficar maduro talvez signifique deixar de lado as coisas para as quais a gente não leva jeito e dedicar-se àquelas em que há realmente alguma possibilidade de sucesso. Foi seguindo essa toada que desisti de ser astronauta aos oito, percebi que o futuro não estava no futebol lá pelos doze e perdi as baquetas e a ambição de ser baterista em alguma festa lá pelo terceiro colegial.&lt;br /&gt;Ficar mais maduro talvez signifique retomar essas atividades quando chegamos perto dos trinta -- e nos damos conta de que há muito mais coisas entre o céu e a Terra do que “possibilidade de sucesso”. Foi seguindo essa toada que, na última quarta, com as pernas bambas de alegria e um sorriso juvenil no rosto, contei um, dois, três, quatro e, cercado de outros seis ex-futuros músicos, deixei todas as frustrações explodirem nos pratos, nos três primeiros acordes de Don’t let me down, dos Beatles.&lt;br /&gt;A banda havia surgido uma semana antes, numa mesa de bar: uma dessas idéias que nos ocorrem depois da uma da manhã, quando o superego já está cantando a Jardineira, vestido de Pierrô, lá pros lados do Mandaqui e o saci começa a nos assoprar no ouvido desejos imprudentemente ambiciosos, como a morena da mesa ao lado ou a profissão de Ringo Starr. Como ficar mais maduro também significa perceber que a vida é curta e começar a levar a sério a imprudência, alugamos um estúdio, juntamos o punhado de alegres diletantes que há anos trocaram a alegria das cifras pela busca dos cifrões e, por algumas horas, fomos feliz para sempre.&lt;br /&gt;Quinta-feira próxima virá o segundo ensaio. Nesse exato momento, enquanto ouve a entrevista de um deputado, um repórter de política repassa mentalmente os acordes de Like a rolling stone. Um editor deixa de lado um autor russo do século XIX e assovia Amada Amante. Um poeta abandona a busca pelo oxímoro perfeito que defina o Brasil para decorar a letra de Último Romântico. Uma jornalista de economia interrompe a nota sobre a fusão de dois gigantes do etanol e imagina os movimentos de seu violino em Eleonor Rigby. Uma produtora fecha o Excel e ouve, pela sexta vez no dia, Não vou ficar, em seu I-pod. Um escritor em Santa Cecília confunde as teclas do teclado com as do piano e outro, aqui em Perdizes, julga ouvir um prato toda vez que aperta o enter.&lt;br /&gt;Ficar maduro talvez signifique, entre outras coisas, cantar a sério o que anos atrás só encararíamos sob as grosas malhas da ironia. Tocamos mal, mas somos felizes. Tudo certo – como dois e dois são cinco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-355144942952569729?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/355144942952569729/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=355144942952569729&amp;isPopup=true' title='14 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/355144942952569729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/355144942952569729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/08/dois-e-dois.html' title='Dois e Dois'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-4590366012208287845</id><published>2007-07-17T00:27:00.000-07:00</published><updated>2007-07-17T00:32:42.743-07:00</updated><title type='text'>O SALTO</title><content type='html'>(crônica para a revista Capricho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente não tem como saber se vai dar certo. Talvez, lá adiante, haja uma mesa num restaurante, onde você mexerá o suco com o canudo, enquanto eu quebro uns palitos sobre o prato -- pequenas atividades às quais nos dedicaremos com inútil afinco, adiando o momento de dizer o que deve ser dito. Talvez, lá adiante: mas entre o silêncio que pode estar nos esperando então e o presente -- você acabou de sair da minha casa, seu cheiro ainda surge vez ou outra pelo quarto –, quem sabe não seremos felizes? Entre a concretude do beijo de cinco minutos atrás e a premonição do canudo girando no copo pode caber uma vida inteira. Ou duas.&lt;br /&gt;Passos improvisados de tango e risadas, no corredor do meu apartamento. Uma festa cheia de amigos queridos, celebrando alguma coisa que não saberemos direito o que é, mas que deve ser celebrada. Abraços, borrachudos, a primeira visão de seu necessaire (para que tanto creme, meu Deus?!), respirações ofegantes, camarões, cafunés, banhos de mar – você me agarrando com as pernas e tapando o nariz, enquanto subimos e descemos com as ondas -- mãos dadas no cinema, uma poltrona verde e gorda comprada num antiquário, um tatu bola na grama de um sítio, algumas cidades domesticadas sob nossos pés, postais pregados com tachinhas no mural da cozinha e garrafas vazias num canto da área de serviço. Então, numa manhã, enquanto leio o jornal, te verei escovando os dentes e andando pela casa, dessa maneira aplicada e displicente que você tem de escovar os dentes e andar ao mesmo tempo e saberei, com a grandiosa certeza que surge das pequenas descobertas, que sou feliz.&lt;br /&gt;Talvez, céus nublados e pancadas esparsas nos esperem mais adiante. Silêncios onde deveria haver palavras, palavras onde poderia haver carinho, batidas de frente, gritos até. Depois faremos as pazes. Ou não?&lt;br /&gt;Tudo que sabemos agora é que eu te quero, você me quer e temos todo o tempo e o espaço diante de nossos narizes para fazer disso o melhor que pudermos. Se tivermos cuidado e sorte – sobretudo, talvez, sorte -- quem sabe, dê certo? Não é fácil. Tampouco impossível. E se existe essa centelha quase palpável, essa esperança intensa que chamamos de amor, então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo -- o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão --, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-4590366012208287845?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/4590366012208287845/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=4590366012208287845&amp;isPopup=true' title='66 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4590366012208287845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4590366012208287845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/07/o-salto.html' title='O SALTO'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>66</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-7027708633855887572</id><published>2007-07-06T11:11:00.000-07:00</published><updated>2007-07-06T11:12:42.893-07:00</updated><title type='text'>A gente se viramos como podemos...</title><content type='html'>Vendo:&lt;br /&gt;Marciano Erótico e Zé Celso. Pouco uso. Único dono. Bom estado. Tratar por este Blog. Preço a negociar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-7027708633855887572?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/7027708633855887572/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=7027708633855887572&amp;isPopup=true' title='15 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7027708633855887572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7027708633855887572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/07/gente-se-viramos-como-podemos.html' title='A gente se viramos como podemos...'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-8604583758739060624</id><published>2007-07-04T17:28:00.000-07:00</published><updated>2007-07-04T17:30:02.051-07:00</updated><title type='text'>SOBRE ESSA POUCA VERGONHA DO MEU BLOG</title><content type='html'>Gente linda do meu Brasil, perdoem o abandono, as teias de aranha, o pó acumulado sobre os posts antigos e as fotos amareladas que já se despregam da tela do computador e caem sobre vossos brilhantes teclados. Acontece que eu estou escrevendo o ROMANCE e isso me (preparem-se porque eu vou escrever uma palavra ridícula e chavão de escritor fazendo pose e um e dois e lá se vão os) absorve completamente. Vim até para um sítio, para me afastar de todas as coisas boas e ruins (as boas, principalmente) que se interpõem entre mim e ele, o livro, meu senhor.&lt;br /&gt;Pois é assim que me sinto. Sou escravo desse troço. Como disse Vargas Llosa num livro que estou lendo (cartas a um jovem romancista, ou seja, a mim) é como ter uma tênia, a rainha das lombrigas, dentro do intestino. Tudo o que eu como, faço, penso, vejo e sinto vai parar na bicha. E a bicha é o ROMANCE. Com todo respeito às bichas, às tênias e aos ROMANCES.&lt;br /&gt;Pois então é isso. É uma coisa ou outra. Na verdade é só uma coisa e nada mais. Não fui pra FLIP, abandonei amigos, mulher, crianças, netos, plantas, meu canário belga e a bebida só para servir a esse senhor totalitário, o ROMANCE.&lt;br /&gt;De vez em quando, se ele deixar, prometo vir aqui e contar alguma coisa. E como desculpa por minha longa ausência, segue abaixo a coluna que sairá sexta no guia do estadão.&lt;br /&gt;Até mais, senhoras e senhores, se Deus (o ROMANCE) quiser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-8604583758739060624?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/8604583758739060624/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=8604583758739060624&amp;isPopup=true' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/8604583758739060624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/8604583758739060624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/07/sobre-essa-pouca-vergonha-do-meu-blog.html' title='SOBRE ESSA POUCA VERGONHA DO MEU BLOG'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-1034115982410233615</id><published>2007-07-04T17:16:00.000-07:00</published><updated>2007-07-04T17:28:53.088-07:00</updated><title type='text'>Toli Tolá</title><content type='html'>Eu gostava de vê-lo abordar uma mesa. Num primeiro momento, as pessoas o recebiam com aquela armadura de cinismo que todo paulista veste ao sair de casa, para impedir que os exércitos de flanelinhas e pedintes arranquem duas ou três moedas do fundo de nossa culpa. Ele não parecia se importar. Com uma alegria infantil, o Carlitos barbudo ia  tirando os bonequinhos da bolsa e anunciando-os um a um: Marciano Erótico! Zé Celso! O Pássaro do Milênio! Toli toli Tolá! Inconsciente coletivo! Delirum Tremens!&lt;br /&gt;Em poucos segundos os escudos e capacetes iam sendo postos de lado, junto às bolsas e casacos. O pessoal começava a sorrir. Percebia que Armando era um artesão de títeres, cuja existência não tinha nada a ver com a desgraça brasileira -- de onde brotam crianças vendendo balas às três da manhã e adultos oferecendo incensos e “cigarrinhos naturais” por trás de suas olheiras. Tratava-se, sim, de um Calder com seu circo particular, mais filho da graça do que da necessidade.&lt;br /&gt;Tenho um Zé Celso e um Marciano Erótico, que vivem há alguns anos em harmonioso enlace, na estante de livros do escritório. Meu inconsciente coletivo perdeu-se em alguma mudança, ou talvez esteja escondido no fundo de uma gaveta – morada perfeita, aliás, para um boneco com tal nome.&lt;br /&gt;Apesar de nos cruzarmos pelo menos uma vez por mês, há mais de dez anos, Armando não tinha a mais vaga idéia de quem eu fosse e tampouco via muita graça em minhas sugestões: por que não fazer um Gerald Thomas para acompanhar o Zé Celso? (Podia vir com calça retrátil, dando as opções bunda pra dentro, bunda pra fora). Um Malufinho para a gente fazer vodu? Um Renan com seu boizinho dos ovos de ouro? Ele apenas sorria, dizia que ia sugerir à mulher e saía com sua bicicleta, monsieur Hulot da Vila Maria, em direção a outros bares, repetindo suas apresentações, que acabavam invariavelmente com o bordão: compra um?!&lt;br /&gt;Eu o conhecia como “o Toli Tolá”, devido a música que cantava ao apresentar da cobrinha. Só soube seu nome verdadeiro ao receber de uma amiga, por SMS, a notícia de sua morte – prematura, eu diria, se não o fossem todas.&lt;br /&gt;Sugiro que o dono de algum bar dê a ele a maior glória que um ser humano pode almejar: atingir a imortalidade virando sanduíche. Seu Armando ou Toli Tolá, se aqui estivesse, gostaria da homenagem e diria, abrindo os braços e sorrindo: come um?!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-1034115982410233615?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/1034115982410233615/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=1034115982410233615&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1034115982410233615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1034115982410233615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/07/toli-tol.html' title='Toli Tolá'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-4797343690803738781</id><published>2007-06-15T16:24:00.000-07:00</published><updated>2007-06-15T16:25:31.039-07:00</updated><title type='text'>VOVÓ JÁ SENTIU VOLÚPIA</title><content type='html'>(Publicado no Guia do Estadão)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acredito em Deus, destino, karma ou qualquer outro nome  a conduzir “a carroça de tudo pela estrada de nada”, como disse Fernando Pessoa. Penso que o córtex frontal, o placar do futebol e a floração das cerejeiras são resultado de algumas regras básicas da natureza e do bom, velho e desinteressado acaso.&lt;br /&gt;Tal postura não faz de mim um pessimista resmungão, muito pelo contrário: não crer que haja qualquer roteiro por trás dos eventos deixa-me constantemente assombrado diante dos fatos inexplicáveis da vida. Por exemplo: há na rua Padre João Manuel, num muro do Conjunto Nacional, a seguinte pixação: “Vovó já sentiu volúpia”. A primeira vez que a vi, devia ter uns oito anos de idade. De lá pra cá, avenidas foram construídas, o Carandiru foi demolido, bairros inteiros surgiram do nada, a minha casa recebeu umas dez demãos de tinta, a livraria Cultura mudou-se, o Cinearte virou Bombril, mas a frase permanece, misteriosamente intocada.&lt;br /&gt;Há uns vinte anos, reflito:  qual o seu significado? Será uma pixação avulsa? Ou parte de uma série de outras questões sobre o sexo e o tempo espalhadas pela cidade, tipo “A menopausa espera pelo bebê”, “Amanhã ainda será ontem” ou “espermatozóides já são calvos”? Mais ainda: como, em São Paulo, num muro tão nobre e a despeito de chuvas ácidas, empreiteiros gananciosos e Vaporetos exterminadores, a vovó pode seguir exibindo sua ex-volúpia, sem ser incomodada?&lt;br /&gt;Outro dia, passando pela Al. Santos, vi que haviam construído no muro uma porta de metal. Corri até lá e me dei conta – consternado como um arqueólogo diante das estátuas destruídas no Afeganistão – de que haviam mutilado um pedaço da volúpia.&lt;br /&gt;No pasarán!, sussurrei para minha esfinge sem nariz, já ciente do iria fazer: entrar com um pedido de tombamento no IPHAN. Afinal, uma pixação de vinte anos está para a história da cidade como um prédio de duzentos. Acho importante a sua manutenção, não só arquitetonicamente, mas por seu conteúdo, digamos assim -- hum, hum --, simbólico. São Paulo é um caos, os sobrados morrem pisoteados pelos horrores neoclássicos, as margens das represas são invadidas, os rios são esgotos, mas a volúpia da vovó permanece, inscrita em vermelho, em área nobre, since (mais ou menos)1987. Não é um consolo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-4797343690803738781?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/4797343690803738781/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=4797343690803738781&amp;isPopup=true' title='29 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4797343690803738781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4797343690803738781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/06/vov-j-sentiu-volpia.html' title='VOVÓ JÁ SENTIU VOLÚPIA'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>29</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-4749575887279809910</id><published>2007-06-13T11:47:00.000-07:00</published><updated>2007-06-13T11:50:39.531-07:00</updated><title type='text'>DISTOPIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/RnA71vw-GAI/AAAAAAAAAI4/7XXWJg7KsTo/s1600-h/cavalomarinho.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5075622574587516930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/RnA71vw-GAI/AAAAAAAAAI4/7XXWJg7KsTo/s400/cavalomarinho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Na juventude eu sonhava em ser cavalo marinho. Mas aí vieram as crianças, as responsabilidades, cada um se vira como pode. Eu tento olhar as coisas pelo lado positivo: pelo menos eu mexo com água, não é não?&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-4749575887279809910?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/4749575887279809910/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=4749575887279809910&amp;isPopup=true' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4749575887279809910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4749575887279809910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/06/distopia.html' title='DISTOPIA'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/RnA71vw-GAI/AAAAAAAAAI4/7XXWJg7KsTo/s72-c/cavalomarinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-214837753330561896</id><published>2007-06-10T14:55:00.000-07:00</published><updated>2007-06-10T14:56:30.032-07:00</updated><title type='text'>PROMESSA</title><content type='html'>(publicado na revista Claudia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Há alguns dias, Deus – ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus – enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei ao bar e a vi, rodeada de rostos conhecidos; quando sentei, sorrindo, depois de dar oi a todos e falando alguma dessas bobagens que a gente fala ao chegar, e os outros riem, e nos sentimos acolhidos na turma de cinco amigos em meio a dezoito milhões de desconhecidos; não percebi o que estava para acontecer. Achei-a bonita, ponto. E pensei – no momento em que puxava a cadeira para sentar-me – quem é essa moça bonita que eu não conheço, em meio aos outros que conheço tanto?&lt;br /&gt;A primeira impressão é a que fica -- para trás. Pelo menos no meu caso. A imagem inicial que tenho de pessoas e lugares não tem nada a ver com a que se constrói depois de um tempo. Se naquele momento me perguntassem, portanto, o que eu achava da menina bonita, não iria me derreter em superlativos. Mas quando ela sorriu pela primeira vez, e a curva do sorriso foi abrindo caminho pelas bochechas e apontando para cima, em direção a dois olhões pretos e inteligentes, pensei assim: eu poderia amar essa mulher.&lt;br /&gt;Não, não foi amor à primeira vista. Eu não estava loucamente atraído por ela, nem apaixonado. Não senti vontade de pular em cima e beijá-la imediatamente, nem aquela afobação que a gente já não sabe se é desejo ou consumismo, tipo: preciso dela imediatamente. Eu estava calmo. O amor é calmo.&lt;br /&gt;Eu seria uma besta se dissesse que vi nos olhos dela a mesma perspectiva. Não vi. Aliás, mulher não é assim tão boba de dar bola em cinco minutos de conversa. O que reparei foi que ela me olhava curiosa: quem é esse cara que chegou? O que ele faz? O que ele pensa das coisas? E não houve uma frase que eu tenha dito aquela noite, um gesto que eu tenha feito, que não tenha sido, mesmo que indiretamente, para ela. Tomei cuidado para não deixar transparecer. (Nada menos atrativo, ao errarmos na dose, que o desejo). Mas ela soube -- e vi que gostou daquela atenção, tão exagerada quanto disfarçada.&lt;br /&gt;Desculpe dizer, impaciente leitora, que não aconteceu nada de concreto. Nem beijos, nem champanhe, arranhões ou lençóis. Alguns chopes, algumas risadas arrancadas à fórceps com minhas piadas (e comemoradas como gols do Brasil, internamente) e, tenho certeza – no final eu tive certeza – uma mútua promessa de amor.&lt;br /&gt;Eu poderia contar outras histórias, mais felizes e intensas, mas não valeriam à pena. Nós inflacionamos a felicidade. Ela está por aí, gasta, em propagandas de Campari, em outdoors de pasta de dentes, em livros, filmes, melodias e novelas das seis. Nenhuma felicidade real chega aos pés dessa que criamos. A única felicidade possível, acredito, é a promessa de felicidade. Já não há mais espaço para happy ends. Só para happy beginings. Esse é o meu. Foi ontem que conheci essa mulher. Não tenho a menor idéia do que pode acontecer, mas agradeço à vida por ter me enviado esse “presente ambíguo: uma possibilidade de amor” (...) “Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ps. A citação lá no começo e as aspas do final são da crônica Pequenas Epifanias, de Caio Fernando Abreu, que está no livro de mesmo nome, Ed. Agir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-214837753330561896?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/214837753330561896/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=214837753330561896&amp;isPopup=true' title='22 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/214837753330561896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/214837753330561896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/06/promessa.html' title='PROMESSA'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-7334448137072033976</id><published>2007-06-07T15:08:00.001-07:00</published><updated>2007-06-07T15:09:24.258-07:00</updated><title type='text'>ALGUMA COISA MELHOR PRA FAZER</title><content type='html'>Eu não vou sair de casa porque tenho que escrever o romance. Eu não vou sair de casa porque tenho que escrever o romance. Eu não vou sair de casa porque tenho que escrever o romance. Eu não ia sair de casa porque tinha que escrever o romance.&lt;br /&gt;Então, da Mercearia nós fomos – seis homens num Ford Ka – para uma festa no Berlim. Seis homens num Ford Ka é das ocorrências mais ridículas sobre a face da Terra. Durante o trajeto falou-se de dois assuntos: o aperto ali dentro e operações de troca de sexo – talvez pelo receio de uma possível gangrena advindo dos condenados ao banco de trás.&lt;br /&gt;Quando chegamos ao Berlim, o papo tinha mudado um pouquinho e Fialho afirmava que tá cheio de mulher que tira uma costela para ficar com a cintura mais fina. Eu jurava que isso era impossível e os outros quatro apenas ouviam e evitavam tomar posição, mesmo porque, naquele sufoco, a única posição possível era aquela em que eles já estavam.&lt;br /&gt;Chegamos. A multidãozinha saiu do carro. O flanelinha nos olhou com um misto de pena e ironia. O segurança foi babaca, como se nós fôssemos esse tipo de gente -- que nós, de fato, éramos --, que se mete, seis, num Ford Ka, e se joga na balada atrás das mina. Uhu.&lt;br /&gt;Primeira verdade absoluta inferida na noite de ontem: estou muito velho para frequentar baladas onde demora mais para comprar uma cerveja do que para bebê-la. Aliás, acho que estou muito velho para chamar programas noturnos de balada. Decididamente, estou muito velho para andar, com cinco homens, num Ford Ka.&lt;br /&gt;Ficamos uns quarenta minutos ali, zanzando, em meio a umas duzentas pessoas que também zanzavam. Tive uma conversa rápida com uma ex-namorada que eu não via faz tempo e gosto muito. Ela disse que capotou o carro. Disse que a vida tinha literalmente dado uma virada e agora ela queria ter filhos. Perguntou se eu acreditava nessas coisas e eu disse que sim, sem nenhuma ironia. E não sei por que cargas d´água resolvi, já que a gente estava falando coisas profundas, dizer que ela tinha se comportado muito mal há uns anos, quando tivemos um revival e ela sumiu sem mandar nem um e-mail. Não era pra ofender, nem pra começar uma discussão, era só uma coisa que eu queria falar. Ela disse que tinha mandado um e-mail, sim. Eu disse que ela não tinha mandado e-mail, não. Então nenhum dos dois soube mais o que dizer, era absolutamente inoportuno puxar um papo sobre troca de sexo ou extração de costelas, ela disse “é, eu sou uma escrotona”, coisa que nós dois sabemos que não é verdade, virou as costas e sumiu.&lt;br /&gt;Tive uma rápida e interessante conversa sobre design com o Barão, que me explicou coisas muito curiosas sobre a cama, os copos e a função das meias, então decidimos, os seis homens, voltar para o Ford Ka e ver o que estava acontecendo do CB, ali do lado. No meio do caminho nos demos conta de que faltavam dois. Caralho, tínhamos esquecido o Zé e o Barão. Peguei uma direita, depois uma esquerda e, quando vi, estava na Avenida Paulista. Liguei para o Zé, expliquei a situação e eles foram andando. Chegamos ao CB na mesma hora.&lt;br /&gt;Custava quinze reais para entrar, a pequena autoridade da porta, ou a porta da pequena autoridade, disse que não importava que fosse três e meia da manhã. Daniel citou a máxima de algum pré-socrático, “vocês têm alguma coisa melhor para fazer?”, e entramos. Dentro do CB era idêntico a dentro do Berlim e nós, os quatro homens do Ford e os dois a pé, ficamos zanzando, tendo conversas picadas com conhecidos e dançando ao lado de desconhecidas. Algumas vezes, os seis em torno da mesma desconhecida que, mui prontamente, saía de fininho. Tomamos Guiness, dançamos, Paulo chegou com sua jaqueta de couro, camiseta do Luis Miguel e lábia maldita e me convenceu, às cinco da manhã, a ir a uma festa. Eu disse que era impossível haver uma festa com gente dentro, quarta, às cinco da manhã. Ele disse que não era. E como, mais uma vez, não tínhamos nada melhor a fazer, fomos.&lt;br /&gt;Foi ali no caminho, quando éramos dois num ford ka, que tive o primeiro lampejo existencial e me dei conta de que estava atravessando uma noite absolutamente vazia e sem sentido ao fim da qual minha vida não haveria mudado nem um milímetro, apenas minhas roupas teriam um terrível cheiro de cigarro. Será que eu estaria atravessando uma vida absolutamente vazia e sem sentido?&lt;br /&gt;A festa de fato existia e havia umas dez pessoas -- que há uns dez anos atrás eu chamaria de “uns dez adultos” -- conversando. A dona era simpaticíssima e quando vi estava na cozinha diante de um prato de peru, arroz amarelo e umas panquequinhas que não consegui descobrir do que eram, mas comi umas quinze.&lt;br /&gt;Quando você se vê numa cozinha desconhecida comendo panquequinhas e peru às cinco e meia, acha que a vida às vezes pode ficar bem estranha. Talvez por isso não se importe em participar, com sete desconhecidos (um deles, um garoto de uns nove anos), da dança das cadeiras, ao som de Rita Lee. O dia amanheceu, o moleque ganhou, eu fui para casa e pensei: afinal, o que eu quero com isso tudo? São sete da noite e, sinceramente, ainda não sei.&lt;br /&gt;Agora com licença que, como eu ia dizendo, tenho que escrever o romance.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-7334448137072033976?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/7334448137072033976/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=7334448137072033976&amp;isPopup=true' title='30 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7334448137072033976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7334448137072033976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/06/alguma-coisa-melhor-pra-fazer.html' title='ALGUMA COISA MELHOR PRA FAZER'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-6208577525002433608</id><published>2007-05-31T23:43:00.001-07:00</published><updated>2007-05-31T23:43:29.542-07:00</updated><title type='text'>ORDI</title><content type='html'>Almas caridosas que ainda passam por aqui atrás de fotos de abacaxis, amores de esfregões ou alguma tauromaquia de cartório: eu voltarei. Como disse alguém nalguma parte de Casablanca: “maybe not today, maybe not tomorrow, but someday, and for the rest of our lives”. Como disse Collor, antes de tomar um pé na bunda do país: não me deixem só!&lt;br /&gt;Acontece que agora entrei nessa de escrever o romance e, olha, vou falar pra vocês, é um trem assaz complexo. Tenho páginas e páginas vindas de Xangai, dois cadernos cheios de anotações, algumas horas de vídeo e uns sete milhões de neurônios trabalhando dia e noite no setor de arquivo para arrumar aquelas memórias todas.&lt;br /&gt;Percebi que, ao me jogar nessa empreitada “escrever o romance”, caí de novo no coração selvagem das vielas chinesas. Passo o dia me perguntando: será que ponho as bicicletas antes de chegar no hotel ou junto dos abacaxis? A boate de hip hop vai junto daquela da Polaina ou cada uma num capítulo? Devo escrever no presente ou no passado? Será que fico com a piada ou a apresentação do quarto?&lt;br /&gt;Em meio a todas essas dúvidas, evidentemente que, vez ou outra, pula uma galinha amarela, vêm uns cheiros de fritura, tropeço numas peças de majong e uma ou outra chinesa linda me vira a cara. Oba! De volta ao caos. Em se tratando de um livro sobre Xangai, toda confusão é bem vinda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-6208577525002433608?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/6208577525002433608/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=6208577525002433608&amp;isPopup=true' title='27 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/6208577525002433608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/6208577525002433608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/ordi.html' title='ORDI'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-5414046122949182457</id><published>2007-05-31T23:31:00.001-07:00</published><updated>2007-05-31T23:31:47.665-07:00</updated><title type='text'>Esclarecimento Público</title><content type='html'>Gostaria de dizer que, ao contrário do que andou-se falando por aí, as mortes de cães por intoxicação, decorrente de ingestão de rações caninas norte-americanas contendo matéria prima adulterada importada da China não têm absolutamente nada a ver com minha passagem por aquele país. Durante todo tempo que por lá estive mantive uma relação de respeito e distância em relação a todo e qualquer ingrediente de ração canina, felina, suína, eqüina, bovina e quem aí já souber de festa junina pode me convidar que faz pra mais de um ano que não tomo um quentão.&lt;br /&gt;Sem mais (nem menos), Antonio&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-5414046122949182457?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/5414046122949182457/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=5414046122949182457&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5414046122949182457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5414046122949182457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/esclarecimento-pblico.html' title='Esclarecimento Público'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-3744317875153833476</id><published>2007-05-25T15:56:00.000-07:00</published><updated>2007-05-25T19:11:18.263-07:00</updated><title type='text'>DAQUI PRA FRENTE TUDO SERÁ (MEIO) DIFERENTE</title><content type='html'>Quanto mais o tempo passa, mais percebo, meio besta, que não entendi nada da China. Só consigo pensar: cara, eles são chineses, muito chineses, o tempo todo chineses e muitos, muitos chineses. Uma coisa que aprendi, com certeza, foi a gostar dessa história de blog.  Eu escrevo aqui umas coisas, vocês comentam aí e a gente vai levando. Vou postar aqui um trecho ou outro do livro, ou da experiência de escrever o livro, que retomo segunda-feira. Além disso,  vou colocar as crônicas que escrevo para o Guia do Estado e a Capricho. Abaixo, a de hoje, sexta-feira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-3744317875153833476?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/3744317875153833476/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=3744317875153833476&amp;isPopup=true' title='15 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3744317875153833476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3744317875153833476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/daqui-pra-frente-tudo-ser-meio.html' title='DAQUI PRA FRENTE TUDO SERÁ (MEIO) DIFERENTE'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-2850060006015041993</id><published>2007-05-25T15:53:00.000-07:00</published><updated>2007-05-25T15:56:42.133-07:00</updated><title type='text'>CRÔNICA DO GUIA DO ESTADÃO</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Firma reconhecida&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;                                                       &lt;br /&gt;Uma das páginas mais belas que já li é aquela na qual Winston Smith, protagonista de 1984, vê uma lavadeira pendurando roupas e cantando no quintal. Winston sabe que a música foi feita por máquinas à serviço do Grande Irmão, que tem tanta poesia quanto um chiclete Ploc, nutrientes, mas a mulher a interpreta  com tamanho sentimento que transforma o pop cibernético em uma obra de arte.&lt;br /&gt;Apesar dos pesares, acho 1984 um livro otimista. Me diz que, mesmo sob a mais atroz das ditaduras, ainda são possíveis histórias de amor. E que, até embaixo da mais gomarábica das canções, é possível achar uma centelha poética.&lt;br /&gt;Outro dia, num cartório, presenciei o surgimento de uma dessas centelhas. Até então, eu achava que o contrário da poesia era um cartório. Inferno do Grande Irmão, reino de carimbos, senhas, crachás, grampeadores e outras miudezas sobre as quais jamais se escreverá um soneto, uma peça para violoncelo e oboé, um episódio de Friends. Prisão onde as letras, que nasceram todas iguais perante Deus e poderiam ter virado romance, carta de amor ou receita de bolo, acabam emboloradas em gavetas escuras, delimitando áreas de terrenos e cláusulas de divórcios. Acreditava, acima de tudo, que de onde saem milhares de procurações, jamais brotaria uma gota de poesia.&lt;br /&gt;Então o funcionário, que trouxe meu documento, foi colocar nele sua assinatura. Assim que encostou a ponta da esferográfica no papel e, com um movimento de todo o corpo, fez um círculo, eu percebi que estava diante da lavadeira de 1984. Depois desse movimento – amplo, gracioso, como toureiro que, com sua capa, driblasse a bovina burocracia --, ele cravou a BIC no início do círculo e, de uma maneira frenética e calculada, fez uma espécie de rabisco, como aqueles desenhos de sismógrafos, até o final do laço inicial. (Agora não mais toureiro, mas maestro descabelado regendo o fim de uma sinfonia). Quando terminou e ergueu-se, arfante, julguei ouvir bumbo e pratos e um ou outro grito de bravo! do pessoal do almoxarifado.&lt;br /&gt;Meus caros, eu estava diante de um escrivão apaixonado. De um homem que, em meio àquele mingau cinzento de impessoalidade, lutava quixotescamente, com sua BIC, para deixar sua assinatura no mundo. Era Winston Smith e a lavadeira. Tinha apenas um pequeno retângulo de papel para gritar ao universo sua revolta e sua felicidade por estar vivo e vingar-se, bela e inutilmente, da morte. E o fazia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-2850060006015041993?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/2850060006015041993/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=2850060006015041993&amp;isPopup=true' title='17 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/2850060006015041993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/2850060006015041993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/crnica-do-guia-do-estado.html' title='CRÔNICA DO GUIA DO ESTADÃO'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-3845666920666965904</id><published>2007-05-22T15:21:00.000-07:00</published><updated>2007-05-22T15:24:24.251-07:00</updated><title type='text'>IF IT´S A TRUE TRIP, IT NEVER ENDS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ao contrário do futebol, que (só) acaba quando termina, uma viagem continua muito além da volta. Nas roupas, papéis, sapatos, folhetos, guardanapos e palitos que, desde sábado, vão saindo da mala como lesminhas indisciplinadas e rastejando por todos os cantos da casa -- tentando criar aqui o caos que deixei para trás? Nos sonhos de toda noite com Xangai (quando estava lá, sonhava com o Brasil, agora inverteu: vai saber a que estranhos pêndulos está sujeito nosso pobre inconsciente). Nas fichas que vão caindo, lentamente, sobre a China, sobre mim, sobre nossa pátria varonil.&lt;br /&gt;Há certos acontecimentos, no entanto, que podem alterar todo o significado da viagem. Breque.&lt;br /&gt;Cheguei aqui no sábado e fui recepcionado por meia dúzia de cronópios endiabrados com pandeiros, flâmulas, línguas de sogra, tamborins, canapés, rapapés, estalinhos guri e um ou outro canguru que fumava cachimbo, se bem me lembro, lá pelas três da manhã. Cantamos, bebemos, comemos e dançamos por horas e horas, até que o Perê -- líder máximo dos cronópios, caso esses seres inordenáveis se dobrassem a qualquer hierarquia – me perguntou: você caiu no golpe das chinesas? E foi então que a música parou, a festa sumiu, e agora José?&lt;br /&gt;Helen e Shirley, aquelas do amor verdadeiro, lembram? Pois é, meus caros, aquele almoço, aquele diálogo, a possibilidade implícita de casamento, era tudo um truque para me levarem para a casa de chá e me fazerem gastar uma pequena fortuna no cartão de crédito. (Uma parte, depois, elas receberiam em comissão). Aconteceu igualzinho com ele, e com um italiano amigo dele, e um irlandês amigo do italiano, mas elas se chamavam Barbara ou Sheila ou Carol ou Jeniffer. Elas abordam o gringo na rua, elas falam docemente, elas levam o cara para passear e, invariavelmente, todo aquele encontro romântico, antropológico e cultural termina numa bucólica casa de chá, diante das duas palavrinhas mágicas: Visa ou Mastercard?&lt;br /&gt;Eu esperava me deparar com Nikes falsificados, Pradas, Guccis e Armanis do porão da esquina, mas não imaginei, nem em meus mais altos delírios, que a conversa sobre o amor verdadeiro pudesse ser inteiramente falsa. Quase chorei. Respirei fundo e então me dei conta: assim é muito mais legal! É sensacional! Obrigado, Helen e Shirley. Ou Bárbara, ou Carol, ou Sheila, ou Jennifer, ou quaisquer que sejam seus verdadeiros nomes falsos. Essa viagem não vai terminar tão cedo... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-3845666920666965904?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/3845666920666965904/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=3845666920666965904&amp;isPopup=true' title='18 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3845666920666965904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3845666920666965904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/if-its-true-trip-it-never-ends.html' title='IF IT´S A TRUE TRIP, IT NEVER ENDS'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-1888596435134991265</id><published>2007-05-18T03:45:00.000-07:00</published><updated>2007-05-18T03:47:26.682-07:00</updated><title type='text'>TAKE A WOK ON THE WILD SIDE (OU: BOTA AS BRAHMAS PRA GELAR QUE EU TÔ VOLTANDO)</title><content type='html'>Acabou-se o que era doce. Ou o que eu achei que seria doce e depois de morder descobri que era salgado, apimentado, amargo, azedo ou tudo isso junto – a China é cheia de surpresas.&lt;br /&gt;Agradeço à Antártica pelas Brahmas que me enviou, a todos os japonseses da China pela extrema simpatia com que me receberam e principalmente a todas as mulheres que cruzaram meu caminho e não me quiseram, proporcionando-me assim os momentos de solidão e pessimismo imprescindíveis para criar a laminha existencial de onde brotam as flores sem vergonha de meu lirismo.&lt;br /&gt;Vim, vi e venci (mais no sentido de uma comida deixada por muito tempo na geladeira do que de um imperador romano, é verdade). Olho Xangai pela janela e posso ouvir, em meio às buzinas e britadeiras, o baixo de Lou Reed em take a walk on the wild side. (Me permito algum romantismo na hora da partida).&lt;br /&gt;Como o cenário é de Blade Runner e a cidade começa a acender suas luzes contra o céu bege, farei o check out desse blog parafraseando o andróide loirão, segundos antes de partir: “I’ve seen things you people wouldn’t believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched c-beams glitter in the dark near Tanhauser Gate. All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time (…)” to flye.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-1888596435134991265?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/1888596435134991265/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=1888596435134991265&amp;isPopup=true' title='16 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1888596435134991265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1888596435134991265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/take-wok-on-wild-side-ou-bota-as.html' title='TAKE A WOK ON THE WILD SIDE (OU: BOTA AS BRAHMAS PRA GELAR QUE EU TÔ VOLTANDO)'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-452247720597535336</id><published>2007-05-17T03:23:00.000-07:00</published><updated>2007-05-17T03:24:58.823-07:00</updated><title type='text'>EVERYTIME WE SAY GOOD BYE...</title><content type='html'>Estou indo para a minha despedida, num pub irlandês. Aí está uma instituição internacional que funciona. Esqueçamos a ONU. Vamos achar esse tal de O’Malley’s e dar a chave na mão dele. Dizer assim: bichão, resolve aí.&lt;br /&gt;Acho que, quando os ETs chegarem e saírem da nave, diante da multidão boquiaberta, irão alongar, estalar os dedos e perguntar – em vez do esperado e demodê “leve-me ao seu líder” -- : "onde é que fica o pub?"&lt;br /&gt;Aqui, fica na Taojiang Lu, 42 (pág. 140 do Lonely Planet) e o ET – que sou eu – estará recebendo a partir das 19:00.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-452247720597535336?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/452247720597535336/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=452247720597535336&amp;isPopup=true' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/452247720597535336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/452247720597535336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/everytime-we-say-good-bye.html' title='EVERYTIME WE SAY GOOD BYE...'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-1546191965983114444</id><published>2007-05-16T02:09:00.000-07:00</published><updated>2007-05-16T02:15:37.755-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkrLc1rBGOI/AAAAAAAAAIk/qUbWBfx75FA/s1600-h/ferro.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5065084427235825890" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkrLc1rBGOI/AAAAAAAAAIk/qUbWBfx75FA/s400/ferro.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nada&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nem&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;mesmo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ferro&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-1546191965983114444?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/1546191965983114444/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=1546191965983114444&amp;isPopup=true' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1546191965983114444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1546191965983114444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/nada-nem-mesmo-o-ferro.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkrLc1rBGOI/AAAAAAAAAIk/qUbWBfx75FA/s72-c/ferro.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-3161100330656279872</id><published>2007-05-15T12:14:00.000-07:00</published><updated>2007-05-15T12:16:52.583-07:00</updated><title type='text'>SORRY, COMRADES</title><content type='html'>Pessoal, acho que era só pau do Blogspot,  não o politburo censurando meus comentários sobre moquecas de sapo. Eu agora abro o blog e leio comentários. Comentem, por favor, sou uma pessoa carente e preciso o tempo inteiro de atenção. É sério.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-3161100330656279872?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/3161100330656279872/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=3161100330656279872&amp;isPopup=true' title='23 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3161100330656279872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3161100330656279872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/sorry-comrades.html' title='SORRY, COMRADES'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-4991894937616652344</id><published>2007-05-15T09:13:00.000-07:00</published><updated>2007-05-15T09:16:58.416-07:00</updated><title type='text'>CALDEIRÃO DA BRUXA</title><content type='html'>A viagem vai terminando e estou esgotado. Sinto-me como no fim de uma rave: o dia amanhecendo, o ácido ainda batendo, eu todo sujo, grama no cabelo, aquele olhar bobo de quem teve a grande revelação sobre a verdade do universo mas já esqueceu, querendo agora apenas olhar para o lado sem descobrir mais nenhum mundo paralelo, labirinto semântico. Por favor, Deus, uma parede branca que seja uma parede branca que seja uma parede branca.&lt;br /&gt;Nesse espírito fim de festa, saí me arastando, ontem, lá pela meia-noite, em direção ao abraço amigo de um Big Mac. Como se o McDonald’s fosse a embaixada de um país neutro a me dar asilo antes que começassem os bombardeios de descobertas culturais. Ah, que maravilha, ter uma refeição que não viesse acompanhada de nenhuma idéia para texto! Ah, que ilusão, ter uma refeição que não viesse acompanhada de nenhuma idéia para texto!&lt;br /&gt;Ilusão porque o Saci, esse meu companheiro inseparável, no pior espírito de animador de piscina em Club Med, começou a gritar lá do alto de seu observatório no Pudong: não acabou! Ainda faltam três dias, vamos lá, ânimo! E então construiu, no tempo em que eu percorria dois quarteirões, ao lado do McDonald’s, um restaurante de Hot Pot. (Mais tarde o Saci me confessaria que erguer o restaurante em três minutos foi mais fácil do que convencer os garçons a abri-lo àquela hora. A maioria das cozinhas, aqui, fecha às dez, mesmo aos sábados).&lt;br /&gt;Hot Pot é isso aí, Pote Quente. É mais do que uma comida, é todo um conceito, uma parafernália e uma aventura à qual o viajante, saindo da rave, não deve se atirar. Mas o Saci...&lt;br /&gt;Eu sabia, eu sabia, eu sabia no que estava me metendo. Estava entrando num troço complexo sobre o qual eu não entendia nada, que requeriria várias decisões envolvendo levas e levas dos mais variados ingredientes e que bastava um pequeno deslize para dar perda total na refeição ou, quem sabe, pôr fogo no restaurante.&lt;br /&gt;A primeira coisa que entendi, depois de uns cinco minutos básicos daquele teatro do absurdo de cada dia, com o auxílio de uma garçonete muito prática e simpática (é que o negócio era complexo mesmo), era que tinha que escolher o caldo base da minha panela. Havia, por baixo, umas doze opções.&lt;br /&gt;O cardápio também estava em inglês. Se tivesse tirado o TOEFL, entenderia tudo, mas como larguei a Cultura Inglesa pouco depois do FCE, só compreendia metade das explicações – e metade, em situações como desarmar uma bomba ou pedir comida na China, equivale a zero. Por exemplo: um caldo dizia algo como “Chicken lirgles”. A gente sempre vai de chicken nesses enroscos gastro-culturais, achando que é inofensivo, mas e se o tal do lirgles fosse trompas, por exemplo? Caldo de trompa de frango? (E, pelo tamanho de um ovo, trompa de frango deve ser quase como uma meia calça infantil...) Outra opção era beef blundsteamed steew. Beef é beef, steew é ensopado, ótimo, 76,666% de aproveitamento, mas se o companheiro blundsteamed for, sei lá, uma secreção do pâncreas? Game over, bum!, acabou a refeição. (É sempre bom desconfiar das dízimas periódicas, principalmente as que repetem 666 ao infinito).&lt;br /&gt;Analisei a situação com cuidado e consegui perceber que, ao contrário de muitos cardápios aqui, aquele ia numa ordem crescente de complexidade. (Vejam só, análise de códigos, estratégias militares, isso realmente cansa). Não só os nomes ficavam maiores como apareciam mais coisas desconhecidas como lirgles e blundsteameds conforme ia descendo. Tinha um pork com uns quatro sobrenomes e um sea food bloomlasts norgstimnests que eu não quis nem chegar perto...&lt;br /&gt;Agarrei firme na teoria da complexidade crescente e pedi o primeiro caldo. A garçonete sorriu -- que nem minha analista, quando tínhamos uma boa sessão e queria me dizer, viu só, Antonio, as coisas melhoram, deixa de ser catastrófico. Sorri de volta. Então ela disse algo e deu um suspiro, sorridente e cansado, e eu entendi perfeitamente que ela dizia: “bom, queridão, agora que você escolheu o caldo, faltam só todos os ingredientes que virão dentro. Eu também sorri, suspirei e, quinze minutos depois, enxugávamos nossos suores com as toalhinhas umedecidas que eles têm aqui e conseguimos comemorar o fechamento do pedido: um hot pot com o primeiro caldo, fatias finas de carne, macarrão de arroz e um mix de cogumelos. Quase falei “foi bom pra você?”, mas ela não entenderia e eu ainda não estava pronto para uma segunda rodada.&lt;br /&gt;O pote veio e só aí entendi tanto empenho do Saci. Hot Pot, meus amados e saudosos patrícios, é o caldeirão da bruxa. Um caldo vermelho (sangue de morcego?), apimentado (língua de dragão?), com coisas boiando (vamos chamar assim, coisas, com essa neutralidade, para não espantar a freguesia) e afundadas que, bem, eu nem sabia que existiam na natureza. Como se aquilo que conhecemos como moela fosse apenas um representante – o mais careta --, de toda uma cornucópia de miúdos com os quais até então eu não tinha cruzado. Havia tofu, mas havia coisas que... opa, isso não é tofu. Cubos do tamanho de uma caixa de fósforo, fibrosos. Havia uns pequenos tubos amarrados, espécies de macumbinha de chinchullines. Como no caso das moelas, nenhum dos objetos não identificados vinha sozinho, todos traziam seus primos, primas, tias, tios e até parentes distantes, que a gente ficava na dúvida se pertenciam à família das gosmas marrons ou da turminha dos fibrosos acinzentados. Fiquei brincando de remexer o caldeirão borbulhante por um tempo, até chegarem os meus ingredientes. Belíssimas fatias de carne, bem finas. Uma cesta de cogumelos que parecia capa de revista de culinária, o inofensivo macarrão de arroz. Joguei tudo lá dentro. A garçonete ainda fez a gentileza de se aproximar, apontar a carne e dizer: “no time”, e eu entendi que era só jogar ali e tirar, senão passava do ponto. E, como sempre aqui na China, comi maravilhosamente bem. Deixei uma boa gorjeta para aquela alma caridosa, que me ajudou na exegese do cardápio e fui para casa feliz. Quando dizem assim, “se joga!”, acho que é isso que eles estão querendo dizer, né? Caldeirão da Bruxa. Isso é que é esporte radical, o resto é bobagem&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-4991894937616652344?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/4991894937616652344/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=4991894937616652344&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4991894937616652344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4991894937616652344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/caldeiro-da-bruxa.html' title='CALDEIRÃO DA BRUXA'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-5057464568632849612</id><published>2007-05-14T12:28:00.000-07:00</published><updated>2007-05-14T12:30:53.592-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rki4XcbRrUI/AAAAAAAAAIc/W4zRSSI5yR0/s1600-h/teletubyes.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5064500493885222210" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rki4XcbRrUI/AAAAAAAAAIc/W4zRSSI5yR0/s400/teletubyes.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;-- Pro seu governo, eu sou um triciclo especial Teletubies. Faço mó sucesso na faixa dos dois aos quatro, tá?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;-- Tô nem aí, Tampinha, sai fora. Sou uma Ceci da Barbie, tá cheio de BMX na minha aba. Área!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-5057464568632849612?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/5057464568632849612/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=5057464568632849612&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5057464568632849612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5057464568632849612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/pro-seu-governo-eu-sou-um-triciclo.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rki4XcbRrUI/AAAAAAAAAIc/W4zRSSI5yR0/s72-c/teletubyes.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-8540181156637784658</id><published>2007-05-14T12:19:00.000-07:00</published><updated>2007-05-14T12:32:07.113-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rki2gcbRrTI/AAAAAAAAAIU/Afj1J-OO07c/s1600-h/abacaxi.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5064498449480789298" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rki2gcbRrTI/AAAAAAAAAIU/Afj1J-OO07c/s400/abacaxi.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;-- Liga não, logo logo são eles que vão tá aqui e aí eu quero ver se vão achar tão engraçado... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;-- ...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;-- Olha pelo lado bom, no teu pelo menos deram um lacinho. Tá me entrando um vento pelo pescoço...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-8540181156637784658?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/8540181156637784658/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=8540181156637784658&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/8540181156637784658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/8540181156637784658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/liga-no-daqui-pouco-so-eles-que-vo-t.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rki2gcbRrTI/AAAAAAAAAIU/Afj1J-OO07c/s72-c/abacaxi.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-5052486049443756039</id><published>2007-05-14T12:13:00.000-07:00</published><updated>2007-05-14T12:15:55.052-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rki03sbRrSI/AAAAAAAAAIM/EVZscKwyeC0/s1600-h/zinco2.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5064496649889492258" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rki03sbRrSI/AAAAAAAAAIM/EVZscKwyeC0/s400/zinco2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por apenas 20 yuan esse lindo chapéu Country Lady pode ser seu! Leve-o para praia, para o campo, para seu passeio no parque e onde mais quiser! E não é só isso! Ligue já e...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-5052486049443756039?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/5052486049443756039/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=5052486049443756039&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5052486049443756039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5052486049443756039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/por-apenas-20-yuan-esse-lindo-chapu.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rki03sbRrSI/AAAAAAAAAIM/EVZscKwyeC0/s72-c/zinco2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-3323382294705962291</id><published>2007-05-14T12:11:00.000-07:00</published><updated>2007-05-14T12:16:34.477-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rki0a8bRrRI/AAAAAAAAAIE/AnPcBwD1DmY/s1600-h/zinco.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5064496155968253202" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rki0a8bRrRI/AAAAAAAAAIE/AnPcBwD1DmY/s400/zinco.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;...leve de graça o exclusivo revestimento de Zinco Pro Plus, o único material capaz de evitar a leitura dos seus pensamentos pelos satélites espiões!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-3323382294705962291?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/3323382294705962291/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=3323382294705962291&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3323382294705962291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3323382294705962291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/e-leve-de-graa-o-exclusivo-revestimento.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rki0a8bRrRI/AAAAAAAAAIE/AnPcBwD1DmY/s72-c/zinco.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-3293247940427652104</id><published>2007-05-14T12:03:00.000-07:00</published><updated>2007-05-14T12:05:34.975-07:00</updated><title type='text'>HONZE HOMENS E UM BUMBO</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkiysMbRrQI/AAAAAAAAAH8/SmKS98nesbI/s1600-h/brancaleone.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5064494253297741058" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkiysMbRrQI/AAAAAAAAAH8/SmKS98nesbI/s400/brancaleone.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A fiel torcida do Shanghai Top Stars vai onde o time estiver, debaixo de sol, de chuva e contra todas as adversidades.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-3293247940427652104?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/3293247940427652104/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=3293247940427652104&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3293247940427652104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3293247940427652104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/honze-homens-e-um-bumbo.html' title='HONZE HOMENS E UM BUMBO'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkiysMbRrQI/AAAAAAAAAH8/SmKS98nesbI/s72-c/brancaleone.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-8173285430399514028</id><published>2007-05-14T10:01:00.000-07:00</published><updated>2007-05-14T10:02:26.699-07:00</updated><title type='text'>TÁ EXPLICADO.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;La femme n'existe pas.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;     &lt;br /&gt; (J. Lacan)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo, recebi um texto da Ledusha com essa frase de epígrafe. Agora tudo faz sentido. Eu estava procurando no lugar errado. Buscava no Pushi, no passado, no Pudong ou no futuro “a mulher” para figurar em minha história de amor. Mas a mulher, Rodrigo, não existe. O que existem são esfregões. E só. Não sou eu quem digo, é o Lacan. Vai discordar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-8173285430399514028?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/8173285430399514028/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=8173285430399514028&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/8173285430399514028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/8173285430399514028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/t-explicado.html' title='TÁ EXPLICADO.'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-558722582446463912</id><published>2007-05-13T14:37:00.000-07:00</published><updated>2007-05-13T14:38:34.962-07:00</updated><title type='text'>SANDRO</title><content type='html'>Pessoas, tenho postado menos porque, como já disse, comecei a escrever o livro. Fiquei na nóia de que, saindo daqui, eu esqueceria tudo, então só faço escrever e escrever e escrever o que me vem à cabeça e o que não me vem também, por via das dúvidas, para poder ter bastante material bruto para trabalhar em São Paulo. Mando o trecho de um capítulo que tá um pouco mais evoluído. Sandro é um amigo meu, brasileiro, de Barra Mansa, que veio comprar uns MP3 falsificados para a loja do cunhado, mas se meteu nuns rolos e está ficando mais do que o combinado com a mulher, que ainda não tem nome, mas já está puta com ele lá em Duque de Caxias e fica me ligando aqui no hotel. (Ele nasceu em Barra Mansa, “a melhor cidade do mundo para se morar, pode perguntar para qualquer um de lá”, mas mora em Duque de Caxias).&lt;br /&gt;No começo, eu implico com ele. No ponto do livro onde acho que se encaixa esse capítulo, eu ainda não saquei o grande ser humano que ele é. Será fundamental para o livro e as andanças do personagem principal. Obrigado, Sandrão!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-558722582446463912?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/558722582446463912/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=558722582446463912&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/558722582446463912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/558722582446463912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/sandro.html' title='SANDRO'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-6785495219497252232</id><published>2007-05-13T14:19:00.000-07:00</published><updated>2007-05-13T14:29:49.197-07:00</updated><title type='text'>SHANGHAI TOP STARS</title><content type='html'>Onze gatos pingados (agora literalmente pingados, por causa da chuva) e um bumbo. São a incrível torcida de Brancaleone do Shanghai Top Stars. Dessem noventa minutos a Eduardo Coutinho em meio a eles e Edifício Master virava obra de juventude.&lt;br /&gt;Onze pessoas e um bumbo são um acontecimento digno de nota sobre a face da Terra. Se pudéssemos fazer um ranking de todas as possíveis aglutinações entre seres humanos e coisas, tipo: seis pessoas e uma fogueira, dois homens e uma arma, dois casais e uma garrafa, dezessete adolescentes e um violão, um homem e uma caneta, eu poria onze pessoas e um bumbo lá no topo. Sou uma pessoa razoavelmente romântica e otimista (seria pleonasmo?), acredito que onze pessoas e um bumbo, se movidas por amor à causa (seja ela qual for) e algumas cervejas (idem) podem mudar o mundo: derrubar presidentes, terminar casamentos, incendiar um prédio, virar carros, vencer eleições, forjar amor verdadeiro ou, quem sabe, apenas cantar a Jardineira às três e meia da manhã e fazer com que a Dona Elzira do 512 acorde o síndico – o que não deixa de ser uma forma, sutil, mas ainda assim, uma forma, de mudar o mundo.&lt;br /&gt;-- Eles são os caras! Vamos lá, ali que é a torcida roots!&lt;br /&gt;Até que, nesse ponto, eu e o Sandro tínhamos a mesma visão estética.&lt;br /&gt;-- Mas lá tá chovendo, Sandro.&lt;br /&gt;-- Foda-se, torcedor é sofredor, brother! Shangahi Top Stars é garra, é Botafogo! Vamo lá, eles com o bumbo, nós com pandeiro e essa bagaça aqui de gelar cerveja, brother, tem pra ninguém, é nós! &lt;br /&gt;-- Onde é que cê vai achar uma tomada pra ligar isso aí? Vai dizer que cê tem uma extensão na mochila?&lt;br /&gt;Eu só queria ganhar tempo. Eu não queria, definitivamente,  ir sentar-me na chuva, por mais que admirasse, esteticamente, a Incrível Torcida de Bracaleone. Eu sabia que, pelos códigos Sandrinos de sociabilidade, era inadmissível que nos sentássemos separados. Na sua moral cavalheiresca, “A gente tá junto nessa, brother!” estava entre as regras mais importantes. Mais ainda, eu sabia que, se ele realmente quisesse sentar-se lá, na chuva, na torcida roots, ia mover mundos e fundos para me convencer e o que parecia ser uma bucólica tarde de futebol no interior seria um exercício de retórica de 90 minutos contra o Sandro e a chuva.&lt;br /&gt;-- Cê acha que os caras não têm uma tomada ali embaixo?&lt;br /&gt;-- No campo, Sandro? Tipo, do lado da bandeira do escanteio, assim?&lt;br /&gt;--Sei lá brother, qualquer coisa a gente faz um gato aí, liga na bateria do desfibrilador e já é. Cê acha que os caras não têm desfibrilador?&lt;br /&gt;Eu amo o Brasil. Isso é absolutamente fantástico. Eu perguntei onde ele ia ligar o negócio de gelar cerveja e ele imediatamente pensou em desmontar um hipotético desfibrilador para conectar em sua geladeirinha elétrica para ficar do lado da torcida roots -- na chuva. Sandro, definitivamente, é um  gênio. Leonardo da Vinci. O que faz com que Da Vinci faça o renascimento e o Brasil esteja como está são os objetivos. Não sei muito sobre o gênio italiano, mas imagino que a sua grande preocupação não fosse exatamente como gelar a cerveja para sentar do lado dos supostos botafoguenses orientais. Já a do brasileiro, pelo menos esse chamado Sandro do Nascimento, invariavelmente, é. Se a gente conseguisse desviar esse potencial da arquibancada oposta e colocar, sei lá, na educação, meu caro Sandro, não tinha pra ninguém. Era nós.&lt;br /&gt;Se eu não consigo comunicar à concierge do meu hotel um simples endereço, imagino como seria o Sandro, ao lado do campo, mostrando a espada Jedi de gelar cerveja ao médico, as latas de Skol, apontando o desfibrilador e dizendo “xiê xiê, make a cat, beer, pinda! Ok?”.&lt;br /&gt;Richard Clayderman calou-se nos alto falantes e, depois de um breve ruído, entrou a voz de uma mulher, falando umas coisas monótonas.&lt;br /&gt;-- É a escalação, escritor!&lt;br /&gt;Sandro pôs a boca no cornetão, com a provável intenção de assoprá-la quando ouvíssemos os nomes do Emerson ou do Ricardo. Ficamos eu e ele ali, naquela expectativa, mas nada. Mais uma vez, a migalha da China: eles disseram Emerson, disseram Ricardo e nós, mesmo atentos, sequer desconfiamos que os dois nomes tenham sido pronunciados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-6785495219497252232?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/6785495219497252232/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=6785495219497252232&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/6785495219497252232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/6785495219497252232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/shanghai-top-stars.html' title='SHANGHAI TOP STARS'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-7254991666161879991</id><published>2007-05-12T06:12:00.000-07:00</published><updated>2007-05-12T06:15:34.491-07:00</updated><title type='text'>Big Brother</title><content type='html'>Pode ser só problema do blogspot, mas podem ser também os tentáculos do Grande Irmão: blogspot não abre mais aqui da China. Pelo menos, não nesse quarto de hotel na China onde moro. Logo, não leio comentários. Se alguém quiser falar alguma coisa, dizer que sou bom ou ruim, favor encaminhar para &lt;a href="mailto:antonioprata@uol.com.br"&gt;antonioprata@uol.com.br&lt;/a&gt;. Por enquanto...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-7254991666161879991?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/7254991666161879991/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=7254991666161879991&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7254991666161879991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7254991666161879991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/big-brother.html' title='Big Brother'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-5203005955895978987</id><published>2007-05-11T03:26:00.001-07:00</published><updated>2007-05-11T03:26:40.819-07:00</updated><title type='text'>CARA, ESFREGÃO!</title><content type='html'>-- Fala Rodrigo, tudo bom?&lt;br /&gt;-- Tudo, Prata, que que cê conta?&lt;br /&gt;-- É o seguinte, cara, cheguei numa história. Não dá filme, mas dá uma puta animação.&lt;br /&gt;-- ...&lt;br /&gt;-- É um romance.&lt;br /&gt;-- Tá.&lt;br /&gt;-- Um romance entre um esfregão e uma vassoura de bambu.&lt;br /&gt;-- Como?&lt;br /&gt;-- É, você tem visto meu blog, as fotos?&lt;br /&gt;-- Tenho, muito legal.&lt;br /&gt;-- Então, esses esfregões... Não sei se é porque eu tô muito sozinho e não entendo nada que esses chineses falam, mas cada dia eu me aproximo mais dos esfregões, sabe?&lt;br /&gt;-- Prata, cê tá bem?&lt;br /&gt;-- Claro que eu tô bem. Por que tá todo mundo me perguntando se eu tô bem? Cê tá achando que eu tô mal, pelo blog?&lt;br /&gt;-- Não. Nada.&lt;br /&gt;-- Mas então, Rodrigo, esse esfregão e essa vassoura, são dois jovens, tá? Eles têm que lutar contra a invasão de uns rolinhos, depois eu posto a foto, uns rolinhos de limpeza que ameaçam a dinastia milenar dos esfregões e das vassouras.&lt;br /&gt;-- Dinastia milenar dos esfregões e das vassouras?&lt;br /&gt;-- Isso, e aí eles se juntam, eles têm que unir todas as vassouras e esfregões da China para expulsar os rolinhos, e têm esfregões e vassouras de todos os jeitos, penteados, cê tem visto no blog?&lt;br /&gt;-- Tenho. Mas não sei não, uma história de amor entre um esfregão e uma vassoura?&lt;br /&gt;-- Musical! Uma animação musical, pensa em bicicletas de Belleville com a vassoura e os baldes do Mikey em Fantasia, uma coisa meio soturna, mas bonita, sabe?&lt;br /&gt;-- Animação é caro.&lt;br /&gt;-- E daí? A gente arruma patrocínio de uma fábrica de esfregão aqui, imagina a grana que eles não têm...&lt;br /&gt;-- Sei lá, Prata, tô achando meio estranha essa história.&lt;br /&gt;-- Não, Rodrigo, cê vai ver, dá uma puta história, eles ainda ficam amigos das bicicletas, tem várias outras coisas, e é bem sobre esse momento de mudança da China, a chegada do capitalismo, as tradições, esfregão é do caralho.&lt;br /&gt;-- Prata, tem uma amiga minha aí, a Rita. Liga pra ela, vai tomar umas cervejas, depois a gente se fala.&lt;br /&gt;-- Beleza. Agora tô saindo que descobri um depósito só de vassouras de bambu, to indo fotografar.&lt;br /&gt;-- Vai lá. Só mais uma coisa: isso é uma animação. E o romance?&lt;br /&gt;-- Pode deixar. Eu falo com a Maria Emília. A gente vai lançar, é uma história ilustrada. Pra Cia. Das Letrinhas. Rodrigo, cê tá aí? Rodrigo? Ué,desligou?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-5203005955895978987?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/5203005955895978987/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=5203005955895978987&amp;isPopup=true' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5203005955895978987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5203005955895978987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/cara-esfrego.html' title='CARA, ESFREGÃO!'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-4471543416963834809</id><published>2007-05-10T12:17:00.000-07:00</published><updated>2007-05-10T12:18:39.227-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkNv6cbRrPI/AAAAAAAAAH0/OdcPHH6heW0/s1600-h/porta.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5063013455948262642" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkNv6cbRrPI/AAAAAAAAAH0/OdcPHH6heW0/s400/porta.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Cara, eu tinha certeza que era aqui...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-4471543416963834809?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/4471543416963834809/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=4471543416963834809&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4471543416963834809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4471543416963834809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/cara-eu-tinha-certeza-que-era-aqui.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkNv6cbRrPI/AAAAAAAAAH0/OdcPHH6heW0/s72-c/porta.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-661803753764590207</id><published>2007-05-10T12:14:00.000-07:00</published><updated>2007-05-10T12:20:48.778-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkNvLcbRrOI/AAAAAAAAAHs/VKNap_E2DKs/s1600-h/madonna.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5063012648494410978" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkNvLcbRrOI/AAAAAAAAAHs/VKNap_E2DKs/s400/madonna.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eu falei que eles são meio caipiras... Veja só se tem cabimento, hoje em dia, esse penteado de Madonna em Procura-se Susan desesperadamente...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-661803753764590207?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/661803753764590207/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=661803753764590207&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/661803753764590207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/661803753764590207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/eu-falei-que-eles-so-meio-caipiras.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkNvLcbRrOI/AAAAAAAAAHs/VKNap_E2DKs/s72-c/madonna.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-6832452257343593951</id><published>2007-05-10T12:11:00.000-07:00</published><updated>2007-05-10T12:22:01.404-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkNua8bRrNI/AAAAAAAAAHk/Ekilhzwp7qY/s1600-h/vomit.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5063011815270755538" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkNua8bRrNI/AAAAAAAAAHk/Ekilhzwp7qY/s400/vomit.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;-- Vomita, vai te fazer bem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;-- Tô sussa, só quero ficar um pouco aqui quietinha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-6832452257343593951?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/6832452257343593951/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=6832452257343593951&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/6832452257343593951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/6832452257343593951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/vomita-vai-te-fazer-bem.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkNua8bRrNI/AAAAAAAAAHk/Ekilhzwp7qY/s72-c/vomit.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-6808705472381098828</id><published>2007-05-10T12:06:00.000-07:00</published><updated>2007-05-10T12:08:08.740-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkNtW8bRrMI/AAAAAAAAAHc/Vm-e2GwkdIY/s1600-h/esfregÃ£o.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5063010647039651010" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkNtW8bRrMI/AAAAAAAAAHc/Vm-e2GwkdIY/s400/esfreg%C3%A3o.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Na boa, se ele falar comigo assim de novo eu peço demissão.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-6808705472381098828?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/6808705472381098828/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=6808705472381098828&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/6808705472381098828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/6808705472381098828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/na-boa-se-ele-falar-comigo-assim-de.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkNtW8bRrMI/AAAAAAAAAHc/Vm-e2GwkdIY/s72-c/esfreg%C3%A3o.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-3275589227356824749</id><published>2007-05-10T06:05:00.002-07:00</published><updated>2007-05-10T06:08:30.970-07:00</updated><title type='text'>Negó segui</title><content type='html'>Aconteceu uma coisa estranha e boa. Os posts foram ficando introspectivos, introspectivos e quando eu vi já não eram posts, eram capítulos do livro, aquele lá, que vim escrever aqui. Esse do taxista é um deles. Precisa mexer ainda, acabei de escrever, mas tô empolgado e resolvi mostrar. A partir de agora, não acredite mais em uma palavra do que eu disser aqui. Faz uns dois dias, a ficção virou o jogo. (Ainda bem, senão, que que eu ia dizer lá em casa???).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-3275589227356824749?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/3275589227356824749/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=3275589227356824749&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3275589227356824749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3275589227356824749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/neg-segui.html' title='Negó segui'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-3017672153449265385</id><published>2007-05-10T06:05:00.001-07:00</published><updated>2007-05-10T06:05:30.341-07:00</updated><title type='text'>O RESTO É JUJUBA</title><content type='html'>Escurece, o que em Xangai significa que começa a ficar claro. De dia eu me confundo.  As vielas, as bicicletas, as churrasqueiras com espetinhos, os fios e uma eterna névoa branca -- que não sei se é maresia ou uma fumaça atômica das fábricas dos arredores -- criam uma espécie de mormaço visual. De noite, pelo contrário, os prédios acendem as luzes, as carcaças de bicicletas, peixes e frangos abandonados pelas calçadas somem, os outdoors de plasma gritam marcas de cueca, de carros, de perfume, onde chineses e chinesas quase imperceptivelmente orientais sorriem, vencedores. A noite é nítida, o dia, obscuro. Mas ainda não escureceu, só começou.&lt;br /&gt; A torre do hotel Meridien nem ligou suas luzinhas, que percorrem todas as quinas, debaixo até o topo, como se fosse uma árvore de natal perdida no meio de maio. A Pearl Tower nem começou com sua histeria colorida e as janelas daquele prédio no Pudong, com seu luminoso escrito Aurora, ainda são apenas janelas: em poucos minutos se transformarão numa televisão gigante, projetando para multidões embasbacadas, do lado de cá do rio Huang Pu, imagens de peixinhos dourados, Monet, uísque, os girassóis de Van Gogh, Buick, a Monalisa, Ford, Matisse, Audi e outras conquistas da civilização. (De noite, Aurora acende-se. Obrigado, paisagem, por ceder imagens assim, na bandeja, a esse esforçado escritor).&lt;br /&gt;Vejo tudo pela janela do táxi, a uns 20 metros de altura, num desses minhocões que cruzam a cidade e  fazem o nosso enfadonho Elevado Costa e Silva parecer uma larvinha. O táxi segue em velocidade de cruzeiro. Vou em direção ao M 50, umas fábricas transformadas em estúdios e galerias de arte, ambiente descolex aqui de Xangai.&lt;br /&gt;No rádio toca um pop romântico, espécie de Sandy e Júnior, meloso, grudento -- deve ser tema da dupla romântica da novela que vi ontem, na tv do meu quarto. Presto menos atenção na paisagem e mais na música. Ouço então uma fungada. Logo seguida de outra. Olho no retrovisor e me dou conta de que o taxista está chorando. Chora baixinho, contido, tentando segurar, mas as lágrimas rolam. Não sei bem o que fazer. Volto a olhar para a paisagem, tento focar no horizonte meio branco, meio roxo, de Gothan City, não quero ser indiscreto, mas é difícil, pelo menos para mim, ficar a cinquenta centímetros de uma pessoa chorando e fingir que nada está acontecendo. Mais difícil ainda porque o choro vai aumentado. Ele agora deixa o pranto vir. Será que foi a música?&lt;br /&gt;Se não houvesse uma redoma de plástico que o separa de mim, eu poria a mão no seu ombro, num gesto universal de “estamos aí, amigão, fica assim não, vai passar, cê vai arrumar outra muito mais legal que ela, vai ver só, essa aí não merece seu choro”. Não é um choro desesperado, é um choro triste. Se for por amor, ele parece ter certeza de que perdeu a mulher. Não parece dor de corno. Não há raiva ali. Há dor, e há a consciência de que essa dor é incontornável. Mas como é que eu posso afirmar essas coisas? Posso estar completamente enganado. Ele pode estar puto, pode querer matar alguém, pode ter perdido alguém, descoberto uma doença, demitido do emprego, despejado da casa, sei lá.&lt;br /&gt;Eu evito olhar para o retrovisor, onde vejo sua cara, mas é inevitável, para todo lado que eu olho enxergo aquele retangulozinho de dor. Num desses olhares furtivos ele me pesca e fixa seus olhos nos meus. Não parece ter vergonha. Acho até que era o que queria, pois começa a desabafar. Lao xu tié! Magu xuô xuô dzáááá! Xu-ô  dzázázá!&lt;br /&gt;Ele sabe que aquilo não significa absolutamente nada para mim, mas ele não se importa. Ele está na merda e começa a me contar com detalhes, com peso em cada sílaba incompressível, como foi que a Lyin chegou para ele e disse há meia hora que tinha desistido do casamento, e como ele amava a Lyin, e como ele sabia que ela era a mulher da vida dele e como ele até tinha pedido um empréstimo no banco hoje de manhã para dar a ela aquele vestido de casamento branco que um dia eles viram no shopping e ela tinha gostado tanto. Hoje de manhã! E agora ela chega pra ele e Tsa biem diam luuuu, dzi tam tem lun jou juon!!!&lt;br /&gt;Quem sabe ele esteja me falando que a ex-mulher entrou na justiça e o proibiu de ver o filho, porque ele bebe, ele bebe e faz cagada e esse fim de semana ele levou o moleque no Century Park e enquanto o moleque ia na roda-gigante e no carrinho de bate-bate ele tomou todas ali com o cara dos espetinhos, e secou uma garrafa de pei jo e chapou e quando acordou cadê o moleque? O garoto tinha chorado e um policial conseguiu contatar a mãe e agora ele não podia chegar a menos de 500 metros do filho. Quinhentos metros, porra, gringo, você acredita que o filho da puta do juiz fez isso comigo? Como é que eu vou fazer agora? Eu to fodido, esse táxi não é meu, eu não tenho mulher, eu bebo, só tinha meu filho e agora nada, nem isso?!&lt;br /&gt;Nesse ponto ele começou a dar socos no volante, eu tive um sentimento egoísta e temi pela minha segurança. (Egoísmo, aliás, absolutamente justificável, porque me solidarizo com as dores alheias só até o momento em que elas ameaçam jogar-me num carro a oitenta por hora de uma altura de vinte metros contra o sexto andar de um edifício espelhado. Cinematograficamente ia ser bonito, Rodrigo, mas o filme, o meu filme, acabava aí). Felizmente, acho que ele também temeu por nossa segurança, pois parou de dar murros no volante e fez o impensável: parou o carro na pista da esquerda do minhocão, puxou o freio de mão e saiu. Imediatamente formou-se uma fila atrás do nosso carro, todo mundo buzinando, um escarcéu. Então ele encarou os carros e começou a gritar, a esbravejar, a dizer buzinem, seus filhos da puta, passem por cima, eu to pouco me fodendo, sem a Lyin ou sem meu filho essa porra dessa vida de merda não vale a pena! Ele era agora como aquele estudante que enfrentou a coluna de tanques na praça da Paz Celestial, era um homem sozinho contra as máquinas, um coração partido parando a via expressa da maior avenida da maior cidade do maior país do mundo, puta merda, meu taxista é demais, eu pensei, é isso aí, puta coragem, sofrer por amor é isso, o resto é jujuba, meu livro é sobre ele! Eu preciso entrevistar esse cara!&lt;br /&gt;Ouvi então uma sirene de polícia, ele também, porque entrou no carro rapidinho e arrancou. O choro parou. Procurei um lenço de papel na mochila para oferecer a ele, mas não tinha. Eu queria dar alguma coisa para ele, fazer algum gesto de solidariedade, dizer que eu não era apenas um turista gringo ali no carro dele, mas que eu também tinha minhas dores, meus pés na bunda, que eu estava escrevendo sobre isso agora, que minha ex-namorada estava grávida e ia se casar com o cara, um arquiteto bacaninha, que passa pomada no cabelo e faz uns desenhozinhos transadinhos num caderno moleschini -- e pior de todo é que era um cara legal, meu chapa, e os desenhos são bons.&lt;br /&gt;Mas eu não disse nada. Nós chegamos ao nosso destino, fui pegar o dinheiro e foi então que me lembrei: estava com meu último livro na mochila. Era para dar pro Everton, jogador de futebol, mas o Everton ia entender, ele é um cara sensível, quando eu contasse a história ele iria até ficar feliz em saber que o seu livro serviu a esse propósito. Então peguei o livro, abri na orelha, apontei a foto e apontei para mim. Ele entendeu. Sorriu, de leve. Passei o livro por cima da redoma, ele olhou, apontou a foto, disse qualquer coisa e me devolveu. Eu disse “tó, take it, é seu”. Ele fez que não com a cabeça, ainda tentei mais um pouco, mas não teve jeito, parecia um insulto ele ficar com o livro, como se eu tentasse dar a ele algo muito valioso. Peguei o livro e nos olhamos nos olhos, como a cumplicidade de duas pessoas que acabam de passar por uma situação limite juntos, dois sobreviventes de um acidente ou algo assim. Ele sustentou o olhar, não estava nada envergonhado, nem devia. Acho que ele viu em meus olhos também que eu o considerava um herói, que estava ao seu lado. Não tive coragem de pedir a nota.&lt;br /&gt;A galeria era OK, mas os quadros pelas paredes me pareceram absolutamente frios vazios. Brincadeiras de criança. Estavam todos mortos, atropelados pelo meu taxista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-3017672153449265385?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/3017672153449265385/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=3017672153449265385&amp;isPopup=true' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3017672153449265385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3017672153449265385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/o-resto-jujuba.html' title='O RESTO É JUJUBA'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-7659540197842121870</id><published>2007-05-08T12:37:00.000-07:00</published><updated>2007-05-08T12:39:56.323-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDRo8bRrLI/AAAAAAAAAHU/6mLdyCbvMv4/s1600-h/maco.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062276482509941938" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDRo8bRrLI/AAAAAAAAAHU/6mLdyCbvMv4/s400/maco.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alguns costumes são mesmo bem diferentes. Maconha, por exemplo, parece que é liberado. Um tijolão desses de meio quilo tá saindo 280 yuan, que dá o que, 100 reais?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-7659540197842121870?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/7659540197842121870/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=7659540197842121870&amp;isPopup=true' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7659540197842121870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7659540197842121870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/alguns-costumes-so-mesmo-bem-diferentes.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDRo8bRrLI/AAAAAAAAAHU/6mLdyCbvMv4/s72-c/maco.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-2132461381071186089</id><published>2007-05-08T12:34:00.000-07:00</published><updated>2007-05-08T12:36:19.414-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDQzsbRrKI/AAAAAAAAAHM/0KqSNN9NBxo/s1600-h/pagode.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062275567681907874" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDQzsbRrKI/AAAAAAAAAHM/0KqSNN9NBxo/s400/pagode.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Disseram que eu tinha que vir num pagode chinês, tava até no Lonely Planet. Cara, fiquei esperando ali embaixo de um coretinho,  não vi nem sinal de um tamborim...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-2132461381071186089?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/2132461381071186089/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=2132461381071186089&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/2132461381071186089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/2132461381071186089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/disseram-que-eu-tinha-que-vir-num.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDQzsbRrKI/AAAAAAAAAHM/0KqSNN9NBxo/s72-c/pagode.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-4728438751987348251</id><published>2007-05-08T12:26:00.000-07:00</published><updated>2007-05-08T12:27:30.755-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDPE8bRrJI/AAAAAAAAAHE/OuvAtKYSNjo/s1600-h/eupudong.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062273665011395730" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDPE8bRrJI/AAAAAAAAAHE/OuvAtKYSNjo/s400/eupudong.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-4728438751987348251?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/4728438751987348251/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=4728438751987348251&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4728438751987348251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/4728438751987348251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/blog-post_08.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDPE8bRrJI/AAAAAAAAAHE/OuvAtKYSNjo/s72-c/eupudong.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-2677415015572217236</id><published>2007-05-08T12:15:00.000-07:00</published><updated>2007-05-08T12:17:46.009-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDMmsbRrII/AAAAAAAAAG8/Dk_LJ8Z5euk/s1600-h/ets.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062270946297097346" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDMmsbRrII/AAAAAAAAAG8/Dk_LJ8Z5euk/s400/ets.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tá vendo eles aí? Um branco e um preto? Quer dizer: e depois ainda tem gente que diz que os ETs não tão entre nós. Sei...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-2677415015572217236?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/2677415015572217236/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=2677415015572217236&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/2677415015572217236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/2677415015572217236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/t-vendo-eles-um-branco-e-um-preto-quer.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDMmsbRrII/AAAAAAAAAG8/Dk_LJ8Z5euk/s72-c/ets.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-29181895165467234</id><published>2007-05-08T12:09:00.000-07:00</published><updated>2007-05-08T12:13:25.914-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDLH8bRrHI/AAAAAAAAAG0/tNzPJ6nCQXY/s1600-h/bobmarley.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062269318504492146" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDLH8bRrHI/AAAAAAAAAG0/tNzPJ6nCQXY/s400/bobmarley.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tá vendo a sombra que começa lá embaixo, do cano? Então, é o pescoço. Aí vai subindo, passa pelo gogó, depois a barbicha, na horizontal, depois os dois lábios e o nariz, juntinhos, então um leve aclive da sobrancelha, um dread de sombra e os outros de esfregão. É ou não é o Bob Marley?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-29181895165467234?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/29181895165467234/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=29181895165467234&amp;isPopup=true' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/29181895165467234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/29181895165467234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/t-vendo-sombra-que-comea-l-embaixo-do.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDLH8bRrHI/AAAAAAAAAG0/tNzPJ6nCQXY/s72-c/bobmarley.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-2234220532507899626</id><published>2007-05-08T11:57:00.000-07:00</published><updated>2007-05-08T12:08:24.671-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDKVMbRrGI/AAAAAAAAAGs/SgreEerJUCw/s1600-h/despejo2.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062268446626131042" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDKVMbRrGI/AAAAAAAAAGs/SgreEerJUCw/s400/despejo2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDKK8bRrFI/AAAAAAAAAGk/Z8435n1Idyg/s1600-h/despejo1.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Xiiii. Benhê, deu pobrema!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Que que foi, Maria Alice?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sei não, lê aqui que tô sem meus óculos...&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDIR8bRrEI/AAAAAAAAAGc/uZDqLbbb5LY/s1600-h/despejo1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062266191768300610" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDIR8bRrEI/AAAAAAAAAGc/uZDqLbbb5LY/s400/despejo1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Caro senhor morador do 342. A República Popular da China gostaria de avisar que, devido às 17 bicicletas abandonadas em sua porta, aos três patos soltos na rua, à pianola de manivela esquecida no tanque comunitário e umas contas de IPTU em aberto dos anos de 1961, 1962 e 1963, o senhor foi condenado a mudar-se amanhã mesmo para Caraguatatuba, SP, Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-2234220532507899626?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/2234220532507899626/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=2234220532507899626&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/2234220532507899626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/2234220532507899626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/xiiii.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDKVMbRrGI/AAAAAAAAAGs/SgreEerJUCw/s72-c/despejo2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-5560858778048560409</id><published>2007-05-08T11:52:00.000-07:00</published><updated>2007-05-08T11:55:21.853-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDG5MbRrDI/AAAAAAAAAGU/4UNM9E9wqX0/s1600-h/bengala.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062264667054910514" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDG5MbRrDI/AAAAAAAAAGU/4UNM9E9wqX0/s400/bengala.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Cadeira (com arma escodida na mão direita, embaixo do sobretudo): Pode sair com as mãos para cima, Kid Bengala! E não tente nenhuma gracinha: seus dias de criminoso acabaram!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-5560858778048560409?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/5560858778048560409/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=5560858778048560409&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5560858778048560409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5560858778048560409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/cadeira-com-arma-escodida-na-mo-direita.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/RkDG5MbRrDI/AAAAAAAAAGU/4UNM9E9wqX0/s72-c/bengala.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-7444543808824436967</id><published>2007-05-08T10:16:00.000-07:00</published><updated>2007-05-08T10:17:13.719-07:00</updated><title type='text'>BANHO DE BARREIRA</title><content type='html'>-- Então. Ahhhh, como, ahhh, o livro... Vai bem, história?&lt;br /&gt;-- Vai. Quer dizer, história só. Livro não ainda. Começo. Olhando em volta, tomando notas.&lt;br /&gt;-- O que? Tomando botas?&lt;br /&gt;-- Não, notas, tomando notas.&lt;br /&gt;-- Ah, cotage!&lt;br /&gt;-- Não, notas, sabe, anotando?&lt;br /&gt;-- Ah, sim, anotando.&lt;br /&gt;-- Vou pegar cerveja.&lt;br /&gt;-- Ok.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse minúsculo diálogo anterior levou uma eternidade. É sempre assim. Uma luta. Conheci Leo nesse mesmo bar. Eu estava perdido, tentando achar a balada Hip Hop e ele e uma amiga me levaram até lá. Muito gentis. Trocamos e-mails e telefones. Hoje ele me ligou – nove da manhã – e combinamos a cerveja. Tenho quase certeza de que ele é gay. Super efeminado, um jeito delicado, parece drag queen quando não está montada, maquiador de top model, sabe? Fiquei na dúvida sobre quais eram suas intenções com a cerveja, mas, pro diabo, se ele quiser alguma coisa, basta eu dizer, como outro dia: not sex, just beer, thank you. (Ei, eu tenho amigos gays, não é essa a questão, se fosse uma garota e estivesse afim de mim e eu não, teria o mesmo problema de sair para uma cerveja, entende?). A melhor das hipóteses, na verdade, seria ele ser gay e me contar várias histórias de amor, gays e chinesas, para o livro. Volto com a cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Então, hoje  eu achei uma história pro meu livro, acho que vai dar pé.&lt;br /&gt;-- Deus?&lt;br /&gt;-- O que?&lt;br /&gt;-- Fé? Deus?&lt;br /&gt;-- Não, não, eu disse dar pé, acho que vai funcionar, a história.&lt;br /&gt;-- Bom, bom.&lt;br /&gt;Ele suspira. Eu também.&lt;br /&gt;-- Então, você estuda marketing?&lt;br /&gt;Ele faz uma cara estranha.&lt;br /&gt;-- O que?&lt;br /&gt;-- Marketing, você não disse que estuda marketing?&lt;br /&gt;Ele pega um dicionário eletrônico na mochila, escreve alguma coisa, me mostra. Está escrito marketing. Faço sim com a cabeça.&lt;br /&gt;-- Não! Não! Eu estudo propaganda!&lt;br /&gt;E não é a mesma coisa?&lt;br /&gt;-- Ah... E você quer trabalhar com mar... com propaganda?&lt;br /&gt;-- Bom, não sei, eu, eu já trabalhei com sló.&lt;br /&gt;-- Sló?&lt;br /&gt;-- Sim, sló.&lt;br /&gt;Ele escreve uma coisa lá no dicionário e me mostra. Stocks. Ações, acho.&lt;br /&gt;-- Ah, você gritando, telefone, vende,compra, compra, vende?&lt;br /&gt;Ele diz que sim com a cabeça e começa uma longa sentença da qual só capto algumas palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Sló... Camisetas... Meu amigo... Voltei... Muito caro... Vermelho, e tal... Um ano...  Bélgica não mesmo, ah, Bélgica não... Muito chato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mostra um colar. Será que ele trabalhou no estoque de alguma loja? Uma loja belga? Desencano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Então, o que vocês comem no seu país?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sempre assim. É o sexto chinês (ou chinesa) com quem saio, eles são todos muito gentis e solícitos, mas tem a muralha da China cultural e linguística entre nós e bobeou a gente sempre cai nesse diálogo CCAA. Parecemos dois lobotomizados conversando. O cara do Laranja Mecânica depois da experiência, sabe? Sem humor, sem malícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Várias coisas. Churrasco... Mas o prato principal é arroz, feijão, salada, carne. E um ovo. Em cima, assim.&lt;br /&gt;-- Carne?&lt;br /&gt;-- Carne.&lt;br /&gt;-- O que é carne?&lt;br /&gt;-- É carne, é... Bife.&lt;br /&gt;-- Ah, bife! Arroz, feijão, salada, bife, ovo. Tudo junto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim, tudo junto? Ontem pedi macarrão com porco e tinha uns camarões no meio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- É, junto.&lt;br /&gt;-- Não, quero dizer, todo dia?&lt;br /&gt;-- Ah, não, não todo dia. A gente come outras coisas, muito peixe.&lt;br /&gt;-- De mar ou de rio?&lt;br /&gt;-- Os dois.&lt;br /&gt;-- E os de rio também são assim, grandes?&lt;br /&gt;-- Grandes, como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde ele escutou eu dizer que os peixes eram grandes???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não, a gente come peixes grandes e pequenos.&lt;br /&gt;-- E você gosta de peixes grandes e pequenos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caralho, que tipo de pergunta é essa? Será que é um código na China para saber se eu sou bi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Eu gosto de peixe.&lt;br /&gt;-- Hummmm...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio. A coisa definitivamente não anda, é como ir de São Paulo ao Rio em Primeira. Passando por Belo Horizonte. Usando cachaça como combustível. E abrindo só um olho. Acho que os dois estão com preguiça de puxar papo. Peço mais uma cerveja. Ele toma a iniciativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Sabe, aquele dia, a Vivian, minha amiga... Bêbada, muito. Primeira vez eu Viviam ver bêbada assim naquele dia.&lt;br /&gt;-- Sério? Mas ela muito bêbada já quando eu aqui?&lt;br /&gt;-- Ponto de ônibus. Muito bêbada. Dois anos eu Vivian sem ver.&lt;br /&gt;-- Mas ela já esta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, desisti. Peguei o cardápio e pedi uma comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- O seu hotel é perto?&lt;br /&gt;-- É, é perto.&lt;br /&gt;-- Eu sei. Eu gosto andar aí rua pequena vira outra ver tudo quando andar aí hotel seu outro dia.&lt;br /&gt;-- Você foi no meu hotel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que era ele? Quando o cara me ligou de manhã e disse “your friend is waiting in the second floor, breakfast?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Eu andar rua pequena ver por aí hotel seu.&lt;br /&gt;-- Mas você foi lá???&lt;br /&gt;-- Não, só ver onde é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que ele foi e agora tá com vergonha de dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Eu gostar peixe. Aham. Muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah não! Vamos começar com a aula do Yazigi sobre comida outra vez?! Se Leo me entendesse, eu poderia pegar um palito na mesa e começar a quebrá-lo, dizer, olha, Leo, não é você, somos nós dois, eu acho que essa relação não tá indo pra frente, entende? Sinto que tem uma barreira entre nós e acho que a gente não vai superar essa barreira, sabe? Provavelmente ele iria me olhar com essa mesma cara que me olha e eu o olho e perguntar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Banheira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedimos a conta logo depois. Certas banheiras linguísticas são mais intransponíveis que a Migalha da China.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-7444543808824436967?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/7444543808824436967/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=7444543808824436967&amp;isPopup=true' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7444543808824436967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7444543808824436967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/banho-de-barreira.html' title='BANHO DE BARREIRA'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-3764620265397864708</id><published>2007-05-08T04:42:00.000-07:00</published><updated>2007-05-08T04:43:13.187-07:00</updated><title type='text'>TEM CHÁ?</title><content type='html'>Nos primeiros dias eu subia em prédios e olhava a cidade lá do alto. E ia a museus e lia sobre a história do país. Agora ando por ruazinhas e fotografo paredes, torneiras, tampas de garrafa jogadas num canto. Olho a cidade agachado, procurando-a num ladrilho.&lt;br /&gt;Nos primeiros dias eu buscava um argumento para o romance como quem olha a cidade de cima. Queria vê-lo todo, na minha frente, lá embaixo. Agora já sei que não é assim. Sentado aqui, nesse paraíso que encontrei por acaso, a “Sala de leitura da antiga mão da China” (o que quer que isso signifique), com o lap top no colo e uma chaleira infinita de chá à minha frente, descrevo uma coisa de cada vez, a torneira da rua, o bilhete para uma namorada na infância, um possível cenário para casamento visto duas ruas abaixo, um gato que arranha canos num beco e pode entrar na história, de algum jeito.&lt;br /&gt;A cidade está aí, inteira, mas foi feita prédio à prédio, ladrilho por ladrilho e é feita ainda, pelas tampas que caem nos cantos, pelos gatos que imprimem seus grafites vitais pelos canos, modificando a micro topografia de suas superfícies. Pouco a pouco. Uma coisa de cada vez. Nunca entendi direito desses assuntos, voraz e ansioso que sou.&lt;br /&gt;Eu me pareço com essa cidade, querendo escrever um romance com a mesma velocidade com que eles ergueram o Pudong. Devagar, eu digo a mim mesmo. E tomo chá, pela primeira vez na vida. A pronúncia de “espera um pouco”, em chinês, é “tem chá”, acreditam?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-3764620265397864708?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/3764620265397864708/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=3764620265397864708&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3764620265397864708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/3764620265397864708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/tem-ch.html' title='TEM CHÁ?'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-7885079150077508767</id><published>2007-05-08T04:41:00.000-07:00</published><updated>2007-05-08T04:42:35.235-07:00</updated><title type='text'>CARPAS, BADMINTON</title><content type='html'>Encontrei essa rua por acaso, me perdendo pelas elegantes alamedas da concessão francesa. Por acaso, entrei num lindo jardim onde celebravam um casamento. Vi uma criança emocionada, apontando os peixes num laguinho, enquanto a mãe dizia alguma coisa. Carpas? Pode ser. Carpas, disse a mãe, e pela primeira vez a garotinha soube que aquela coisa maravilhosa, aqueles gomos de mexerica gigantes que se moviam para todos os lados chamavam-se carpas.&lt;br /&gt;Depois entrei numa ruazinha e um casal de uns dezessete anos jogava badminton. Jogavam mal, não conseguiam concatenar três raquetadas, desengonçados e apressados -- como talvez seja seu sexo --, mas riam, se divertiam, era feriado, eles se amavam, e daí? No fundo dessa viela vi o tal gato, o tal cano e tive uma súbita noção dos outros. Outros, seis bilhões de outros – sem contar os gatos --, casando-se, aprendendo que o nome disso é carpa, ensinando à filhinha que o nome disso é carpa, jogando badminton na rua porque hoje é feriado, eles estão vivos e se amam e que importa?&lt;br /&gt;Na média, acho que o mundo é um lugar legal. Tem gente matando, gente morrendo, gente explorando e gente invejosa fazendo suas maldadezinhas gosmentas, mas as carpas, o badminton, no fim das contas... Não?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-7885079150077508767?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/7885079150077508767/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=7885079150077508767&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7885079150077508767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/7885079150077508767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/carpas-badminton.html' title='CARPAS, BADMINTON'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-1746584067069621553</id><published>2007-05-07T10:06:00.002-07:00</published><updated>2007-05-07T10:07:46.842-07:00</updated><title type='text'>HOMEM ARANHA x COWBOY</title><content type='html'>Hoje eu saí andando por aí. Chega de programas, de roteiros, abaixo o Lonely Planet. Só tenho mais dez dias aqui e chegou a hora de parar de tentar me encontrar e começar a me perder. Só quero saber do turismo que seja libertação! Foi Walter Benjamin quem disse que o único jeito de conhecer uma cidade era perdendo-se nela? Mundo mundo lonely mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não uma solução. Mundo mundo lonely mundo, mais lonely é meu coração.&lt;br /&gt;Uma rima pode não ser uma solução, mas já é alguma coisa. Se a poesia é o supra sumo do espanto, a essência do nosso puta-que-o-pariu-nascemos-e-logo-morreremos-e-essa-coisa-toda-não-faz-o-menor-sentido -- o mantra que cantam os que não crêem --, a rima é uma espécie de prêmio de consolação. A gente lê: ficar, lar, potiguar, amar, bar, raiar, so far e logo acredita que essa semelhança, essa melodia, que é a rima, também é semelhança e melodia na vida, que as coisas rimam, se irmanam, há algum sentido, enfim. Mas aqui eu não me chamo Raimundo e Raimundo tampouco rima com o mundo.  Nada rima por aqui.&lt;br /&gt;Saí entrando em vielas e em vielas que saíam das vielas e davam em outras vielas. Vi jardins lindíssimos e esgotos a céu aberto, cozinhas sujas onde cinco homens sujos cortavam legumes e uma moto desmontada abandonada entre cadeiras de bambu, entrei numa biblioteca no meio da quebrada, olhei pra cima e vi linguiças sendo curtidas penduradas num ar-condicionado. Há um BMW parado na frente de um cortiço e um cortiço estacionado ao lado de uma loja chique. Há panelas e bicicletas espalhadas pela cidade. Pra que tanta, panela, meu Deus?, pergunta meu coração. A falta de ordem me perturba. Não há hierarquia possível, não há ordem, nem rima, só coisas e mais coisas umas depois das outras. Talvez o inferno seja assim, coisas e mais coisas umas depois das outras, sem a possibilidade de uma compilação. Os condenados ficariam então, como Sísifos de uma repartição infinita, perguntando a si próprios “guidão de bicicleta vai na sessão de bicicletas ou com as direções de automóveis?”, “cinco mil cabides vai na sessão de vestuário ou no guichê de objetos à granel?”, “Ô Anderson, tem aqui uma chupeta, uma exemplar de O Capital e uma samambaia morta, em cima de uma geladeira quebrada, é lixo ou instalação?”. (Sei que estou me repetindo, mas preciso, estou tentando fazer justamente essa compilação. Inferno!).&lt;br /&gt;Há entre nós e o mundo uma teia chamada cultura. A gente olha para as coisas e dá sentido a elas. É como se a gente atirasse fios de significado, como o Homem Aranha faz, e dissesse panela, zupt!, mãe, zupt!, porteiro, zupt!, nosso carro, zupt!, esquina, zupt!, pão preto, zupt!, Fernando Sabino, zupt! e aos poucos temos a teia de significados sob nossos pés e por elas nos movemos. (Não, a gente sequer toca o mundo, a gente só pisa na teia).&lt;br /&gt;Eu significo tudo, logo tudo me significa. Sei o que sou e sou o que sou pelos pontos onde minha teia está grudada. Ser estrangeiro, estar num país tão diferente, mesmo que por pouco tempo, é como andar sem a teia. Da minha pele para dentro há um mundo com canções e cheiros e sabores e abraços e sistemas, da minha pele para fora há outro mundo com outras canções e cheiros, sistemas incompreensíveis e abraços inalcançáveis.&lt;br /&gt;Nós, aranhas, queremos a teia. Queremos significado. Em poucos dias já estou grudado ao quarto, à lojinha da esquina, aos recém conhecidos. Há pontes de significado e afeto entre mim e o mundo. Poucas, frágeis, mas há. Se não estabelecemos essas conexões enlouquecemos, a não ser que sejamos cowboys.&lt;br /&gt;Daí o fascínio pelos cowboys. Não é porque eles sacam a arma mais rápido e matam os inimigos, é porque eles não precisam de ninguém. Carregam o mundo no bolso. Aranhas desgarradas, vão andando, indo, indo, em silêncio. É um herói ou um amaldiçoado?&lt;br /&gt;Percebi ontem, enquanto comia uma sopa de macarrão e carne, que no fundo todos esses laços, mesmo aqueles nos quais mais cremos, são frágeis e artificiais. Tá, é obvio, todo mundo sabe, mas ontem eu soube mais, eu soube de verdade. Nos agarramos desesperadamente às coisas, às pessoas, aos amores (esse fio tão forte, o mais forte, talvez?), mas no fim estamos sós, aqui, aí, em qualquer lugar.&lt;br /&gt;Não, não é que não tenhamos mais ninguém além de nós mesmos: é pior, não temos nada. Tá vendo esse abajur aí no canto? Há um abismo entre ele e você. Tentar transpor esse abismo é o que a gente tem feito, desde que o mundo é mundo, vasto mundo. Mas se eu me chamasse Raimundo, seria apenas uma rima, não uma solução: o abismo é intransponível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-1746584067069621553?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/1746584067069621553/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=1746584067069621553&amp;isPopup=true' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1746584067069621553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1746584067069621553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/homem-aranha-x-cowboy.html' title='HOMEM ARANHA x COWBOY'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-9124471021507102972</id><published>2007-05-07T10:06:00.001-07:00</published><updated>2007-05-07T10:06:28.027-07:00</updated><title type='text'>MODELOS</title><content type='html'>Eles fazem parte do mundo, pensei, eu não.  As modelos e os jogadores mostraram a pequenez da Vila Madalena, das discussões pueris sobre a Lei Rouanet, o Espaço Unibanco de cinema, esse mundo à parte que a gente acha que é todo o mundo e se não se deslocar e olhar de fora acaba acreditando que é mesmo e pode acabar um idiota completo.&lt;br /&gt;Não, eles são o mundo, eu não. Eu nunca chorei sozinho nas Filipinas, aos quinze anos, tendo deixado Rio do Norte, SC, para trás, ao ouvir a produtora local dizendo que eu era shit! Shit! Shit! Eu não tenho que pagar multa se chego depois das dez na concentração, nem estou morando num país sem falar a língua e sendo enganado pelo meu empresário enquanto tento juntar dinheiro para ajudar minha mulher e minha filha de sete meses no Brasil.&lt;br /&gt;Então pareceu que era eu quem vinha do mundo do glamour e dos holofotes, enquanto as modelos e os jogadores carregavam o piano nas costas: bravas formigas operárias do moinho midiático. &lt;br /&gt;Se eu fizesse parte do mundo -- essa coisa do meu umbigo para lá --  não me esforçava tanto para ler o caderno Mais! ou Aliás ou um livro cabeludo onde um antropólogo ou sociólogo tenta me dizer, com suas intrincadas teses e complexos sistemas: veja o mundo, Antonio, ele é assim. Quem faz parte dele não quer entendê-lo.&lt;br /&gt;As modelos e os jogadores brasileiros me contavam as suas histórias gentilmente, me mostrando como era o mundo, enquanto tomavam refrigerante no quadragésimo andar de um dos seis prédios de um condomínio mastodôntico a leste de Xangai. E me salvaram, pelo menos por ora, do perigo de tornar-me uma besta auto-centrada.&lt;br /&gt;“Gente, a casa toda desarrumada! Carol, tira essas meias da janela que tem uma celebridade aqui!”, disse a Fernanda, de Santa Catarina, que me conhecia pelos textos da Capricho. Eu queria pedir desculpas, dizer parabéns, vocês são heroínas, tão novas, tão fortes, enfrentando essa enrascada com sorriso no rosto e pele de criança, eu não, eu não faço nada, eu só anoto aqui nesse bloquinho. E elas iam me falando...&lt;br /&gt; “Se você não tem um book legal até uma certa altura da sua vida, você vem pra Ásia. Faz catálogo de pijama, umas fotos bregas, mas ganha dinheiro. Não adianta ficar no Brasil, no meio daquela concorrência, ouvindo não em casting. Hoje eu sei até onde eu posso chegar, onde não posso. Já me ferrei muito, já ouvi produtor dizendo que ou eu fazia plástica no nariz ou podia desistir de ser modelo, já tive agência que me proibia de sair de casa a noite. Na Alemanha eu morei com uma mulher tão louca, mas tão louca, que um dia eu abri o congelador e tinha um gato morto. Saí dali na hora, liguei chorando pra minha mãe no Brasil, dizendo que queria voltar, ela disse calma, filha, vai dar tudo certo. Hoje eu sei como as coisas funcionam, sou madura”. Quantos anos você tem? “Dezessete”.&lt;br /&gt;“Eu tenho 24 anos, não tenho filho nem mulher. Se eu fizer um bom campeonato aqui, posso ser chamado pra um time da primeira divisão, posso ir para um outro país. Eu faço o que eu gosto, cara, eu jogo bola, quanta gente pode dizer isso? Que faz o que gosta? É difícil pra caralho. A gente veio aqui com promessa de que ia ter um apartamento para cada um. Faz dois meses, cadê? A gente come na cantina da faculdade. Tem dia que só dá pra comer o arroz. Outro dia eu liguei pra minha mãe e disse, mãe, tá no viva voz? O pai tá aí? É o seguinte, eu amo muito vocês, muito. E comecei a chorar. Fiquei meia hora chorando no telefone, é foda, mas fazer o que? Estamos aí. Pros outros dois jogadores brasileiros é mais difícil. O Fernando quer trazer a mulher dele, mas para morar com a gente no quarto do hotel? Agora a mulher dele tá brava, acha que ele não quer que ela venha, tá ligado? O Robson teve que voltar, tá com a filhinha de sete meses no Brasil, a mulher ligou falando que ela tá com problema de saúde, ele foi na hora, deixou até dinheiro para trás.”&lt;br /&gt;“Eu saí de Araçatuba com 15 anos. Já morei na Tailândia, nas Filipinas, Singapura, na Grécia, agora aqui. Minha mãe é que queria que eu fosse modelo, eu queria sair de casa, então topei. A gente se acostuma. Hoje eu gosto. É uma vida dura, mas eu gosto. Quero juntar dinheiro para pagar minha faculdade, quero comprar um apartamento. Que outra profissão, na minha idade, dá pra pensar nisso? Se a gente dá sorte pega uma campanha de xampu, acorda de manhã, vai lá, faz assim com a cabeça, ó, e pode ganhar 30 mil dólares. Não é fácil, mas pode aparecer uma coisa assim”.&lt;br /&gt;Diante da grandeza existencial dessas meninas, desses caras que saem de mala nas costas pelo mundo e vêm parar na China, tentando fazer o melhor trabalho possível e lidando com feitores escrotos, cafetões e cafetinas de outros séculos que tocam no chicote o que no fim das contas resulta em catálogos de lojas cheirosas e espetáculos esportivos bacanas, vejo de novo os andaimes de bambu.  Andaimes de bambu, em torno dos lindos prédios de cem andares. Andaimes de bambu, moinho de moer gente, capitalismo global, cazzo, o mundo é cruel pra caralho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-9124471021507102972?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/9124471021507102972/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=9124471021507102972&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/9124471021507102972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/9124471021507102972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/modelos.html' title='MODELOS'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-2842740820414966643</id><published>2007-05-07T09:05:00.000-07:00</published><updated>2007-05-07T09:09:49.443-07:00</updated><title type='text'>POETICA (Manual, Bandeira)</title><content type='html'>Estou farto do lirismo comedido&lt;br /&gt;do lirismo comportado&lt;br /&gt;Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente&lt;br /&gt;protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho&lt;br /&gt;vernáculo de um vocábulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo os puristas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais&lt;br /&gt;Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção&lt;br /&gt;Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou farto do lirismo namorador&lt;br /&gt;Político&lt;br /&gt;Raquítico&lt;br /&gt;Sifílitico&lt;br /&gt;De todo o lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto não é lirismo&lt;br /&gt;Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar&lt;br /&gt;com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às&lt;br /&gt;mulheres, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero antes o lirismo dos loucos&lt;br /&gt;O lirismo dos bêbedos&lt;br /&gt;O lirismo difícil e pungente dos bêbedos&lt;br /&gt;O lirismo dos clowns de Shakespeare&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel Bandeira: Manual, Bandeira!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-2842740820414966643?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/2842740820414966643/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=2842740820414966643&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/2842740820414966643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/2842740820414966643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/poetica-manual-bandeira.html' title='POETICA (Manual, Bandeira)'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-5560043369681121654</id><published>2007-05-07T07:14:00.000-07:00</published><updated>2007-05-07T12:45:50.132-07:00</updated><title type='text'>BALADA DO MANGUE (DE ALGUNS DIAS ATRÁS)</title><content type='html'>Acordei triste, com a boca seca pela ressaca e a consciência madrasta de estar a 18554 quilômetros de qualquer possibilidade de cafuné. Essas chinesas só me dão as costas. Não faço o menor sucesso aqui na Ásia. Será que é a barba?&lt;br /&gt;Enquanto rolava na cama tentando adivinhar a cor do céu do lado de lá da cortina doirada, sem saber se eram oito da manhã ou seis da tarde -- era uma e meia -- entendi finalmente esse papo de que tempo e espaço são a mesma coisa. Estar a vinte mil quilômetros de um cafuné ou um ombro amigo equivale a estar há dois anos sem cafuné ou um ombro amigo. (Aliás, nunca entendi porque “a cem metros” não é “há cem metros”, uma vez que esses cem metros existem e deveriam ser precedidos pelo verbo haver).&lt;br /&gt;Acordei, tomei um banho longo, escrevi que nem um louco, desci para a academia do hotel e corri (Scarlett Johansson teima em não aparecer), li umas coisas sobre a China, tomei o poderoso Kagome poli-vegetálico, fiz essas coisas todas que sei que me acalmam e me fazem bem, mas continuava triste. Resolvi sair para jantar. Afinal, era sábado à noite. Vi no Lonely Planet um lugar 24 horas de macarrão aqui perto, achei que era uma boa e fui.&lt;br /&gt;Levei comigo o livro que o Vinícius escreveu pro Neruda, ganho de uma menina linda e desconhecida que apareceu do nada na minha vida, um belo dia, com esse livro na mão e um sorriso no rosto, dizendo, “oi, vim te conhecer”.&lt;br /&gt;Cheguei numa espécie de Sujinho dos noodles, pedi uma Suntory (pinda! Pinda! Pinda! – gelada! Gelada! Gelada!) e, assim que ia abrir o livro, começou a tocar Simon and Garfunkel. Meus caros, quando você tá há vinte dias ouvindo só pop chinês, acordou meio triste a sente-se só, sob a luz fria de um boteco no meio da Ásia, Sound of silence é quase cafuné -- é, definitivamente, ombro amigo.&lt;br /&gt;Chegou uma tijelona de macarrão de arroz com carne e legumes, quase uma canja de mãe numa gripe da infância, Vinícius começou a falar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa noite, Pablo Neruda. Neste instante&lt;br /&gt;Ouvi cantar o primeiro pássaro da primavera&lt;br /&gt;E pensei em ti. O primeiro pássaro da primavera&lt;br /&gt;Cantou, parece incrível. Mas ainda existem pássaros&lt;br /&gt;Que cantam em noites de primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e então meu outono acabou, os pássaros cantaram e primavera se fez. E já que era primavera, que cantem todos os pássaros: ali no meu boteco, já com Vinícius, Neruda, Simon and Garfunkel e a canja primordial na mesa, começou a tocar Blackbird, dos Beatles. Quase chorei. (Ah, esses noodles, essa cerveja quente, botam a gente comovido como o diabo).&lt;br /&gt;Ali, sozinho no bar, sozinho na Ásia, cazzo, pensei em Drummond.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta cidade do Rio,&lt;br /&gt;de dois milhões de habitantes,&lt;br /&gt;estou sozinho no quarto,&lt;br /&gt;estou sozinho na América.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;De dois milhões de habitantes!&lt;br /&gt;E nem precisava tanto...&lt;br /&gt;Precisava de um amigo,&lt;br /&gt;desses calados, distantes,&lt;br /&gt;que lêem verso de Horácio&lt;br /&gt;mas secretamente influemna vida,&lt;br /&gt;no amor, na carne.&lt;br /&gt;Estou só, não tenho amigo,&lt;br /&gt;e a essa hora tardia&lt;br /&gt;como procurar amigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, fui dormir às seis e meia. Às dez da manhã tocou o telefone. Isso é um acontecimento, por aqui. Desde que cheguei, devo ter recebido uns seis telefonemas, no máximo. Nenhum deles quando estava dormindo. Acordei, atendi, aturdido, naquele lusco-fusco de inicialização do windows cerebral – Antonio, Xangai, sede, história de amor, táxi, hello, hello? -- e, do outro lado da linha, o cara da portaria me falou, com seu inglês péssimo; “your friend is waiting for you”. What? “Your friend is waiting for you in the second floor, in the breakfast”. Eu juntei todos os meus neurônios e dissemos: I don’t have any friend.&lt;br /&gt;Caro leitor, veja só, eu não estava sendo melancólico, estava sendo pragmático, aquilo não era possível, não existia ninguém em Xangai que pudesse estar me esperando às dez da manhã de sábado “in the second floor, in the breakfast”. O cara da portaria fez como sempre fazem por aqui, quando empaca a comunicação, repetiu a oração: “your friend is waiting for you”. Eu pensava na noite de ontem, pensava em beber água, pensava que não queria, por Diós, estar tendo aquela conversa, eu sabia que aquilo era um engano, então um neurônio mais esperto me assobiou a frase: ok, tell my friend to call me and I’ll talk to him. Ele disse que sim, ia falar e pronto, nunca mais meu telefone tocou. Mas como eu ia dizendo – ou melhor, Drummond ia dizendo:&lt;br /&gt;E nem precisava tanto.&lt;br /&gt;Precisava de mulherque entrasse neste minuto,&lt;br /&gt;recebesse este carinho,&lt;br /&gt;salvasse do aniquilamento&lt;br /&gt;um minuto e um carinho loucos&lt;br /&gt;que tenho para oferecer.&lt;br /&gt;Em dois milhões de habitantes,&lt;br /&gt;quantas mulheres prováveis&lt;br /&gt;interrogam-se no espelho&lt;br /&gt;medindo o tempo perdido&lt;br /&gt;até que venha a manhã&lt;br /&gt;trazer leite, jornal e clama.&lt;br /&gt;Porém a essa hora vazia&lt;br /&gt;como descobrir mulher?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, como? Saí do meu Sujinho dos Noodles, levemente bêbado com uma garrafa de Suntory quente, mas num porre de lirismo danado (você nunca deve ler um livro inteiro de poesia, ganho de uma menina linda,ouvindo Beatles, se está passando por um momento de carência na China) e fui andando pelo bairro. Segundo o Lonely Planet, eu estava no epicentro da noite da cidade. Há (sic) dois quarteirões estava a Maoming road, cheia de bares. Minha idéia era sentar num deles, o mais calmo, e ler de novo o livro inteiro do Vinícius. Se fosse a três bares, leria três vezes. Se fosse a doze, doze. Que sabe, ao amanhecer, já teria escrito a minha história de amor?&lt;br /&gt;Começou a bater um vento terrível, desses que batem em filme ruim antes da chegada do assassino. Bicicletas apoiadas nas paredes caíam, folhas e lixo voavam pela calçada. É engraçado, desde que cheguei aqui já choveu umas três vezes, mas eu sempre estranho. Na minha cabeça a China é seca, sempre seca.&lt;br /&gt;Cheguei na tal rua e percebi porque o Lonely Planet dizia, já na primeira frase do capítulo “ drinking”, que a noite de Xangai muda tão rápido que não dá para confiar nas dicas de um ano atrás.&lt;br /&gt;Entrei num ber onde uma banda de rock chinês tocava num palquinho. Olhei em volta e percebi a enrascada: três gringos, doze putas, uma banda e um garçom. De cara, uma cafetina me pegou pelo braço e me levou a uma mesa. Me ofereceu uma menina. Lembrei de uma leitora do blog, que se apresenta como Chatagirl, dizendo: “você tem que viver a lama de Xangai”. Eu disse a ela que estava ouvindo um CD com músicas de Xangai “numa pegada latina”. Ela disse que “isso era o caos, e do caos à lama há um longo percurso”. Muito afiada essa Chatagirl.&lt;br /&gt;Pedi uma cerveja. A cafetina puxava papo e tentava iniciar um diálogo entre mim e a garota, que falava um inglês não muito melhor que o meu mandarim. A garota era bonita e pegava na minha mão com suas mãos calejadas. Eu queria dizer para as duas, olha só, eu estava lendo Vinícius falar sobre Neruda, sobre amizade, há mais distancia entre esse lirismo e uma prostituta chinesa do que entre o céu e a Terra ou qualquer outra comparação que possa ser feita por nossa vã filosofia. Mas só falei: thanks, not sex, just a beer.&lt;br /&gt;Nunca vi uma prostituta mais triste. Ela não se vestia como puta, usava calça jeans e camiseta. Aquela fantasia de mini-saia e top e soutien aparecendo amenizam a sordidez da situação (ou talvez as fantasias que aquela fantasia nos suscita embacem um pouco nosso julgamento), mas ali era apenas uma garota pobre, sorrindo, tentando ser agradável, enquanto aquela cafetina malvada como madrasta de conto de fadas a empurrava de todas as maneiras para cima de mim, o gringo cheio de barba e dinheiro. Fiquei com pena da banda, também, coitados, animando xaveco de puta e gringo ali naquele palquinho. Virei a cerveja o mais rápido que pude e saí pra rua. O vento virou uma tempestade, eu saí correndo, putas me puxavam para dentro dos bares como polvos, estiquei a mão e saltei, encharcado – não mais de lirismo, mas de chuva ácida e cerveja quente – para dentro de um táxi.&lt;br /&gt;Fui para casa triste, vendo a chuva molhar as calçadas de Xangai e com Vinícius me assoprando no ouvido os últimos versos da noite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Balada do mangue&lt;br /&gt;Pobres flores gonocócicas&lt;br /&gt;Que à noite despetalais&lt;br /&gt;As vossas pétalas tóxicas!&lt;br /&gt;Pobre de vós, pensas, murchas&lt;br /&gt;Orquídeas do despudor&lt;br /&gt;Não sois Lœlia tenebrosa&lt;br /&gt;Nem sois Vanda tricolor:&lt;br /&gt;Sois frágeis, desmilingüidas&lt;br /&gt;Dálias cortadas ao pé&lt;br /&gt;Corolas descoloridas&lt;br /&gt;Enclausuradas sem fé,&lt;br /&gt;Ah, jovens putas das tardes&lt;br /&gt;O que vos aconteceu&lt;br /&gt;Para assim envenenardes&lt;br /&gt;O pólen que Deus vos deu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-5560043369681121654?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/5560043369681121654/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=5560043369681121654&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5560043369681121654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5560043369681121654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/balada-do-mangue-de-alguns-dias-atrs.html' title='BALADA DO MANGUE (DE ALGUNS DIAS ATRÁS)'/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-1338305931608885908</id><published>2007-05-07T05:22:00.000-07:00</published><updated>2007-05-07T05:25:36.475-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rj8ak8bRrCI/AAAAAAAAAGM/wpQU_6SD2BA/s1600-h/lingui.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061793728185871394" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rj8ak8bRrCI/AAAAAAAAAGM/wpQU_6SD2BA/s400/lingui.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cara, na boa, mas tem uns troços bem estranhos pendurados no seu ar-condicionado.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-1338305931608885908?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/1338305931608885908/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=1338305931608885908&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1338305931608885908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/1338305931608885908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/cara-na-boa-mas-tem-uns-troos-bem.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rj8ak8bRrCI/AAAAAAAAAGM/wpQU_6SD2BA/s72-c/lingui.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-5352056423049385633</id><published>2007-05-07T05:19:00.000-07:00</published><updated>2007-05-07T05:22:06.589-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rj8ZjcbRrBI/AAAAAAAAAGE/2LgZ8th6MWE/s1600-h/pia.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061792602904439826" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rj8ZjcbRrBI/AAAAAAAAAGE/2LgZ8th6MWE/s400/pia.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ai, como cê é careta... Que que tem? Instala a pia lá fora, ué? Só porque a sociedade impôs que pia é pra dentro? Desconstrói isso aí, bitchô.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-5352056423049385633?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/5352056423049385633/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=5352056423049385633&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5352056423049385633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/5352056423049385633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/ai-como-c-careta.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rj8ZjcbRrBI/AAAAAAAAAGE/2LgZ8th6MWE/s72-c/pia.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-745216079194226108</id><published>2007-05-07T05:16:00.000-07:00</published><updated>2007-05-07T05:18:22.043-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rj8Y6sbRrAI/AAAAAAAAAF8/mwAEuz6u4oI/s1600-h/depoisdosexo.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061791902824770562" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rj8Y6sbRrAI/AAAAAAAAAF8/mwAEuz6u4oI/s400/depoisdosexo.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Banco: sei lá, senti você meio distante. Esfregão: imagina, meu amor, eu tava aqui, por inteiro.&lt;br /&gt;Banco: tá, talvez não seja nada, talvez eu é que esteja cansada.&lt;br /&gt;Esfregão: te amo.&lt;br /&gt;Banco: muito?&lt;br /&gt;Esfregão: mais que tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-745216079194226108?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/745216079194226108/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=745216079194226108&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/745216079194226108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/745216079194226108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/banco-sei-l-senti-voc-meio-distante.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rj8Y6sbRrAI/AAAAAAAAAF8/mwAEuz6u4oI/s72-c/depoisdosexo.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563899503754309584.post-5157342392502739229</id><published>2007-05-07T05:10:00.000-07:00</published><updated>2007-05-07T05:11:25.908-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rj8XSMbRq_I/AAAAAAAAAF0/r1r8Y19wYug/s1600-h/estilo.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061790107528440818" style="FLOAT: left; 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MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rj8ThMbRq8I/AAAAAAAAAFc/FSpampt7mi0/s400/gata2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Oh, I understand, no problem. Tsa tiem então. (Não custa tentar, né?)&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563899503754309584-6301206390208807223?l=blogdoantonioprata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/feeds/6301206390208807223/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563899503754309584&amp;postID=6301206390208807223&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/6301206390208807223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563899503754309584/posts/default/6301206390208807223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/05/oh-i-understand-no-problem.html' title=''/><author><name>blog do antonio prata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06721714764227570746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_lj8wYiiybis/Rj8ThMbRq8I/AAAAAAAAAFc/FSpampt7mi0/s72-c/gata2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
